Por Roberto Kuppê (*)
A composição do governo Lula é uma colcha de retalhos formada por mais de uma dezena de partidos e, mesmo assim, não garantirá a governabilidade tão desejada. Além de não garantir votos aos projetos de interesse da população, alguns parlamentares de partidos que compõem hoje a base do governo, se comportam como adversários, deixando Lula na mão. É o que se vislumbra pelo andar da carruagem.
Os primeiros problemas com essa composição plural já surgiram. Alguns nomeados para ministérios não são exatamente aquilo que Lula desejou para seu governo. A ministra do Turismo, Daniela Carneiro, do União Brasil (RJ), é uma delas. Ela que é ligada a milicianos, vai gerir um orçamento anual de mais de 2 bilhões de reais.
Outro ministro que já está dando dor de cabeça é o das Minas e Energia, Alexandre Silveira, do PSD de Minas Gerais, partido do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco e de Kassab. Ele teria indicado para a diretoria da Petrobras, políticos privativistas, contrariando a ideologia do governo Lula.
Juscelino dos Santos Rezende Filho, União Brasil do Maranhão, nomeado ministro das Comunicações do Brasil, é o que está dando problemas desde o início. Está sendo acusado de usar o cargo em benefício próprio, como abusar de viajar em aviões da FAB para agendas particulares como participar de leilão de cavalos.
Lula terá problemas no futuro com a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), mas só lá na frente, por volta de 2025. Por motivos óbvios, é presidenciável. Não terá problemas, no entanto, para decepção da oposição, com Geraldo Alckmin (PSB-SP), o vice-presidente da República. Não, não vai. Alckmin está muito agradecido por ser vice-presidente e não passa pelo radar dele dar um golpe. Até porque ele é do PSB, avermelhou de vez.
E a CPMI do 8 de janeiro? Dificilmente será implementada, instalada ou instaurada, como queiram. Simplesmente porque a articulação desta comissão mista (Câmara e Senado) está sendo criada para impedir, dificultar as investigações sobre os mentores intelectuais e financeiros dos atentados de 8 de janeiro. Quem deveria propor essa CPMI, na verdade, seria o governo, o STF e o Congresso Nacional como instituição, as vítimas dessa sanha terrorista.
Seria cômico se não fosse trágico, essa CPMI querer mudar a versão do que ocorreu no dia 8 de janeiro, ou seja, transformar vítima em acusado e acusado em vítima. Serviria também para pavimentar uma “volta por cima” de Bolsonaro. Seria surreal, inconcebível, e, acima de tudo, uma aberração.
Essa CPMI seria instrumento apenas para conturbar o governo Lula, colocando a população contra quem está governando para reconstruir o Brasil. E, caso ela seja instalada, não trará resultado nenhum que não seja o que já sabemos. Ou seja, a CPMI andará em círculos, não chegando a lugar nenhum. Perca de tempo, dinheiro e provocará atrasos nas demandas do governo.
Deputados e senadores de partidos aliados do governo têm que retirar as assinaturas, para não dar palco à bolsonaristas e prejudicar o Brasil que está em fase de reconstrução. É disso que se trata.
O governo Lula está indo bem, apesar disso. Quase todos os dias entrega uma ação, fruto das promessas de campanha.
Hoje lançará o novo Bolsa Família, que será mais abrangente, beneficiando mais pessoas, inclusive adolescentes e gestantes, além das famílias carentes cadastradas. 600 reais para a chefe da família, mais 150 para menores de 6 anos e 50 reais para menores de 18 anos e gestantes. É mais do que Lula prometeu em campanha.
O articulista finaliza com a famosa frase: “Deixem o homem trabalhar”. Não é pedir muito.
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