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sexta-feira, maio 1, 2026
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O Congresso de joelhos… mas não é diante do povo

Por Edson Silveira

O Brasil vive um momento curioso.

Ou melhor, revelador.

Sob o comando de Davi Alcolumbre (UniãoBrasil-UPr), o Congresso Nacional resolveu inovar: deixou de ser Poder da República para ensaiar algo mais próximo de um balcão de condicionamentos.

Nada passa.

Nada anda.

Nada avança.

A não ser — claro — quando os interesses certos são atendidos.

E aí tudo flui.

Como mágica.

Chamam isso de “independência entre os Poderes”.

Mas a prática lembra mais um manual não escrito de como dobrar um governo eleito sem precisar ganhar eleição.

É simples: segura pauta, pressiona, trava indicação, cria crise —

e depois senta para “negociar”.

Negociar o quê?

O país?

Ou o controle sobre ele?

O governo do Luiz Inácio Lula da Silva pode até ser alvo de críticas — e deve ser. Democracia é isso.

Mas o que se vê hoje não é fiscalização.

É disputa por poder em estado bruto.

E há um detalhe que parece escapar a alguns: esse não é um governo qualquer.

É um governo que já enfrentou crises muito maiores, pressões muito mais pesadas e, inclusive recentemente, lidou com tensões externas relevantes — como o chamado “tarifaço” promovido por Donald Trump — sem se curvar.

Ou seja: se não cedeu lá fora, não será aqui dentro que vai se ajoelhar.

A tentativa de impor submissão ao Executivo não é só um erro político.

É um erro de cálculo.

Porque enquanto o discurso fala em equilíbrio, a prática grita dependência.

Enquanto se fala em República, o método lembra outra coisa.

Não é sobre governar melhor.

É sobre mandar mais.

E quem paga essa conta?

Não é quem está nos gabinetes com ar-condicionado e orçamento na mão.

É o trabalhador que acorda cedo, o pequeno empresário sufocado, a dona de casa que faz milagre com o preço das coisas.

No fim, o jogo fica claro: não se trata de ideologia, nem de projeto de país.

Trata-se de poder.

E de quem acredita que pode exercê-lo sem limite.

A história política brasileira já mostrou como isso termina.

Mas, pelo visto, sempre tem quem ache que dessa vez vai ser diferente.

Não vai.

Edson Silveira

Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO

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