A candidata indígena ao Senado Federal por Rondônia pelo PSB, Neidinha Suruí, denunciou estar sofrendo pressões políticas e afirmou que não pretende abrir mão de sua candidatura. Segundo a manifestação divulgada pela candidata, haveria uma articulação para pressionar candidaturas já aprovadas em convenção partidária.
Neidinha declarou que permanecerá firme na disputa e que, caso as pressões continuem, pretende recorrer às autoridades competentes, incluindo a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral.
Assista o pronunciamento da candidata ao Senado Federal por Rondônia, Neidinha Suruí (PSB): https://www.instagram.com/reel/DcCXkgNv0Jb/?igsh=NzFoZnUxb3NvdDgz
O episódio também levantou um debate sobre violência política de gênero, especialmente diante da participação de uma mulher indígena em uma disputa eleitoral por um dos cargos mais importantes da República.
A pressão política, por si só, faz parte das disputas eleitorais e das negociações partidárias. No entanto, práticas de intimidação, constrangimento ou tentativa de silenciamento, quando comprovadas, ultrapassam os limites do debate democrático e podem exigir investigação e responsabilização.
A situação ganha ainda mais relevância porque Neidinha Suruí representa a presença indígena na política institucional de Rondônia. Mulheres indígenas historicamente enfrentam obstáculos adicionais para ocupar espaços de poder e decisão, e a disputa eleitoral deve garantir a elas as mesmas condições de participação, liberdade e segurança asseguradas aos demais candidatos.
“Mulheres indígenas também têm direito de disputar eleições, ocupar espaços de decisão e permanecer na política sem serem empurradas para fora dela”, destaca a manifestação.
A defesa da candidatura, portanto, não se resume a uma disputa individual. Coloca em discussão o próprio direito de participação política de mulheres, povos indígenas e diferentes grupos sociais em uma democracia plural.
Neidinha Suruí mantém sua candidatura ao Senado Federal e afirma que não aceitará ser retirada da disputa por meio de pressões ou constrangimentos. O caso deverá ser acompanhado pelos órgãos de fiscalização e pela Justiça Eleitoral, especialmente se forem formalizadas denúncias e apresentados elementos que comprovem eventuais práticas de violência política.
Democracia não é escolher quais vozes podem permanecer. É garantir que todas possam participar em condições de liberdade, respeito e segurança.



