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terça-feira, maio 26, 2026
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Quem és tu, Pedro?

Por Roberto Kuppê (*)

O problema do MDB não é a falta de nome. É a falta de rumo. E a pré-campanha de Pedro Adib já começa revelando exatamente isso: um partido dividido entre a tentativa de vender renovação e a dificuldade de alinhar discurso, estratégia e liderança política.

As entrevistas recentes do jovem pré-candidato escancararam uma contradição difícil de explicar ao eleitor. Em Porto Velho, Pedro tratou de afirmar que sua pré-campanha seguiria um caminho próprio, sem depender diretamente da condução do senador Confúcio Moura ou da imagem do presidente Lula.

Mas bastou chegar ao interior, em municípios como Nova Mamoré, para o discurso mudar completamente. Lá, Pedro passou a citar obras, programas e ações construídas justamente pelo senador Confúcio e o governo Lula. A pergunta surge naturalmente: afinal, qual é a identidade dessa candidatura?

Porque política não suporta discurso confuso por muito tempo.

Pedro Adib aparece agora como “novidade” do MDB. Jovem, articulado, acadêmico, com discurso ensaiado de renovação. Mas renovação sem coerência vira apenas marketing eleitoral. Até poucos dias atrás, grande parte da população sequer sabia quem era Pedro Adib. Qual foi sua atuação popular? Qual movimento social liderou? Qual bandeira pública defendeu? Onde esteve nos grandes debates estaduais? São perguntas que começam a surgir no meio político — e que ainda não possuem respostas sólidas.

O mais delicado, porém, talvez seja a maneira como a pré-campanha tenta equilibrar independência política sem deixar claro o reconhecimento às lideranças que ajudaram a construir o MDB em Rondônia.

Gostem ou não dele, Confúcio Moura continua sendo a principal referência do partido no estado.

É natural que Pedro queira construir seu próprio espaço. Isso faz parte da política. Mas também é evidente que qualquer projeto do MDB passa inevitavelmente pela história e pelo peso político de Confúcio.

E o MDB parece ter cometido outro pecado clássico: lançou o candidato antes de prepará-lo. Pedro está andando o estado, concedendo entrevistas e tentando construir musculatura política sem ainda demonstrar leitura regional, maturidade eleitoral e unidade de discurso. Resultado: cada entrevista produz uma versão diferente do mesmo projeto.

Uma hora é o “novo MDB”.

Na outra, utiliza o legado histórico do partido para ganhar credibilidade.

Uma hora tenta enfatizar independência política.

Na outra, recorre às entregas e realizações das lideranças que abriram espaço dentro do próprio MDB.

Não existe candidatura competitiva baseada em sinais contraditórios.

Nos bastidores, a situação já provoca desconforto dentro do próprio partido. O sentimento é de que falta alinhamento político e preparo para uma disputa estadual tão complexa.

E aqui mora o maior desafio para Pedro.

Na política, juventude ajuda. Novidade ajuda. Comunicação ajuda.

Mas candidatura ao governo exige muito mais: coerência, preparo, identidade política e capacidade de reconhecer a própria base partidária.

Pedro quer parecer novo. Tudo bem.

Mas ainda precisa responder à pergunta que muitos rondonienses começam a fazer:

“Quem és tu?”

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político.

Coluna Zona Franca

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