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terça-feira, março 10, 2026
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Acabou o teatro: chegou a hora da onça beber água em Rondônia

 

Por Édson Silveira

A política rondoniense entrou oficialmente na temporada do “sou candidato… mas ainda não posso confirmar”.

É aquele momento curioso em que todo mundo garante que não está pensando em eleição — enquanto mede pesquisa, conversa com partidos, monta base eleitoral e calcula qual cadeira pode ser mais confortável: governo ou Senado.

Em outras palavras:
a campanha já começou. Só não avisaram oficialmente ao eleitor.

Mas esse jogo tem prazo para acabar.

E ele atende pelo nome de desincompatibilização.

Quando abril chegar, quem ocupa cargo público e quer disputar eleição terá que tomar uma decisão simples — e extremamente reveladora:

ou larga o cargo…
ou larga o discurso de pré-candidato.

A corrida pelo governo

Com Marcos Rocha fora do páreo por já estar no segundo mandato, o Palácio Rio Madeira virou objeto de desejo de metade da classe política do estado.

E quando o trono fica vazio, a fila aparece.

Entre os nomes que circulam nos bastidores como possíveis candidatos ao governo estão:

* Marcos Rogério (PL) – senador que perdeu por pouco em 2022 e não esqueceu disso.
* Adailton Fúria (PSD) – prefeito de Cacoal que tenta ampliar sua musculatura política.
* Delegado Flori Cordeiro (Podemos) – prefeito de Vilhena que também observa o cenário.
* Hildon Chaves (PSDB) – ex-prefeito de Porto Velho e velho conhecido das disputas estaduais.
* Fernando Máximo – deputado federal que aparece em praticamente todas as conversas políticas.
* Sérgio Gonçalves – vice-governador e herdeiro natural do grupo que hoje está no poder.
* Samuel Costa (Rede) – liderança que tenta ocupar espaço no campo progressista.
* Expedito Netto (PT) – ex-deputado federal que pode representar o campo da oposição.
* Rodrigo Camargo (Republicanos) – deputado estadual que também mede forças.
* Uender Nogueira (Missão) – nome ligado ao campo religioso.

E claro, um nome que continua rondando o tabuleiro político:

* Mariana Carvalho, ex-deputada federal, que pode entrar tanto na disputa pelo governo quanto na corrida pelo Senado.

Na prática, o que temos hoje é uma espécie de fila de pré-candidatos olhando para a mesma cadeira.

Alguns realmente querem disputar.

Outros só querem garantir um lugar na negociação das chapas.

A corrida pelo Senado

Se o governo já está disputado, a vaga no Senado também virou objeto de desejo político.

Entre os nomes que circulam estão:

* Fernando Máximo – deputado federal que já ensaia publicamente a candidatura.
* Confúcio Moura (MDB) – senador e ex-governador que segue sendo uma das maiores forças políticas do estado.
* Acir Gurgacz (PDT) – empresário e ex-senador sempre presente nas articulações.
* Silvia Cristina (PP) – deputada federal que aparece com força nas conversas sobre a disputa.
* Mariana Carvalho – que também pode entrar nessa corrida dependendo das alianças.

E como manda a tradição da política brasileira, muitos desses nomes podem acordar candidatos ao governo e dormir candidatos ao Senado.

Ou vice-versa.

Depende da pesquisa.
Depende da aliança.
Depende do vento político.

O campeonato do esconde-esconde eleitoral

Nesse momento da política acontece um fenômeno curioso:

* político diz que não é candidato… mas aparece em todas as pesquisas;
* outro diz que é candidato… mas ninguém vê campanha real;
* alguns apenas esperam para ver quem tropeça primeiro.

É a fase em que todo mundo testa tudo — menos a coragem de assumir a candidatura.

Mas isso dura pouco.

Quando abril chegar

Abril é o momento em que o teatro acaba.

Porque quem ocupa cargo público terá que decidir:

ou sai do cargo para disputar a eleição…
ou admite que a tal “pré-candidatura” era apenas balão de ensaio político.

E aí veremos quem realmente quer entrar na arena.

Porque até agora, convenhamos:

tem muito pré-candidato de rede social e pouco candidato de verdade.

No fim das contas

A política rondoniense caminha para um momento decisivo.

Nos próximos meses o eleitor vai descobrir quem realmente pretende disputar o poder — e quem estava apenas ensaiando candidatura para aparecer no noticiário.

Até lá, vale lembrar o velho ditado amazônico que os políticos conhecem bem:

está chegando a hora da onça beber água.

E quando essa hora chega…

não existe mais espaço para candidatura de faz-de-conta.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO

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