Por Roberto Kuppê (*)
Em janeiro de 2019, ao assumir o governo, Bolsonaro discursou: “As minorias devem se curvar à maioria”. E foi assim os quatro anos de governo, com o povo subjugado. Ontem, 1 de janeiro de 2023, ao reassumir o governo pela terceira vez, Lula subiu a rampa do Planalto com as minorias e recebeu a faixa do povo. O significado disso não vai caber em nenhum livro de história, só no coração do povo.
No momento em que o petista chegou ao topo da rampa ao som de “Trenzinho caipira”, de Heitor Villa Lobos, com o cacique Raoni, a catadora de recicláveis Aline Sousa, o operário Weslley Rodrigues, o professor Murilo de Quadros, a cozinheira Jucimara dos Santos, o artesão e militante Flávio Pereira, o influenciador que teve uma paralisia cerebral Ivan Baron e Francisco, de dez anos, morador da Zona Leste de São Paulo, houve mais do que uma comoção. Ocorreu uma catarse.
Não é preciso explicar o que significa a imagem de pessoas comuns levando Lula para dentro da sede do Poder Executivo depois de quatro anos em que os brasileiros mais humildes passaram ao largo das preocupações do ex-presidente da República.
O fato de que o ex-presidente não entregou a faixa e o resultado foi muito melhor do que se tivesse entregue, é uma metáfora do que nos espera. Você pode não gostar de Luís, mas vai descobrir que sem Jair, a vida é muito melhor.
Cabe ressalvar que a ideia da entrega da faixa pelo povo pode ter sido acatada pela primeira dama Janja Lula da Silva, a partir do envio por este que vos escreve, da sugestão do poeta Augusto Branco, de Rondônia, no dia 2 de dezembro quando surgiu o impasse de quem entregaria o artefato mais simbólico da República do Brasil.
Na sugestão que entregamos ao assessor de imprensa de Lula, José Chrispiniano, através do Whatsapp, Augusto Branco anotou: “Selecione ao menos 26 personalidades (01 de cada Estado). Estas pessoas ficarão perfiladas na rampa, vestidas com trajes típicos de seus Estados. Daí elas começam a passar a faixa uma para a outra, até chegar no nosso presidente. Será o povo entregando a faixa para o Lula. Agradeço se puder fazer isso chegar à Janja”. Assim foi feito e parte da sugestão foi acatada. É nóis na fita! KKKKK
Voltando à posse, notamos o quão diferente é a composição do ministério de Lula em relação ao de Bolsonaro que saiu pelas portas dos fundos do Palácio do Planalto e está foragido da justiça nos Estados Unidos. Fotografia resgatada dos ministros de Bolsonaro, confrontada com os de Lula, nota-se muita diversidade, sobretudo a presença marcante de mulheres e negros, além de LGBTs.
Lula teve a presença de quatro vezes o número de enviados estrangeiros à sua posse do que o antecessor. E pelo menos o dobro de pessoas prestigiaram a posse de Lula em relação ao número de pessoas que Bolsonaro levou para o 7 de Setembro de 2021. Enfim, Lula não só subiu a rampa como já começou a governar, ao contrário do que previram pastores evangélicos e videntes de quinta categoria.
De cara, revogou dezenas de decretos de Bolsonaro, se destacando o que flexibilizava a compra e o uso de armas de fogo. Também revogou decretos que permitiam a invasão de terras indígenas, desmatamento e garimpo ilegal. Lula também quebrou os sigilos de 100 anos decretados por Bolsonaro para esconder suas mazelas.
Hoje é outro dia e já nasceu feliz.
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político
Com informações de Eduardo Sakamoto



