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domingo, fevereiro 22, 2026
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Pais: nossas raízes, nossa essência

 

Por  Édson Silveira (*)

Honrar pai e mãe é um dos maiores segredos da vida. É um princípio que transcende culturas e gerações, algo que carrego profundamente no coração. Hoje, sem a presença deles, sinto ainda mais a importância de tudo o que fizeram por mim. Meus pais me deram a semente da vida, me ensinaram a caminhar e me mostraram o valor da honestidade, do trabalho duro e do respeito. Eles me deram o que tinham de melhor, e isso é algo que jamais se apaga.

Família é meu porto seguro. Meus irmãos e irmãs compartilham essa mesma herança de amor, superação e sacrifício. Nossos pais, com todas as suas imperfeições, foram os nossos primeiros mestres. Eles podem ter sido duros, às vezes, incompreensíveis, ou até ignorantes em certas situações, mas o amor que nos deram sempre foi o mais genuíno. Pais são assim: eles amam à sua maneira, com acertos e erros, mas sempre querendo o melhor para nós.

Às vezes, é triste perceber que o verdadeiro valor dos nossos pais só é sentido quando os perdemos. É uma dor que vem acompanhada de uma confusão de sentimentos: saudade, arrependimento, gratidão e um vazio que não se preenche. Quando eles se vão, a gente percebe que aquelas broncas eram gestos de cuidado, que os conselhos que ignorávamos eram verdadeiros tesouros e que o amor deles sempre foi o nosso abrigo mais seguro. Meus pais partiram cedo demais, e o vazio que deixaram foi grande. Em tantos momentos da vida, me vi conversando com eles em pensamento, sentindo como se seus conselhos ainda estivessem comigo, guiando minhas decisões, impulsionando meus sonhos, sempre me empurrando para frente e para o alto.

Essa reflexão também nasceu da observação do carinho e respeito com que meu amigo, o jornalista Roberto Kuppe (foto), trata sua mãezinha. Em uma de nossas conversas, disse a ele que, entre tantas qualidades, a que mais me tocava era justamente o amor e o cuidado que ele demonstrava pela mãe. Roberto me fez lembrar da essência desse vínculo tão sagrado e de como honrar os pais é uma das maiores formas de expressar gratidão pela vida.

É por isso que me revolta profundamente quando vejo alguém que desonra pai e mãe. Quando vejo filhos que tratam seus pais com ingratidão, que desprezam aqueles que lhes deram tudo o que tinham, mesmo que fosse pouco, é como assistir alguém cortando suas próprias raízes. Não consigo entender como alguém pode negar o valor desses que nos deram a vida. Pais não são perfeitos, mas são nossos. Negar isso é um ato de ingratidão que corrói o espírito, é como apagar uma parte de si mesmo.

Não honrar pai e mãe é uma traição ao amor mais puro que existe. É perder a chance de viver uma vida plena, com propósito e sentido. A ingratidão para com nossos pais é um vazio que nenhuma vitória ou conquista pode preencher, porque os pais são nossa origem, nossa história, nossa essência. E quem rejeita suas próprias raízes nunca encontrará paz consigo mesmo.

E, por mais que honrar pai e mãe não tenha preço, tem consequências. Se conseguimos reconhecer o valor do que nos deram, mesmo com todas as suas falhas, nos tornamos pessoas melhores, mais fortes, capazes de enfrentar qualquer desafio. Honrar pai e mãe é um ato de amor e gratidão que se reflete em todas as áreas da vida. É uma escolha diária que nos conecta com o que há de mais verdadeiro e humano dentro de nós. É o legado mais precioso que podemos carregar e transmitir.

Nossos pais são a base da nossa história, da nossa identidade, do nosso ser. E honrá-los é, acima de tudo, honrar a vida que recebemos, com tudo o que ela traz de aprendizado e crescimento. Que possamos sempre lembrar disso, enquanto ainda temos tempo de demonstrar o nosso amor e respeito por eles.

Porto Velho, 22 de setembro de 2024

(*) Édson Silveira é advogado, professor aposentado, pai, avô e vice-presidente estadual do PT/RO

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