Porra Da Silva, Trist, Analton Alves, que foi isso? Um dos grandes que conheci em Rondônia. Fiquei sabendo agora que você resolveu bisbilhotar o outro lado, se é que existe isso. Suas tirinhas de personagens questionadores sob o pseudônimo de Trist, seus textos publicados ora como Da Silva, ora como Analton Alves ocuparam tantas vezes os leitores do extinto O Estadão do Norte, nas crônicas, nas tirinhas, no caderno de cultura e tantas reportagens no Estadão e na Folha de Rondônia.
Sua presença sempre divertida na redação, andando com a camisa do Vasco da Gama, tantas coisas. Fiquei sabendo agora dessa passagem estranha. Vais encontrar o Telinha e o Quintela, tantos outros que passaram pela redação? Vão montar um jornalzinho diferente em outra dimensão?
Cara, você sabe que fazia parte do grupo especial que eu sempre respeitei e admirei de certa forma. Um deles me avisou agora. Um choque para nós. Se em Porto Velho estivesse faria uma despedida da matéria. Gente como você não morre, deixa o mundo cheio de impressões, marcas particulares da presença. Que posso dizer meu amigo? Nossa presença é temporária.
Já descobriu como é isso? Eu tenho certa curiosidade sobre o fim. Lembro de seu comentário sobre O ser e o nada. Somos nada ou apenas seres imaginários? Sua verve anarquista vai mexer com alguma coisa, provocar um pouco de caos e estabelecer algum movimento diferenciado no novo endereço? Quem sabe?
Essa coisa de vida e morte fazia parte das suas criações literárias. A gente não se despede por aqui Analton Alves da Silva, vulgo Trist. Acredito que o Quintela esteja com algumas fotografias para que o Telinha diagrame um caderno de cultura contigo. A
Algum tipo de imortalidade vocês tem, mesmo que eu seja cético quanto a isso. Não sei se tem crase, não achei no teclado agora. Que outro plano, que outro plano é previsível? Talvez encontre Zaratrusta ou Schopenhauer. Cacete.
Não vou me despedir de ti, se houver outro plano e eu estiver errado no meu ceticismo a gente se encontra. Grande abraço amigão. Tomando alguma palavra emprestada do Ezequias, passou uma navalha por aqui.
Por Hamilton Lima Souza, jornalista e ex-colega de redação no Estadão do Norte




