Por Roberto Kuppê (*)
O amor contra armas e armações
“É o juizo final, a história do bem e do mal. Quero ter olhos pra ver a maldade desaparecer”. É disso que se trata. O bem contra o mal. O bom contra o mau. As duas campanhas são bem distintas. A de Lula mostra crianças com a Constituição Federal. A de Flávio, crianças com armas. Está difícil a escolha? As propostas de Lula são voltadas para a continuidade da melhoria de vida da população com mais investimentos em saúde, educação e segurança pública. A do outro, cortar investimentos exatamente nestas áreas e em programas sociais. O resultado será a volta da fila do osso. “Ah, eu vou manter todos os programas sociais de Lula”. Se vai manter é porque é bom. Se vai manter tudo, prá que votar em Flávio Bolsonaro? Continuemos com Lula que já provou que sabe governar por três vezes.
Resposta à Silvio Persivo
O professor e economista Silvio Persivo, que aportou em Rondônia com o ex-governador Jorge Teixeira, publicou um artigo no Facebook intitulado “O Brasil quer mudar por fadiga de material e pelos preços dos supermercados”. Segundo parte do texto “É risível o argumento de que a eleição de Flávio Bolsonaro traria Hitler ou Mussolini ao governo, ou faria as coisas piorarem. O povo já sente as duas coisas na pele. Basta entrar no supermercado, voltar do trabalho para casa ou precisar do sistema de saúde para constatar que, nos últimos quatro anos, tudo piorou”. O texto tem meias verdades. A inflação é uma das menores de todos os tempos. Pleno emprego e consumo em alta. Todo economista sabe que a alta procura (por alimentos) provoca aumento de preços. É a lógica. Problemas climáticos (como excesso de chuvas, secas ou frio fora de época) reduzem a colheita de itens de primeira necessidade, fazendo os preços subirem quando a quantidade disponível no mercado é menor que a demanda.
Resposta à Silvio Persivo 2
Este articulista respondeu ao ex-professor da Unir. “Meu caro amigo professor Silvio Persivo. Não se trata de uma disputa normal como se travava antes da era Bolsonaro. Trata-se da sobrevivência da democracia, que tanto lutamos para tê-la de volta. É nítido que Flávio Bolsonaro não deseja uma democracia, haja vista que anunciou mudanças na Constituição caso se eleja. “Redemocratizar” o quê? Não há o que redemocratizar. Não estamos numa ditadura. Ah, os alimentos estão caros? Isso não é motivo para mudança de regime político. A partir de janeiro os alimentos não terão tributos federais. Só continuarão o ICMS dos estados. Votar em Flávio é abonar a conduta criminosa dele. Não é possível que o eleitor (mais de 56 milhões) não tenham conhecimento das mazelas praticadas por Flávio. Impossível não saber. Essa candidatura lembra muito Fernando Collor que se elegeu prometendo combater a corrupção mas ao final, era o mais corrupto. Naquela época não tinha redes sociais. O povo votou às cegas. Mas, agora em 2026, não perdoo quem vota sabendo da verdade. Silvio, se puder, leia meu artigo: https://maisrondonia.com.br/eu-vejo-o-futuro-repetir-o-passado/“. Será que convenci?
Lute como uma mulher
Finalmente uma deputada estadual para ser a voz dos oprimidos, literalmente falando. A deputada estadual eleita Fátima Cleide (PT) já dá demonstrações a que veio. Lutar como uma mulher pelos direitos civis e humanos. É disso que se trata. Fátima tocou na ferida. Abordou recentemente sobre um tema perigoso. As abordagens truculentas das polícias militares de todo o Brasil, em especial, de Rondônia. Tocou na ferida e já recebeu nota de repúdio da PM de Rondônia. Fátima Cleide deve ter alguma razão senão não tocaria no assunto. Até porque ela tem filhos, netos e amigos negros que certamente, em algum momento sofreram abusos de autoridade.
Lute como uma mulher 2
Fátima Cleide ainda não assumiu o mandato de deputada estadual, mas já entrou em um debate que Rondônia precisa enfrentar: as mortes decorrentes de intervenções policiais, a proteção dos jovens das periferias e as condições de trabalho dos profissionais da segurança. Fátima Cleide fez o que se espera de uma parlamentar comprometida com a sociedade. Questionou, provocou discussão e colocou um problema na mesa. Para quem prefere uma Assembleia silenciosa e satisfeita com releases oficiais, deve ser um começo bastante desagradável.
Lute como uma mulher 3
O governo de Rondônia precisa compreender uma coisa elementar: fiscalizar a política de segurança pública faz parte da democracia. A Polícia Militar merece respeito. O governo merece cobrança. Confundir as duas coisas é muito conveniente para quem administra o orçamento e pretende escapar da responsabilidade pelos resultados.
