25 C
Porto Velho
domingo, março 1, 2026
spot_img
Publicidade

A viagem do metafísico -a pecinha invisível do pensamento escravista

Por Vinício Carrilho Martinez

Uma figura de linguagem sobre o Brasil arcaico, carcomido, que vive eternamente nos corrompendo, nos ajudará a entender essa viagem de “O metafísico”.

Mas, lembre-se que O metafísico é um cara que sempre viaja, normalmente para longe da realidade. (escrito desse modo, “O metafísico”, exprime um título de nobreza lá em Nárnia).

Já na historinha do metafísico de hoje, imagine uma viagem de férias, com amigos ou com a família. Malas prontas, todos embarcados, animadíssimos, pneus novos, carro revisado e abastecido.

Deram a partida, a nova aventura vai começar.

Não começa…

O carro não tem ignição.

“– Mas, como?” – todos se perguntam: foi feita a revisão geral, a injeção eletrônica estava ok ontem na concessionária, o carro é novo, modernoso, possante até demais … etc etc !?!?

Pensemos que a ignição do carro depende de uma pecinha feita para quebrar rapidamente, continuamente.

Pensemos que a ignição equivale à cultura e à cognição (ou dissonância cognitiva ou incapacitação da inteligência social), para os humanos ali embarcados.

Pensemos que a pecinha (que se quer ver invisibilizada) é feita para quebrar: é o nosso racismo calcinante.

Pensemos que essa pecinha poderia ter sido avaliada na revisão do carro, afinal, foi feita para quebrar. Então, lembremos que sempre somos enrolados, ludibriados nessas tais revisões, porque assim sempre haverá um lucro adicional para quem fez propositalmente uma revisão meia boca.

Por fim, pensemos no quanto estamos presos às eternas revisões, sem sair do lugar: irritados, frustrados, infelizes.

Quantas vezes demos a partida na história do Brasil, sem sairmos do lugar?

A pecinha que não vemos (ou não queremos saber da sua existência), o racismo cáustico de todos os dias, é a ferramenta do revisor/enganador – que sempre nos subordina, nos torna reféns, como se fosse nosso algoz.

Na figura de linguagem, esse é o trabalho análogo à escravidão.

E o conjunto da obra, pecinha e dono da concessionária, formam a “elite” do pensamento escravista brasileiro.

O revisor meia boca, em si, é o capitão do mato pós-moderno.

Moral da história: nossa paisagem não muda, nossa cara de paisagem também não. Andamos sempre olhando o retrovisor, a visão passada, sem saber o que se passou, como, com quem, para que se fez o nosso passado. E por isso o nosso passado é tão pesadamente presente, com tantas pecinhas “fora de lugar” no xadrez político dos mestres da enganação. O metafísico é um ilusionista preso na própria ilusão macabra, bizarra, nessa viagem que ele faz continuamente para Nárnia.

Imoral da história: a crônica mais famosa publicada em Nárnia, reproduzida nos grupos de WhatsApp de todas as família de lá, diz que O metafísico é conhecido como “Zé Ruela”. Mas essa é outra história, e contarei outro dia.

Últimas

- Publicidade -

Relacionadas