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segunda-feira, fevereiro 23, 2026
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Saúde Pública em Rondônia: promessas, obras virtuais e a fila que não acaba

Por Édson Silveira
Quem vive em Porto Velho sabe: falar de saúde pública em Rondônia é falar de esperança, sofrimento e, infelizmente, de promessas que ficaram pelo caminho. Entre 2019 e 2025, o governo estadual anunciou investimentos, modernização, digitalização e uma suposta revolução na saúde. Mas a pergunta que o povo faz nas filas, nas macas e nos corredores continua a mesma: cadê o novo hospital de urgência e emergência prometido?
Porque, enquanto a propaganda oficial celebra números, a realidade insiste em aparecer nas redes sociais, nas denúncias e no cotidiano de quem depende do SUS.
O João Paulo II continua sendo o retrato do abandono
O Hospital João Paulo II segue como símbolo do caos. Superlotação, pacientes nos corredores, profissionais exaustos e famílias desesperadas. Não é novidade. Esse cenário atravessa governos. Mas o que se esperava era mudança. E o que se viu foi, no máximo, maquiagem.
Entre 2019 e 2025, Rondônia realizou cerca de 18 mil cirurgias eletivas em três anos, segundo dados oficiais. Parece muito? Pode até parecer. Mas basta perguntar a quem espera meses ou anos por um procedimento para entender que a fila continua gigante.
Enquanto isso, o maior gargalo do estado segue sem solução: a urgência e emergência.
O governo prometeu um novo hospital. Não entregou.
Prometeu reduzir a superlotação. Não conseguiu.
Prometeu descentralizar o atendimento. Porto Velho continua sobrecarregado.
Talvez o hospital exista apenas em maquetes, vídeos institucionais e discursos eleitorais.
Indicadores que não permitem comemoração
Em 2024, a mortalidade infantil em Rondônia ficou em cerca de 12,3 por mil nascidos vivos, superior ao ano anterior. Ou seja: piorou. Isso revela fragilidades na atenção básica, no pré-natal e na assistência ao parto.
Outro problema: a atenção primária ainda não cobre toda a população. O resultado é previsível. Pessoas deixam de tratar doenças simples e chegam aos hospitais em estado grave. A conta, como sempre, recai sobre a urgência e emergência.
E quem paga essa conta? O povo.
Investimentos existem, mas a sensação de abandono permanece
O governo estadual afirma ter ampliado leitos, reformado unidades e modernizado equipamentos. É verdade que houve investimentos. O problema é outro: o impacto real na vida da população ainda é limitado.
Se a gestão fosse eficiente, o João Paulo II não seria hoje uma espécie de “UTI a céu aberto”, onde a espera virou rotina.
A pergunta que precisa ser feita é simples:
Como é possível investir tanto e continuar com os mesmos problemas?
Talvez porque saúde pública não se resolva com marketing, mas com planejamento, gestão e prioridade real.
O gargalo estrutural: prevenção e atenção básica
Especialistas são claros: sem fortalecer a atenção básica, o sistema colapsa. Rondônia ainda enfrenta dificuldades em:
•prevenção;
•controle de doenças crônicas;
•saúde da mulher;
•saúde mental;
•atendimento regionalizado.
Sem isso, o hospital vira a porta de entrada. E a urgência vira regra.
A ironia cruel da política
Em época de eleição, a saúde é prioridade. Depois da eleição, a prioridade vira outra.
Enquanto o governador grava vídeos, o povo grava a própria dor.
Enquanto a propaganda mostra números, a população mostra macas nos corredores.
O mais curioso é que, mesmo após anos de promessas, o governo ainda fala em “planejar” a construção do novo hospital. Ou seja: o projeto envelheceu antes de nascer.
Se fosse meme, seria engraçado. Como é realidade, é revoltante.
O que precisa mudar?
Rondônia precisa:
•novo hospital de urgência e emergência;
•regionalização de verdade;
•fortalecimento da atenção básica;
•valorização dos profissionais;
•gestão eficiente e transparente.
Sem isso, a história vai se repetir. E a cada eleição surgirá um novo discurso, uma nova promessa e o mesmo corredor cheio.
O certo é que:
A saúde pública não pode ser tratada como propaganda. É vida, dignidade e justiça social.
O povo de Rondônia merece respeito. Merece um sistema que funcione. Merece promessas cumpridas. Porque quem está na fila não quer discurso. Quer atendimento.
E quem está na maca não quer marketing. Quer sobreviver.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO.

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