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quinta-feira, abril 23, 2026
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Marcos Rogério emplaca assessor na diretoria da ANEEL

Bolsonaro indica amigo de Flávio e outros 20 para agências e autarquias

Fernando Luiz Mosna Ferreira Da Silva, será um dos novos diretores da ANEEL. Ele é assessor do senador Marcos Rogério  (PL-RO), e procurador federal. No gabinete ele exercia a função de Assessor Parlamentar Júnior com salário de R$ 7.157,75.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou 21 nomes para as cúpulas das agências reguladoras e das autarquias federais, entre eles um advogado amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além do chefe de gabinete do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Também sugeriu a aprovação a estes órgãos de assessores de ministros do governo e do senador Marcos Rogério (PL-RO), aliado de Bolsonaro no Congresso.

As sugestões são para compor a ANP, ANS, Antaq, ANTT, ANA, Anvisa, ANM, Cade, CVM e Aneel (veja lista abaixo). Estes nomes serão sabatinados no Senado e foram divulgados em publicação desta segunda-feira (4) no Diário Oficial da União.

Bolsonaro também pediu a retirada da tramitação de quatro indicações feitas nos meses anteriores. Em dois casos estes nomes foram sugeridos, na mesma publicação, para outras vagas em agências.

O advogado João Pedro Barroso do Nascimento, indicado a presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), é amigo de infância do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O nome sugerido para a autarquia foi citado por Flávio em um projeto de lei apresentado em 2020 sobre a realização de assembleias de acionistas e reuniões de sócio com voto e participação a distância.

Nascimento é doutor em direito comercial pela USP, professor na FGV e sócio do escritório JPN Advogados. Procurado, disse que “não integra nenhum partido político, não tem pretensão política e está indo desempenhar um trabalho técnico, livre de qualquer conflito”.

A CVM atua em processos que envolvem o governo Bolsonaro. Na semana passada, o órgão decidiu abrir investigação sobre a divulgação da troca no comando da Petrobras.

O advogado Victor Oliveira Fernandes, atual chefe de gabinete do ministro Gilmar Mendes, do STF, foi indicado a conselheiro do Cade. Ele é doutor em direito pela USP e leciona no IDP.

Já Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva, assessor do senador Marcos Rogério (PL-RO) e procurador da AGU, foi indicado a diretor da Aneel.

Bolsonaro também sugeriu o advogado Robson Crepaldi, hoje assessor na Casa Civil, ao cargo de ouvidor da ANTT. Crepaldi fez publicações, nas redes sociais, com críticas ao STF, em defesa do “kit Covid” e se referindo à Covid-19 como “vírus chinês”.

Daniel Meirelles, advogado e assessor especial do ministro Marcelo Queiroga (Saúde), estava indicado para a ANS. Bolsonaro sugeriu que ele seja, agora, sabatinado para a Anvisa.

Em 2020, quando era diretor-adjunto na ANS, Meirelles participou do processo de contratação para a agência de uma filha de Braga Netto, ex-ministro da Defesa e possível candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro.

Após repercussão negativa, o processo de contratação foi interrompido. O Sinagências (Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação) havia questionado o governo sobre possível nepotismo cruzado. Isso porque Meirelles ainda é irmão de Thiago Meirelles, à época secretário-executivo da Casa Civil, pasta que estava sob comando de Braga Netto e que daria aval à contratação.

Já para o cargo de procuradora-chefe do Cade foi indicada a advogada Juliana Oliveira Domingues, atual assessora especial do ministro da Justiça, Anderson Torres. Ela é doutora em direito, professora da USP e atuou como Secretária Nacional do Consumidor de agosto de 2020 até março de 2022.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já afirmou que deseja pautar a sabatina das indicações às agências nos próximos dias. Primeiro os nomes são submetidos aos senadores de comissões temáticas. Depois o plenário também vota a indicação.

O presidente Bolsonaro tem feito críticas sobre a atuação das agências. Ele afirma que em alguns casos estes órgãos têm mais força do que os ministérios.

“Está lá para criar dificuldade, vender facilidade”, disse o presidente no último dia 31.

O presidente ainda afirmou que há pedidos para indicações de diretores, mas não citou quais grupos fazem esta pressão. “Querem as agências? Assinem embaixo que a indicação é tua. Muita gente nem sabe o que é uma agência. Pode muito mais do que o próprio ministro”, declarou.

Bolsonaro ainda ameaçou, em dezembro de 2021, expor nomes de servidores da Anvisa que aprovaram o uso da vacina da Pfizer para crianças.

O presidente ainda fez duas indicações para o comando de agências reguladoras. A sugestão é que Mauro Henrique Moreira Sousa assuma a chefia da ANM, que regula o setor de mineração, e que Saldoval de Araújo Feitosa Neto ocupe a presidência da Aneel, ligada ao setor elétrico.

O presidente também apontou nome para os cargos de ouvidor da ANTT e de procuradora-chefe do Cade.

Sem diretores titulares, algumas agências atuam desfalcadas.

A ANS, que regula o mercado de planos de saúde, tem três diretores efetivos e atua com o quórum mínimo. A agência chegou a operar com apenas um titular e três diretores substitutos durante a pandemia.

INDICAÇÕES ÀS AGÊNCIAS E AUTARQUIAS

ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico)

Ana Carolina Argolo Nascimento de Castro, para o cargo de diretora
Maurício Abijaodi Lopes de Vasconcellos, para o cargo de diretor

ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)

Symone Christine De Santana Araujo, para ser reconduzida ao cargo de diretora
Cláudio Jorge Martins De Souza, para o cargo de diretor
Daniel Maia Vieira, para o cargo de diretor

ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)

Jorge Antônio Aquino Lopes, para o cargo de diretor; ele já estava indicado a uma vaga da direção da agência

Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários)

Wilson Pereira de Lima Filho, para o cargo de diretor

ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres)

Luciano Lourenço Da Silva, para o cargo de diretor

Robson Crepaldi, para o cargo de ouvidor

Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

Daniel Meirelles Fernandes Pereira, para o cargo de diretor; ele estava indicado à direção da ANS

ANM (Agência Nacional de Mineração)

Mauro Henrique Moreira Sousa, para o cargo de diretor-geral

Roger Romão Cabral, para o cargo de direto

Tasso Mendonça Junior, para cargo de diretor

Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)

Juliana Oliveira Domingues, para o cargo de procuradora-chefe

Victor Oliveira Fernandes, para o cargo de conselheiro

CVM (Comissão de Valores Mobiliários)

João Pedro Barroso do Nascimento, para o cargo de presidente

Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)

Sandoval de Araújo Feitosa Neto, para o cargo de diretor-geral
Hélvio Neves Guerra, para a recondução ao cargo de diretor
Ricardo Lavorato Tili, para o cargo de diretor
Fernando Luiz Mosna Ferreira Da Silva, para o cargo de diretor
Agnes Maria De Aragão Da Costa, para o cargo de diretora

 

Mateus Vargas/Folhapress

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