Por Augusto Lacerda
Quem é o pai da criança?
Em Rondônia, há uma modalidade esportiva que merecia entrar no calendário oficial: a corrida para ser “pai da criança” depois que ela já nasceu, cresceu e recebeu diploma. A obra é anunciada, o recurso cai na conta e, de repente, surgem novos genitores reivindicando teste de DNA administrativo — tudo com direito a vídeo, trilha sonora e corte de fita.
Que tenha sido inocência — porque deu uma vergonha alheia
O caso recente do prefeito de Guajará-Mirim, Netinho, que foi parar no TikTok do @QuebrandoTabuemRondonia, é didático. A obra de R$ 1,5 milhão veio do PAC, articulada pelo senador Confúcio Moura (MDB) e liberada ainda em 2023. À época, o atual prefeito nem ocupava o cargo. E o recurso tampouco nasceu de emenda e ou indicação do vereador que hoje acompanha a execução.
Quem lembra do deputado que disse ser o pai da obra de Itapuã?
Teve também o episódio do deputado recém-empossado em 2022 que anunciou como conquista própria a execução do trecho urbano de Itapuã do Oeste — investimento superior a R$ 50 milhões trabalhado desde 2019. Dias depois, o prefeito apareceu ao lado de Confúcio reconhecendo a articulação antiga, com confirmação ministerial na inauguração. Foi aquele momento clássico de política rondoniense: mistura de constrangimento público com uma leve sensação coletiva de vergonha alheia. A obra era grande demais para caber em currículo improvisado.
E a carreta “Agora Tem Especialista” do Governo Federal não ficou de fora
O secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha, gravou vídeo anunciando que vai zerar a fila de cirurgias oftalmológicas nas regiões de Porto Velho e Guajará -Mirim apresentando a ação como troféu da gestão estadual em parceria com ministério da Saúde. Justo divulgar — faz parte do cargo. Só convém lembrar que a carreta não brotou do asfalto: houve articulação parlamentar para que ela chegasse à capital.
No fim, política pública tem muitos autores. E dividir mérito costuma render mais aplauso do que disputar certidão de nascimento em cartório eleitoral.
Fake ou falta de explicação?
A Assembleia diz que é fake news falar em perdão de dívida — e, tecnicamente, está correta: trata-se de transação tributária, instrumento já previsto em lei. Mas quando o enredo envolve bilhões e grandes devedores, não basta ter razão no Diário Oficial; é preciso convencer do lado de fora do plenário.
O ruído não nasceu da lei, mas da falta de didatismo. Se não há privilégio nem anistia automática, que se mostrem critérios, limites e mecanismos de controle com lupa e holofote. Em política, carimbar “fake” resolve pouco — transparência, números e regras claras resolvem muito mais.
Paraíso com retoques pendentes
O Vale das Cachoeiras, em Ouro Preto do Oeste, reúne natureza exuberante e atrações que o colocam como referência turística regional. Mas, ao lado do encanto das quedas d’água e da estrutura de lazer, surgem críticas sobre acesso, preços e organização em dias cheios. Um destino que impressiona — e que pode ficar ainda melhor se alinhar paisagem e experiência.
Mega-Sena: “quase”
Por um número, Rondônia não acordou milionária no concurso 2969 da Mega-Sena. Duas apostas simples, de apenas R$ 6, bateram na trave e ficaram a um passo dos R$ 141 milhões que foram para São Gonçalo (RJ). Os apostadores de Rondônia levaram R$ 26.187,86 cada — prêmio respeitável, mas que deixa aquele gosto de “quase”.
Até a próxima Peripécias, porque por aqui a política não entra em recesso — só muda o elenco.