Os números não cabem debaixo do tapete
Um levantamento baseado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, aponta que Rondônia passou de oito mortes decorrentes de intervenção policial, em 2024, para 47, em 2025. São 39 mortes a mais, um crescimento de 487,5%. Segundo a mesma análise, 46 dos casos de 2025 foram atribuídos a policiais militares em serviço. Esses números são apresentados aqui como informações do levantamento, sem conferência direta das tabelas originais do Anuário. É uma escalada que exige explicações. Os dados, isoladamente, não comprovam abuso em cada ocorrência. Mas tornam indispensável investigar as circunstâncias, avaliar os protocolos e esclarecer o que aconteceu. Com informações de Edson Silveira
Pesquisa BTG/Nexus
Divulgada nesta manhã, a pesquisa BTG/Nexus (íntegra) mostra, no voto espontâneo, Flávio Bolsonaro (PL) com 48%, contra 46% de Lula. Já no estimulado, Flávio tem 48% e Lula 45%. Ambos os resultados estão dentro da margem de erro de dois pontos. Sobre o comparecimento no segundo turno, 85% dos entrevistados já decidiram que irão votar, e 6% estão propensos a comparecer. Somente 4% estão inclinados ou decididos a não votar. Amanhã tem Quaest e quinta, Data Folha. (Meio)
TSE no centro das campanhas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi empurrado no feriadão para o centro de uma polêmica na campanha eleitoral por atos de seu presidente, o ministro Kassio Nunes Marques. No domingo, atendendo a um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele determinou a retirada do ar do canal no WhatsApp “Exército do Lula”, que já conta com 4 milhões de membros e foi criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suposta divulgação de notícias falsas. Ao fazer isso, Nunes Marques atropelou o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor do TSE e relator da ação de Flávio, que no sábado havia dado um prazo de 72 horas para que o senador prestasse novas informações. No início da noite de domingo, Cueva anulou a decisão de Nunes Marques, numa decisão classificada por Flávio como “complacência com fake news”. (UOL)
TSE no centro das campanhas 2
Na segunda-feira, Kassio Nunes Marques voltou à carga, determinando que a área técnica do TSE investigasse o “Exército de Lula” em busca das notícias falsas denunciadas pelo candidato do PL, mas os técnicos não encontraram esse conteúdo, embora apontassem “riscos eleitorais” e preocupação com a disseminação em massa de mensagens às vésperas do segundo turno das eleições. O presidente do TSE também tirou de circulação um jornal produzido pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo, Goiás e Distrito Federal, que comparou os programas de Lula e Flávio Bolsonaro. Questionado sobre o impasse, Lula criticou as decisões, dizendo que o presidente do TSE “não pode ter lado”. Nunes Marques e André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral, foram indicados ao STF por Jair Bolsonaro. (g1)
TSE no centro das campanhas 3
Com a polêmica e sob a acusação de falta de isonomia no TSE, Nunes Marques convocou para hoje uma reunião com representantes das campanhas de Lula e de Flávio. Desde 5 de outubro, o tribunal recebeu ao menos 85 ações com pedidos de remoção de conteúdos produzidos pelo adversário. Levantamento do UOL aponta que as decisões da Corte eleitoral são mais rápidas em favor de Flávio Bolsonaro do que de Lula. (UOL)
TSE no centro das campanhas 4
A sequência de decisões de Nunes Marques provocou incômodo em uma ala de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores, eles avaliam que o presidente da Corte está engajado na campanha de Flávio Bolsonaro. Em agosto, o ministro foi criticado por censurar uma pesquisa Atlas/Bloomberg apontando a queda do candidato do PL após a divulgação de que ele pediu dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. (Folha)
Nunes Marques e Vorcaro
E deputados do PT encaminharam ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido de investigação de Nunes Marques por suposto envolvimento com o escândalo do Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. (CNN Brasil)
Padroeira do Brasil
Transformada em tema de campanha pelo boato de que seria destituída do posto de Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida foi disputada em seu feriado pelos dois candidatos ao Planalto. O presidente Lula (PT) participou pela manhã de uma missa na capela do Palácio da Alvorada e defendeu o respeito às religiões. “Este pequeno ato religioso que nós fizemos aqui. Sobretudo em um instante em que Nossa Senhora é ofendida por alguns religiosos que não sabem respeitar a religião dos outros”, disse Lula. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é evangélico, compareceu à Catedral de Brasília acompanhado da esposa e do candidato a vice, Alfredo Gaspar. “Hoje é só para agradecer a Deus, agradecer a todo mundo que está orando, que está rezando pelo nosso Brasil”, disse o candidato. (g1)
Fandoms
