Por Roberto Kuppê (*)
Desde o começo de 2020, o governo federal já liberou mais de R$ 50 bilhões de reais por meio do orçamento secreto. Como o mecanismo é feito para blindar a identidade dos deputados e senadores que indicam as verbas, é impossível saber com certeza quem indicou o quê. Mas um levantamento parcial, feito a partir de informações prestadas pelo Congresso ao Supremo Tribunal Federal, mostra que um pequeno grupo de caciques do Centrão é o grande beneficiado pelo mecanismo: ao menos 17 congressistas definiram o destino de mais de R$ 100 milhões cada um.
Dentre eles, segundo apurou reportagem do Estadão publicada ontem,7, o senador Marcos Rogério (PL-RO), integrante da “tropa de choque” do governo Bolsonaro na CPI da Covid, admitiu ter apadrinhado R$ 184,1 milhões.

Talvez seja por isso que ele continue sendo fiel ao futuro ex-presidente, demonstrando essa fidelidade canina ao votar contra a PEC da Transição – continuidade do auxílio Brasil que voltará a se chamar Bolsa Família a partir da posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na sua justificativa, Marcos Rogério que foi derrotado nas eleições de 2022 para governador de Rondônia, disse que votou contra porque a PEC da Transição seria prejudicial à economia do Brasil no futuro. Ele não levou em consideração o presente, quando mais de 30 milhões de brasileiros passam fome. Além do mais, a PEC cobrirá também o rombo deixado por Bolsonaro na saúde e na educação, com cortes orçamentários terríveis. O voto de Marcos Rogério contra o Bolsa Família é tão perverso quanto as atitudes de Bolsonaro durante a pandemia, que estão fresquinhas na mente das pessoas. Lembrando que esse senador apelou para que a oposição votasse as medidas econômicas propostas pelo governo para amenizar as consequências da pandemia. O PT, por exemplo, votou favorável à todas as medidas impostas, mesmo sendo oposição à Bolsonaro.
Além de perverso, o voto de Marcos Rogério demonstra mesquinhez e insensibilidade para com os pobres. Na verdade, R$ 600 reais é uma ninharia, significando apenas R$ 20 por dia, que mal dá para comprar uma cartela de ovos. Hoje, com o corte de verbas para a saúde, a população carente tem que se virar para comprar remédios se quiser ficar vivo. É uma total falta de humanidade. Em 2026 Marcos Rogério deverá sair candidato à reeleição. Lembrem-se disso.
(*) Roberto Kuppê é jornalista articulista político



