Mulheres do Levante Feminista de Rondônia se unem em defesa dos direitos humanos de mulheres e meninas pelo Fim da Violência contra a Mulher
O Levante Feminista contra o Feminicidio, constituído na luta contra as violações de Direitos Humanos na pandemia, sobretudo contra o feminicidio, nasceu da articulação da Campanha Nacional “Nem pense em me matar, quem Mata uma mulher Mata a humanidade!” com articulação em todo território nacional.
Em Rondônia, o coletivo realiza e participa da Agenda Integrada dos 21 dias de ativismo pelo FIM da Violência contra a Mulher. A Campanha foi criada em alusão ao Dia 25 de novembro: Dia Internacional de luta pela eliminação da violência contra a mulher no mundo. As ações são organizadas no Brasil a partir do dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) e seguem até o dia 10 de dezembro (Dia Mundial dos Direitos Humanos). O Fórum Popular de Mulheres/Levante Feminista, em parceria com outras organizações e redes, nesse período, organiza ações e projetos na Agenda visando fortalecer a luta pelo fim da violência contra a mulher no estado de Rondônia e representa um marco na história de luta dos organismos da sociedade civil na defesa dos Direitos Humanos de mulheres e meninas.
O que é a Campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher?
25 de novembro é o Dia Internacional pela eliminação da Violência contra as Mulheres e foi a partir dessa data que se iniciou a Campanha de ativismo pelo fim da violência contra a mulher, lançada durante o primeiro encontro do Women’s Global Leadership Institute em 1991, que se realizou no Center for Women’s Global Leadership (CWGL) na Universidade Rutgers. A campanha, que já foi lançada em mais de 160 países, vem sendo realizada no Brasil desde 2003.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que mais de 70% das mulheres em todo o mundo sofrem algum tipo de violência de gênero ao longo da vida. Nesse contexto, ressalta-se, que as mulheres são alvo todos os dias de sua vida, sendo aprisionadas pelo ciclo da violência, que na maioria das vezes começa dentro de casa, ou seja, o agressor é quase sempre alguém que mantém um vínculo afetivo com a vítima.
No Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2023), o feminicídio cresceu 6,1% em 2022. Em números absolutos foram 1.437. Apenas no 1º semestre deste ano 722 mulheres foram mortas, ou seja, 4 mortes de mulheres por dia. O aumento na taxa dos casos de violência doméstica foi de 2,9%, sendo registrado um total de 245.713 casos. Somam-se às estatísticas, outros crimes de violência contra a mulher que são as ameaças com 7,2% totalizando 613.529 casos, assédio sexual com 49,7% registrando 6.114 e importunação sexual com uma taxa de 37% indicando um patamar de 27.530.
Nesse cenário de ódio e misoginia que avança sobre as mulheres, vem o crime de estupro, que apresentou um crescimento de 8,2%, totalizando 74.930 estupros, sendo que cerca de 61,4% das vítimas registradas, tinham no máximo 13 anos.
Ainda conforme o Anuário Brasileiro (FBSP/2023), o recorte das taxas por região evidencia que a maior taxa de homicídios femininos é na Região Norte, com 5,7 casos para cada 100 mil mulheres, enquanto a média nacional está em 3,9 por 100 mil. Desse modo, destaca-se que os espelhos de notícias com os dados, apontam que Rondônia é o estado com a maior taxa de feminicídio no Brasil, onde se constatou as maiores taxas do país, tanto a de feminicídios (3,1 vítimas por 100 mil habitantes), quanto a de homicídios femininos (11,2).
A violência contra a mulher baseada em Gênero, se estabelece, na sua maioria, numa relação que envolve mulheres e homens. Isto pressupõe, que as várias violências praticadas contra as mulheres no seu cotidiano são recorrentes, e, seguem acumulando uma situação de pavor e horror dentro do espaço doméstico, formando um ciclo de múltiplas violências sofridas pelas mulheres quando se encontram dentro de uma relação abusiva, sendo tipificadas como: violência doméstica, psicológica, sexual, patrimonial e moral etc., entre outras.
