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quarta-feira, maio 13, 2026
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Bolsonaro vai encerrar a carreira política de forma vergonhosa e melancólica

Por Roberto Kuppê (*)

Talvez Bolsonaro não esperasse que sua última jogada fosse prosperar, mas, sem dúvida, ele não esperava que o desfecho fosse tão pesado contra ele. No dia 22, ele fez o último movimento para tentar melar as eleições de 2022, ao entrar com ação pedindo a anulação de 59% das urnas usadas no segundo turno sem embasamento em fatos. Meio que entrando no jogo, o ministro presidente do TSE, Alexandre de Moraes disse, “ok, então vamos incluir o primeiro turno também, porque eleição é só uma, embora em dois turnos”. Valdemar da Costa Neto, presidente do PL e menino de recado de Bolsonaro, disse “não, só o segundo turno mesmo para não tumultuar as eleições”. Então Xandão, como é chamado, disse “nada disso, ou é calça de veludo ou bunda de fora”.

Xandão multou os partidos da coligação (PL, PP e Republicanos) no valor de R$ 22,99 milhões, pois entendeu que a finalidade da iniciativa foi “tumultuar o próprio regime democrático brasileiro”, inflamando atos golpistas pelo país.

Liderada pelo presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, a pedido de Bolsonaro, a ação usou a justificativa mentirosa de que urnas produzidas antes de 2020 não poderiam ser auditadas. Na decisão desta quarta, Moraes afirmou que os argumentos apresentado são “absolutamente falsos, pois é totalmente possível a rastreabilidade das urnas eletrônicas de modelos antigos”.

Ele também ordenou o bloqueio dos fundos partidários, bem como a suspensão de novos repasses até que o valor seja depositado em conta judicial. Como fundos partidários não podem ser usados para pagar esse tipo de multa, o bloqueio é uma forma de Moraes pressionar as agremiações para buscar recursos a fim de quitar as multas. Sem o bloqueio, poderiam ignorar a decisão, ficando no “devo não nego, pago quando puder”.

A questão é que Valdemar da Costa Neto prometeu pagar um salário (fala-se em algo entre R$ 33 mil e R$ 39 mil mensais) a Bolsonaro como presidente de honra do PL, além de custeio de estrutura e advogados – assessoria que ele certamente vai precisar.
O partido analisava duas formas de fazer isso: através de doações de militantes e via fundo partidário.

Se o bloqueio do fundo não for suspenso e se os partidos não pagarem a multa, o PL terá que, obrigatoriamente, passar o chapéu a empresários bolsonaristas a fim de custear o salário do futuro ex-presidente. Vale lembrar que, como muitos financiaram atos golpistas em rodovias, eles estão na mira da Justiça, que já pediu o bloqueio de suas contas.

E vem mais BO pela frente. O ministro Luís Roberto Barroso (aquele do “perdeu, mané”) está preparando uma artilharia pesada contra o Bolsonaro após ele deixar de ser Presidente. Está sendo preparado um desdobramento da CPI da Covid que muitos falaram que acabou em pizza. Não acabou não. Se prepare, Bolsonaro pode ser preso ainda no primeiro semestre de 2023.

E se Bolsonaro for preso, o que é pule de dez, caberá ao Valdemar da Costa Neto cuidar dos interesses do então ex-presidente, dentre eles, da futura ex-primeira dama, Michele Bolsonaro.

Será um encerramento de carreira vergonhoso e melancólico. O “mito” não passou de uma farsa, de uma personagem criada para parecer um líder político, que no primeiro revés, se recolheu, chorou e se negou a reconhecer a derrota. Bolsonaro deixará o Palácio do Planalto pelas portas dos fundos, diferentemente de Dilma Rousseff, que mesmo golpeada pelas costas, desceu a rampa de cabeça erguida afirmando: “Nós voltaremos”. E voltará mesmo através de Lula, em 1 de janeiro de 2023.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

Com informações de Leonardo Sakamoto

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