Composta principalmente por jovens, uma manifestação de apoio a Lula ocupou no domingo doze quarteirões da Avenida Paulista, no Centro de São Paulo. Acompanhado do vice Geraldo Alckmin, de governadores, parlamentares e aliados, o presidente pediu um esforço à militância para convencer quem não compareceu no primeiro turno a votar no segundo. Uma novidade na manifestação foi o trabalho pesado dos “fandoms” — grupos de fãs de diferente artistas — para arregimentar participantes, a ponto de Lula dedicar o primeiro agradecimento “aos fandoms do Brasil”. Após o evento, Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, divulgaram um vídeo fake associando a manifestação ao uso de drogas, mas a imagem seria de fora do Brasil. A campanha do PT acionou o TSE, que determinou a retirada do vídeo. (UOL)
Sem drones
Por determinação da Presidência da República, o sobrevoo de drones durante o ato na Paulista foi proibido. Com isso, o Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, do Cebrap e da More in Common Brasil, não pôde calcular o número de participantes. Segundo as entidades, é o terceiro ato de campanha de Lula com veto a drones. (Folha)
Sem áudio
Uma falha no carregamento das propagandas eleitorais nesta segunda-feira deixou sem áudio o vídeo de Flávio Bolsonaro. De acordo com o TSE, tanto o vídeo do senador quanto o do presidente Lula (PT) subiram sem a faixa de som, mas como a propaganda do petista foi exibida depois, houve tempo hábil para identificar e corrigir o problema. (CNN Brasil)
Síndrome de Yoko Ono
Mariliz Pereira Jorge: “Depois de um primeiro turno arrasador para a direita, parte da esquerda achou uma culpada para os tropeços do governo: a primeira-dama. A ex-senadora Kátia Abreu reclamou do espaço que Janja ocupa no Planalto, mas o movimento para culpá-la pela paralisia da articulação política, pela comunicação falha e pelo distanciamento do PT do eleitor da periferia é a versão brasileira da velha ‘Síndrome de Yoko Ono’. O que essa narrativa faz? Infantiliza Lula”. (Meio)
Flávio autorizado
O ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe e que está em prisão domiciliar. Na decisão, entretanto, Moraes mantém a proibição de ações político-eleitorais e a divulgação, inclusive por terceiros, de manifestos e declarações do ex-presidente. As visitas estavam suspensas desde julho, após Flávio divulgar nas redes uma carta do pai. O senador diz que pretende fazer a primeira visita ainda nesta terça-feira. (Poder360)
A tentativa de golpe
Jair Bolsonaro não levou a cabo sua tentativa de golpe de Estado porque os comandantes do Exército e da Aeronáutica se recusaram a aderir à trama, como foi relatado no julgamento no STF. Agora, conta Marcelo Godoy, os generais acreditam que, caso seja eleito, Flávio Bolsonaro terá uma postura mais moderada, sem buscar vingança contra os militares que não apoiaram a trama golpista. (Estadão)
6×1: PL estuda liberar bancada
O PL estuda liberar sua bancada no Senado para a votação da PEC que substitui a escala de trabalho 6×1 pela 5×2, no que deve ser seguido por outros partidos de oposição ao governo. A informação é do senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do bloco de oposição da Casa. A previsão é de que a primeira votação aconteça na quarta-feira e que a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), apresente um requerimento para que a segunda votação aconteça em seguida. A coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro — que critica a mudança na escala e defende o pagamento por hora — preferia a abstenção, mas os senadores do PL acham melhor se posicionar sobre o tema, uma das bandeiras do presidente Lula. (Globo)
Leão XIV
O papa Leão XIV, de 71 anos, anunciou no domingo que será submetido a uma cirurgia hoje após a descoberta de um nódulo em seu pulmão durante um exame médico. “O nódulo está em estágio inicial e bem localizado no meu pulmão”, disse ao público ao final de sua bênção dominical, na Praça de São Pedro, em Roma. A comunicação demonstra um nível incomum de transparência por parte do papa. Por séculos, a Igreja guardou a saúde dos pontífices com sigilo. (Estadão)
Cultura
O Festival do Rio premiou em sua edição de 2026 A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias. A obra foi escolhida como melhor longa nacional de ficção. Ambientado em Recife, o filme levou ainda o Prêmio Felix, destinado a produções LGBTQIA+. O enredo fala de um rapaz que passa a noite em busca de encontros com outros homens em manguezais da cidade. Já Elza, de Eryk Rocha, recebeu o prêmio de melhor documentário por retratar a vida da cantora Elza Soares, morta há quatro anos. O documentário mescla a própria voz da artista com arquivos históricos. (Folha)
Breakfast
Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e do Brasil.
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político, com informações do Canal Meio
Contato: [email protected]
O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Mais RO não tem responsabilidade legal pela opinião, que é exclusiva do autor.