A morte, o assassinato de mulheres nos jornais, espalhadas pelos quatro cantos das cidades brasileiras, tem sido a realidade que a sociedade tem convivido rotineiramente. Cabe tanto aos órgãos de governo, como à sociedade permanecer vigilantes e desconstruir esse comportamento de estado patriarcal que coloca mulheres e meninas em situação de extrema vulnerabilidade. Importa agora, nesta jornada, romper tanto com esse estado de violências sobre os corpos femininos, como, com a sua naturalização na sociedade.
Mulheres se juntam na luta contra a violência que maltrata, espanca, deforma e mata!
Durante o mês de novembro, especificamente no período de 20 de novembro a 10 de dezembro, na campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulher, várias atividades são realizadas pelas Organizações da Sociedade Civil (3º Setor) e por diversas instituições públicas e privadas em todo Estado de Rondônia. Tais atividades são agrupadas numa Agenda Integrada da Rede Lilás, que através das instituições Públicas e privadas, coletivos feministas e Associações de Mulheres organizaram um calendário conjunto.
Em Porto Velho, Capital do Estado de Rondônia, na sexta-feira (24) foi realizado o Projeto Atitude, pela Rede Lilás, sob a coordenação do TCE-RO. O Evento visa a construção de pactos e acordos interinstitucionais em prol da redução das violências e feminicídios no Estado. Também aconteceu o Lançamento do Observatório do Feminicídio e os mecanismos de monitoramento institucionais que serão implementados para a coleta e análise dos dados.
Na manhã de sábado (25) às 8h, foi realizada uma Instalação Sociocultural na Praça do Deroche (Av. Pinheiro Machado), com a instalação do Varal do Silêncio, que consiste em uma exposição de notícias e matérias sobre Violência contra a Mulher e Feminicídios e também um pit stop educativo com a distribuição de materiais educativos.
À tarde, a partir das 17h, no Bar do Calixto, realiza-se as mesmas atividades, com poesias, música e reflexões acerca do cenário da violência que assola a vida das mulheres na sociedade.
O Movimento Pró-Cultura Rondônia participa das ações divulgando e promovendo o diálogo entre o Levante Feminista, a comunidade cultural e os dirigentes de cultura do Estado e está organizando uma ação agendada para acontecer durante a Conferência Estadual de Cultura que será realizada pela Sejucel (Secretaria de Esporte, Juventude, Cultura e Lazer), CEPC (Conselho Estadual de Políticas Culturais) e MinC Rondônia, dos dias 3 a 6 de dezembro em Ji-Paraná.
CURVE-SE
[Marfiza de França]
O espelho que me olha, reflete um ábaco
não sou mais sozinha e só na raça
são tantas, no peito e na graça
coro afinado, alinhado, eficiência.
Eu sôo mais eu, quando eu sou mais elas…
Múltiplo, recíproco, diverso
coletivo do balacobaco
assim somado: consciência.
Contra o sistema
contra a matrix
contra a corrente
contra o assinte
Multiplique aí pra ver…
Não é aritmética, é quântica!
Um mais um é mais que dois
e quem soma nunca perde a conta:
quem canta os males espanta!
Minha voz afina com a dela
que rima com a daquela
cordas, tambor, atabaque
tropa de elite e ataque
todas contra o recalque
Notas de faca e chicote
na cara da hipocrisia
e da sanha de maldizer
que mulher não tem união
que pilota bem um fogão
e essas coisas sem noção…
Não tenho que provar nada
mas o que você tem que saber
que não é só enfeite, pra ficar sexy
pois olho que nem vê, enxerga…
não depende do artefato
A língua é adaga no verso
é flecha, conflito e é causa,
no fechamento Curvex.
Curve-se em reverência
ao poder da nossa querência
de lutar contra a violência
da nossa herdada indiferença
pra provar que a mudança
está nas mãos de quem crê
Não há espaço pra o vão
nem brecha pra escuridão
do fio da navalha afiada
da descrença de quem é do contra
e só pra cortar nossa onda,
desagrega sem saber,
que a arte ilumina e clareia.
Se não entendeu a conta
eu reconto pra você!
É somar pra dividir
partilhar pra repartir
cada uma a sua parte
do alimento da arte
pão pra alma de quem semeia.
(Poema escrito em 18.3.2017 – Dia internacional da Mulher para o evento ‘Girl Power’, do Movimento Curvex (coletivo de mulheres artistas), na Lapa/Rio de Janeiro)




