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quarta-feira, maio 13, 2026
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Nikolas Ferreira, o sepulcro caiado da política brasileira: bonito por fora e vazio por dentro

Por Roberto Kuppê (*)

Este espaço não podia deixar passar batido as cenas grotescas e intempestivas protagonizadas por um grupo de parlamentares ontem, durante as posses dos deputados federais, em Brasília. Baixaria e falta de respeito com o mandatário maior do País, eleito legitimamente em 2022.

“Ai de vós, doutores da Lei e fariseus, hipócritas! Porque sois parecidos aos túmulos caiados: com bela aparência por fora, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e toda espécie de imundície!”.  Mateus 23:27. Sim, estamos falando do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), parlamentar eleito em 2022 com votação histórica, mais de 1,5 milhões de votos.

Nikolas que é evangélico, tornou-se vereador em 2020 surfando na onda do bolsonarismo tecendo ácidas críticas ao PT, em especial à Lula, sempre repetindo fake news e denúncias infundadas no âmbito da Lava Jato. Nas eleições de 2022 dobrou a aposta, se elegendo batendo recorde de votos.

Ontem, durante a posse dos deputados, inclusive a dele, Nikolas se uniu à turba liderada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ostentando cartazes com os dizeres “Lula Ladrão” e proferindo palavra de ordens no mesmo sentido, afirmando que vai haver guerra contra Lula na Câmara dos Deputados durante os quatro anos de mandato dele.

Pode ser uma captura de tela do Twitter de 1 pessoa e texto que diz "Túlio Gadêlha @tuliogadelha Rapaz, impressionante o discurso de posse do presidente Arthur Lira. Falou sobre povos originários, população LGBTQIA+, Meio Ambiente e combate às desigualdades. Nem parece o presidente que deu sustentação ao desgoverno Bolsonaro. Vivi pra ver tudo isso. rsrs. Que assim seja!"Chamou a atenção sim, causou, lacrou, mas, as credenciais dele no primeiro dia de mandato destoaram do clima vivido naquele momento na Câmara dos Deputados, com a reeleição do presidente da casa, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), em cujo discurso de posse pregou exatamente que vai lutar contra o golpismo, rechaçando veementemente os atos de 8 de janeiro que tiveram Nikolas como um dos mais ferrenhos incentivadores pelas redes sociais. Aliás, o discurso de Lira mereceu destaque nos comentários do deputado federal Túlio Gadelha (Rede-PE). Realmente uma postura elogiável.

Já o comportamento pueril, infantil, de Nikolas Ferreira, não prosperará como ele almeja na Câmara dos Deputados. Será uma das poucas vozes destoantes nos próximos dois anos, duração do mandato de Arthur Lira adiante da presidência. Reeleito com 464 votos, um recorde, Lira vai tocar a Mesa no sentido de pacificar o País, não dando espaços para atitudes revanchistas e ou golpistas.

Não tem futuro comportamentos como o que Nikolas Ferreira quer empreender durante o mandato dele na Câmara dos Deputados. Quando Kim  Kataguiri (União Brasil-SP), eleito na onda bolsonarista em 2018, mudou totalmente o comportamento estudantil e adotou uma postura de parlamentar e hoje é considerado um deputado bem conceituado entre os pares. Já  Daniel Silveira (PTB-RJ), foi eleito na mesma leva bolsonarista e manteve o tom fascista e hoje, quinta-feira, após perder o mandato, foi preso em Petrópolis, no Rio de Janeiro, segundo informações da Globo News. E, agora pela manhã, uma bomba envolvendo o senador Marcos Do Val (Podemos-ES), põe fim à carreira do ex-bolsonarista, cujos desdobramentos estão em curso. Quem se mete com Bolsonaro, se auto destrói….

Esse será também o fim de Nikolas se não mudar a postura, doravante. Ser apoiador de Bolsonaro, mesmo após os quatro anos de mandato trágicos, sobretudo pela omissão durante a pandemia, omissão aos povos indígenas, desvios de recursos, rachadinha, cartão corporativo, Marielle Franco, milícias…é ser bastante leviano e não condiz com a crença evangélica que diz professar.

Lá em Curitiba, PR, bem diferente de Nikolas, assumiu a cadeira de deputado estadual o jovem negro Renato Freitas (PT-PR), que  foi perseguido e virou um dos alvos preferenciais da extrema direita de diferentes cantos do país, sendo cassado como vereador. Coube à Justiça evitar sua condenação injusta. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu seu mandato como vereador. Agora, Freitas assume um cargo em parlamento maior, como um dos 20 parlamentares mais bem votados. Freitas contou com 57.880 votos.

Quanto à Lula, o presidente está a um mês e um dia no governo e já fez mais do que Bolsonaro em quatro anos. Aliás, Bolsonaro nada fez, só desfez. Só as ações implementadas na última semana na nação indígena Ianomami já valeu a volta do  líder petista ao poder.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador. O Portal Mais RO não tem responsabilidade legal pela opinião, que é exclusiva do autor.

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