A convenção da Federação Brasil da Esperança mostrou que a esquerda chegou organizada para disputar Rondônia
Há convenções partidárias que apenas cumprem uma formalidade exigida pela legislação eleitoral. E há convenções que mudam o ambiente político, reorganizam expectativas e demonstram capacidade de construir um projeto de poder. Na opinião deste articulista, foi exatamente isso que aconteceu com a histórica convenção da Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, PCdoB e PV, juntamente com a Federação PSOL/REDE.
O encontro não apenas homologou as nominatas de candidatos a deputado estadual e deputado federal. Fez algo muito mais importante: apresentou ao povo de Rondônia uma alternativa política consistente, unificada e preparada para disputar o futuro do Estado.
A coligação aprovou a candidatura de Expedito Neto (PT) ao Governo de Rondônia, tendo como candidato a vice-governador o Dr. Teodoro (PSOL), composição que simboliza a convergência entre forças progressistas comprometidas com a democracia, a justiça social, o desenvolvimento sustentável e a reconstrução do Estado.
Entretanto, foi na definição da chapa ao Senado Federal que a convenção reservou sua maior surpresa.
Em uma reviravolta política que poucos previam, a convenção homologou os nomes de Luciana Oliveira (PT) e Aires (PV) como candidatos ao Senado Federal, demonstrando que a Federação Brasil da Esperança optou por construir uma chapa própria, competitiva e plenamente identificada com o projeto nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na política, decisões como essa não acontecem por acaso.
Elas revelam confiança, amadurecimento e, sobretudo, disposição para apresentar ao eleitorado candidaturas capazes de defender Rondônia sem abrir mão dos princípios que historicamente orientam os partidos que compõem esse campo democrático.
Outro aspecto que merece destaque foi o ambiente político da convenção.
A presença do pré-candidato ao Senado Acir Gurgacz (PDT) e do senador Confúcio Moura (MDB) conferiu grande significado institucional ao evento. Mais do que prestigiar uma convenção, suas presenças demonstraram respeito ao diálogo democrático e reconheceram a importância política que a Federação Brasil da Esperança conquistou no cenário eleitoral de Rondônia.
Quem esteve presente percebeu algo impossível de ser reproduzido por pesquisas eleitorais.
Havia entusiasmo.
Havia organização.
Havia confiança.
E, acima de tudo, havia militância.
Uma militância consciente de que eleição não se vence apenas com estruturas financeiras ou marketing sofisticado. Eleição também se conquista com trabalho coletivo, presença nas ruas, diálogo permanente com a população e defesa coerente de um projeto político.
As nominatas proporcionais aprovadas pela convenção refletem exatamente essa diversidade. Lideranças sindicais, representantes dos trabalhadores urbanos e rurais, professores, servidores públicos, mulheres, juventude, movimentos sociais e lideranças comunitárias passam a integrar um projeto que busca fortalecer as bancadas progressistas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Na minha avaliação, a convenção também produziu um efeito político imediato: consolidou a percepção de que a esquerda chega às eleições de 2026 muito mais organizada do que muitos adversários imaginavam.
Durante meses tentou-se construir a narrativa de divisão, isolamento e fragilidade. A convenção respondeu com unidade, organização e capacidade de mobilização.
A resposta veio na prática.
Vieram centenas de militantes.
Vieram lideranças de diferentes partidos.
Vieram candidatos preparados.
Veio um programa político.
Veio uma chapa completa.
E veio, principalmente, a disposição de enfrentar democraticamente o debate eleitoral.
A partir de agora, inicia-se uma nova etapa.
Chega o momento de transformar entusiasmo em votos, organização em crescimento eleitoral e esperança em vitória.
Na opinião deste autor, Rondônia assistiu neste fim de semana ao nascimento de uma das mais importantes frentes políticas dos últimos anos.
A Federação Brasil da Esperança e a Federação PSOL/REDE demonstraram que pretendem disputar cada município, cada bairro e cada comunidade, levando ao eleitorado um projeto conectado ao desenvolvimento regional e às políticas públicas implementadas pelo governo do presidente Lula.
A militância deixou a convenção energizada.
Saiu convencida de que é possível reeleger Lula, eleger Expedito Neto governador, conduzir Luciana Oliveira e Aires ao Senado Federal e construir fortes bancadas de deputados estaduais e federais comprometidas com Rondônia.
Como militante, vejo nesta convenção muito mais do que o lançamento de candidaturas.
Vejo o início de uma caminhada coletiva.
E toda grande caminhada começa exatamente assim: com coragem, unidade e esperança.
Por Edson Silveira
Advogado, administrador, professor e militante do PT/RO



