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quarta-feira, maio 13, 2026
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Em Rondônia, campo minado para petistas, bolsonaristas brigam entre si

Por Roberto Kuppê (*)

Em Rondônia o cenário é totalmente diferente da realidade nacional. Não há para onde correr. O campo é minado para petistas. Bolsonaro obteve quase 70% dos votos no estado, elegendo dois candidatos bolsonaristas para o segundo turno. Rondônia vai continuar nas mãos de um bolsonarista, hoje ocupado pelo governador  coronel Marcos Rocha (União Brasil). Empatados literalmente com 45% cada um, o atual governador e o senador Marcos Rogério (PL) são evangélicos e seguidores de Jair Bolsonaro que concorre à reeleição.

As campanhas dos dois candidatos bolsonaristas estão marcadas por acusações mútuas. Embora evangélicos, os dois candidatos usam e abusam da violência verbal, e até física, tendo notícias de atentados à bala ultimamente.

Rondônia, um dos estados da Amazônia que mais desmata, mais ocorrem queimadas e assassinatos de ativistas, continuará sob o comando da extrema direita que não tem a mínima preocupação com o meio ambiente e com a defesa das populações indígenas.

Rondônia é do agronegócio. Esse negócio de preservação do meio ambiente é assunto proibido por lá. Como se um meio ambiente protegido não fosse necessário para o agronegócio que necessita, sobretudo, além de terras férteis, de água em abundância.

A área desmatada em Rondônia bateu recordes negativos em 2021 e se tornou a maior dos últimos 10 anos. Os dados são do relatório divulgado nesta semana pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O levantamento analisou a situação dos estados da Amazônia Legal e indicou que 2021 foi o “pior ano de uma década” não só para Rondônia, mas para toda a floresta amazônica. Ao todo, foram destruídos 10.362 km² de mata nativa.

Rondônia ocupa a quarta posição no ranking dos nove estados mais desmatados em 2021, com uma destruição de 1.290 km².

E, apesar disso, esse tema não entra nos planos de governos dos candidatos bolsonaristas. A ordem é expandir a fronteira agrícola, desmatar, invadir terras indígenas e degradar o meio ambiente. O futuro da floresta em Rondônia é o pior possível, seja mantendo o atual governo como elegendo Marcos Rogério. Não tem para onde correr.

Ativistas e indígenas são alvos favoritos de pistoleiros contratados por grileiros de terras. Nunca se matou tantos ativistas e indígenas nos últimos quatro anos em Rondônia. E vai piorar se Bolsonaro se reeleger.

Se depender das bancadas federal e estadual de Rondônia, o meio ambiente não terá proteção nos próximos quatro anos. Nenhum progressista eleito para a Câmara Fedetal. Nenhum indígena eleito. Apenas uma deputada estadual do PT foi eleita em 2 de outubro: Cláudia de Jesus. Uma mulher no meio de pecuaristas, grileiros de terras e desmatadores.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

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