Por Roberto Kuppê (*)
O ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PL-RJ), tem tanto BO, mas tanto, tanto, tanto que, somente se reencarnar, deverá perder a inelegibilidade, e assim, ser candidato a vereador ou vereadora. Se ele reencarnar numa tribo indígena, de preferência Yanomami, deverá ser um ativista pela defesa da Amazônia. Se renascer no Nordeste, deverá ser um vereador bom da peste, lutando com facão nos dentes em defesa dos nordestinos.
Desde jovem, no Exército, Bolsonaro já vem colecionando BO. Foi um péssimo militar, sendo expulso da corporação por má conduta. Foi vereador pela cidade do Rio de Janeiro e ali já começou as tretas com o dinheiro público. Ele e sua família, incluindo os filhos e as ex-esposas ligadas a políticos, construíram um milionário patrimônio imobiliário, pagando as propriedades, integral ou parcialmente, em dinheiro vivo.
Mas, no entanto, foi na presidência da República, ora quem diria, que Bolsonaro cometeu seus maiores crimes, que, certamente, o colocarão atrás das grades e deixá-lo inelegível por oito anos (muito pouco, deveria ser para sempre). No dia 22 de junho próximo, ele deverá “sentar” no banco dos réus pela primeira vez por ter cometido crime eleitoral.
É pule de dez que ele seja condenado à inelegibilidade neste processo que trata da fatídica reunião no Palácio do Planalto com embaixadores em plena pré-campanha eleitoral pela reeleição, onde afirmou às incrédulas autoridades estrangeiras que as urnas eletrônicas brasileiras não são confiáveis e que houve fraude nas eleições que ele próprio venceu em 2018.
Como disse, esse é apenas o primeiro BO. Tem muito mais pela frente. Tem a questão das vacinas, das omissões na pandemia, propinas no MEC, genocídio indígena, carteira de vacinação fraudada, a questão das joias, e, o pior BO, a tentativa de golpe de estado, os atos antidemocráticos e os ataques terroristas de 8 de janeiro.
Enfim, não faltam motivos para condenar Bolsonaro até à prisão perpétua. Os crimes cometidos por Bolsonaro também serão julgados pelo Tribunal Internacional de Haia, tamanha a gravidade. O The New York Times classificou Bolsonaro como o pior líder global, de inimigo número um da Amazônia, além de ser um negacionista.
O pior é que, mesmo sendo condenado, preso e inelegível, Bolsonaro não morre politicamente. Ele deu cria a dezenas de bolsonaristas que se tornaram políticos alimentados pelo ódio. Além dos filhos com idade para serem candidatos à presidência, tem as crias políticas como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) que já está em campanha seguindo a cartilha de Bolsonaro.
Dependendo do que a justiça fará com Bolsonaro, as pretensões de Tarcísio de Freitas poderão ter sucesso ou não. A tendência é que Bolsonaro seja condenado e até preso. Apesar de que isso não seja motivo para que os bolsonaristas deixem de adorar o seu “mito”. A maioria dos eleitores bolsonaristas não vê problemas nos crimes cometidos por ele.
Enfim, a vida de Bolsonaro não será fácil nos próximos dias, meses e anos. Diferentemente de Lula que foi condenado e preso sem ter cometido crimes, contra Bolsonaro abundam provas materiais, virtuais e até no metaverso. Dificilmente sairá impune. As quedas de Deltan Dallagnol e de Sérgio Moro são prenúncios de que a justiça brasileira está voltando.
Deltan foi cassado e está fora da vida pública. Sérgio Moro está na mira da justiça e deverá ter mandato cassado também. E Lula, pelo andar da carruagem, é seríssimo candidato ao Prêmio Nobel da Paz, assim como Mandela o recebeu após a prisão por dez anos. A história política brasileira está sendo reescrita.
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