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quinta-feira, fevereiro 26, 2026
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Bancada das Travas: Pré-candidatas trans e travestis miram eleição para a Câmara dos Deputados

Depois de conquistar votações expressivas nas disputas estaduais e municipais, pré-candidatas trans e travestis querem acabar com a falta de representatividade no Congresso Nacional. Mas para isso, não basta lançar candidaturas trans, na opinião de Robeyoncé Lima. “É preciso que os partidos considerem o potencial dessas candidaturas na hora de distribuir recursos, de garantir nossa segurança durante a campanha.”

Por Mariama Correia

Robeyoncé Lima foi a primeira deputada estadual trans eleita em Pernambuco

“A gente tem as bancadas da Bíblia, do boi e da bala. 2022 vai ser o ano de compor a primeira bancada de depuTRAVAS do Brasil no Congresso Nacional”, afirma Robeyoncé Lima, pré-candidata à deputada federal pelo PSOL, em Pernambuco. Travesti, negra e nordestina, ela foi a primeira deputada estadual trans eleita no estado por mandato coletivo, em 2018. Agora, a advogada está entre as pré-candidaturas que pretendem acabar com a ausência de pessoas trans e travestis na Câmara dos Deputados.

Muitas dessas pré-candidaturas são de pessoas que tiveram votações expressivas nas disputas estaduais e municipais de 2018 e de 2020. Segundo a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), 30 pessoas trans saíram vitoriosas do pleito em 2020, quando o Brasil registrou recorde de LGBTQIAP+ eleitas.

Erica Malunguinho foi a primeira travesti eleita deputada federal em São Paulo

Este ano, Robeyoncé Lima, Erica Malunguinho e Erika Hilton — parlamentares trans do PSOL, em exercício de mandato — já anunciaram que estarão na corrida por vagas na Câmara dos Deputados. Outros nomes como Paula Benett, que já foi candidata à deputada distrital pelo PSB e continua no partido, e Ariadna Arantes, influenciadora digital e ex-BBB estreante na política e filiada recentemente ao PSB, também já se lançaram na disputa.

Erika Hilton é a primeira mulher travesti eleita como vereadora em São Paulo, sendo a vereadora mais votada do país

Em 2018, Paula Benett (foto da capa) teve que abdicar de sua candidatura à deputada federal por costura de coligações. Este ano, ela foi demitida sem aviso prévio de um cargo de coordenação de políticas LGBT no Distrito Federal, uma semana antes do Dia Nacional da Visibilidade Trans, em 29 de janeiro. “Estava preparando uma cerimônia para a data. Foi um desrespeito ao meu trabalho, minha trajetória.” Ela vê o lançamento da sua pré-candidatura agora como “uma questão de reparação”. “A gente precisa ocupar cada vez mais espaços exigindo mais direitos para a população trans, LGBTQIAP+, para mulheres, pessoas negras, por toda a população, mas enxergando todos os grupos e identidades. Sendo eleitas ou não, já abrimos o caminho.”

Como as costuras políticas ainda estão sendo consolidadas, outros nomes devem surgir até o prazo de registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em agosto, explica Bruna Benevides, diretora da Antra, que acompanha as candidaturas desde 2014. “O que já podemos afirmar é que a crescente participação de pessoas trans e travestis na política institucional não é um fenômeno, mas a consolidação de um projeto político do movimento trans, que vem sendo desenvolvido há anos.”

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