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quarta-feira, março 11, 2026
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Os profetas do interesse próprio: Quando a fé serve ao ego

 

Por Édson Silveira (*)

Eles se dizem pastores, guias espirituais, guardiões da moral e da alma. Mas, na verdade, muitos não passam de mercadores de ilusões, vendendo promessas de salvação em troca de um lugar ao sol – ou melhor, um lugar no trono do poder. Com palavras doces e olhares penetrantes, convencem seus fiéis de que possuem uma linha direta com o divino, quando, na realidade, a única conexão que mantêm é com seus próprios interesses.

Esses líderes religiosos, que deveriam ser faróis de esperança e integridade, transformam seus púlpitos em palanques de manipulação. Fazem da fé do povo uma ferramenta de controle, moldando crenças e doutrinas conforme o lucro e o poder que podem extrair disso. “Deus me revelou…”, dizem, mas nunca mencionam que a verdadeira revelação foi a de como engordar suas contas bancárias e expandir sua influência.

E quando chega o período eleitoral, a fé é transformada em cabo eleitoral. Esses líderes, que se colocam como representantes de Deus, não hesitam em apontar seus “ungidos”, candidatos que supostamente defenderão os valores da fé, mas que na realidade são escolhidos para proteger os interesses escusos dos próprios líderes na estrutura de poder. E tudo isso em um país que se declara como Estado laico, onde as decisões deveriam ser tomadas sem interferência religiosa. Porém, a linha entre o sagrado e o secular é constantemente cruzada, enquanto os interesses pessoais e políticos se escondem atrás do manto da religião.

A religião, sob a tutela desses charlatões, vira um negócio lucrativo. E o povo, que busca orientação e consolo, é enganado com promessas vazias e rituais performáticos. O dízimo não é mais uma expressão de fé, mas um investimento nos luxos de quem deveria viver para servir. E quando alguém ousa questionar, é rapidamente silenciado com a ameaça de condenação divina – como se a voz de Deus ecoasse nas vontades egoístas desses “líderes”.

No fundo, esses homens e mulheres que se autoproclamam representantes de Deus são apenas mestres na arte de enganar. Vendem milagres e compram silêncio, prometem o céu enquanto vivem como reis na terra. Seus interesses pessoais prevalecem sobre o bem-estar do povo, e a fé, que deveria ser uma força libertadora, se transforma em uma corrente que prende os mais vulneráveis a uma realidade manipulada.

E assim, o verdadeiro espírito da religião se perde em meio ao espetáculo, e a palavra divina, distorcida, serve aos caprichos daqueles que deveriam defendê-la. O que deveria ser um refúgio sagrado se torna um palco para a vaidade, e a fé, uma moeda de troca nas mãos de quem não tem escrúpulos. No final, resta ao povo apenas a desilusão – e a esperança de que um dia a verdadeira justiça, aquela que não se compra e nem se vende, venha a prevalecer.

(*) Édson Silveira é vice-presidente Estadual do PT/RO

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