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sexta-feira, fevereiro 13, 2026
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Segurança pública no Brasil: entre o crime sofisticado, a violência cotidiana e a urgência de políticas que protejam o povo

Por Édson Silveira

O Brasil entra no carnaval de 2026 celebrando sua cultura, sua alegria e sua capacidade de resistência. Mas, ao mesmo tempo, o país convive com uma realidade dura: a sensação de insegurança que atinge tanto as grandes cidades quanto os pequenos municípios, tanto o trabalhador comum quanto o aposentado enganado por fraudes milionárias.

A segurança pública brasileira vive um paradoxo. Enquanto a população sofre com crimes comuns, como assaltos, feminicídios e violência urbana, o país também assiste ao crescimento dos crimes de colarinho branco, que drenam bilhões dos cofres públicos e comprometem políticas sociais essenciais.

Casos recentes envolvendo fraudes financeiras, esquemas contra aposentados e denúncias envolvendo grandes instituições mostram que o crime no Brasil não está apenas nas ruas, mas também nos escritórios luxuosos, nos contratos fraudulentos e nas engrenagens sofisticadas que desviam recursos que deveriam chegar à população.

Crimes como fraudes contra o INSS, esquemas financeiros suspeitos envolvendo instituições bancárias e outros mecanismos de corrupção institucionalizada causam danos tão devastadores quanto a criminalidade tradicional. Quando recursos públicos são desviados, hospitais deixam de ser construídos, escolas deixam de ser estruturadas e programas sociais deixam de alcançar quem realmente precisa.

Ao mesmo tempo, o Brasil continua enfrentando índices alarmantes de feminicídio, violência doméstica e criminalidade urbana. Mulheres seguem sendo vítimas de crimes brutais que revelam falhas graves na prevenção e na proteção social. Jovens continuam sendo alvos do recrutamento pelo crime organizado, especialmente nas regiões mais vulneráveis.

O problema da segurança pública não pode ser tratado com soluções simplistas, discursos populistas ou disputas ideológicas vazias. Segurança pública moderna exige inteligência policial, integração entre forças de segurança e políticas sociais capazes de enfrentar as causas estruturais da violência.

Nesse contexto, o governo do presidente Lula apresentou ao Congresso Nacional uma proposta estruturante para reorganizar a política nacional de segurança pública, fortalecendo a cooperação entre União, estados e municípios, ampliando investimentos em inteligência policial e criando mecanismos mais eficientes de combate ao crime organizado.

No entanto, como tem ocorrido em diversos temas fundamentais para a população, essa proposta enfrenta resistência de setores políticos que transformam a segurança pública em palco de disputa ideológica e eleitoral. Governadores, deputados e senadores que se apresentam como defensores da segurança, muitas vezes sabotam iniciativas que poderiam fortalecer o combate ao crime, preferindo manter o discurso do medo como ferramenta política.

O Brasil precisa romper com essa lógica. Segurança pública não pode ser refém de interesses partidários ou de narrativas que exploram o sofrimento da população para gerar capital eleitoral. O enfrentamento da criminalidade exige cooperação institucional, investimento em tecnologia, fortalecimento da investigação e políticas sociais que reduzam desigualdades.

Segurança pública com inteligência e prevenção social significa ampliar o monitoramento do crime organizado, fortalecer a investigação de crimes financeiros e corrupção, investir na proteção das mulheres e criar oportunidades para a juventude que hoje é alvo do recrutamento criminal.

Também significa compreender que combater o crime de colarinho branco é proteger diretamente o povo brasileiro. Cada recurso desviado representa menos investimento em saúde, educação e segurança.

O Brasil precisa de uma política de segurança pública que seja firme contra o crime, mas inteligente o suficiente para enfrentar suas causas estruturais. Repressão isolada não resolve. Prevenção social sem estrutura policial também não. É preciso equilíbrio, planejamento e compromisso real com a proteção da população.

Enquanto o país celebra o carnaval, símbolo da alegria e da diversidade brasileira, é fundamental lembrar que milhões de cidadãos continuam convivendo com medo, insegurança e abandono estatal. Garantir segurança pública é garantir o direito de viver, trabalhar e celebrar sem temor.

O Brasil precisa de políticas públicas que enfrentem o crime em todas as suas formas — das ruas aos gabinetes luxuosos. Segurança pública não pode ser espetáculo político. Precisa ser compromisso com o povo.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO

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