Por Édson Silveira
A política rondoniense entrou oficialmente na temporada do “sou candidato… mas ainda não posso confirmar”.
É aquele momento curioso em que todo mundo garante que não está pensando em eleição — enquanto mede pesquisa, conversa com partidos, monta base eleitoral e calcula qual cadeira pode ser mais confortável: governo ou Senado.
Em outras palavras:
a campanha já começou. Só não avisaram oficialmente ao eleitor.
Mas esse jogo tem prazo para acabar.
E ele atende pelo nome de desincompatibilização.
Quando abril chegar, quem ocupa cargo público e quer disputar eleição terá que tomar uma decisão simples — e extremamente reveladora:
ou larga o cargo…
ou larga o discurso de pré-candidato.
A corrida pelo governo
Com Marcos Rocha fora do páreo por já estar no segundo mandato, o Palácio Rio Madeira virou objeto de desejo de metade da classe política do estado.
E quando o trono fica vazio, a fila aparece.
Entre os nomes que circulam nos bastidores como possíveis candidatos ao governo estão:
* Marcos Rogério (PL) – senador que perdeu por pouco em 2022 e não esqueceu disso.
* Adailton Fúria (PSD) – prefeito de Cacoal que tenta ampliar sua musculatura política.
* Delegado Flori Cordeiro (Podemos) – prefeito de Vilhena que também observa o cenário.
* Hildon Chaves (PSDB) – ex-prefeito de Porto Velho e velho conhecido das disputas estaduais.
* Fernando Máximo – deputado federal que aparece em praticamente todas as conversas políticas.
* Sérgio Gonçalves – vice-governador e herdeiro natural do grupo que hoje está no poder.
* Samuel Costa (Rede) – liderança que tenta ocupar espaço no campo progressista.
* Expedito Netto (PT) – ex-deputado federal que pode representar o campo da oposição.
* Rodrigo Camargo (Republicanos) – deputado estadual que também mede forças.
* Uender Nogueira (Missão) – nome ligado ao campo religioso.
E claro, um nome que continua rondando o tabuleiro político:
* Mariana Carvalho, ex-deputada federal, que pode entrar tanto na disputa pelo governo quanto na corrida pelo Senado.
Na prática, o que temos hoje é uma espécie de fila de pré-candidatos olhando para a mesma cadeira.
Alguns realmente querem disputar.
Outros só querem garantir um lugar na negociação das chapas.
A corrida pelo Senado
Se o governo já está disputado, a vaga no Senado também virou objeto de desejo político.
Entre os nomes que circulam estão:
* Fernando Máximo – deputado federal que já ensaia publicamente a candidatura.
* Confúcio Moura (MDB) – senador e ex-governador que segue sendo uma das maiores forças políticas do estado.
* Acir Gurgacz (PDT) – empresário e ex-senador sempre presente nas articulações.
* Silvia Cristina (PP) – deputada federal que aparece com força nas conversas sobre a disputa.
* Mariana Carvalho – que também pode entrar nessa corrida dependendo das alianças.
E como manda a tradição da política brasileira, muitos desses nomes podem acordar candidatos ao governo e dormir candidatos ao Senado.
Ou vice-versa.
Depende da pesquisa.
Depende da aliança.
Depende do vento político.
O campeonato do esconde-esconde eleitoral
Nesse momento da política acontece um fenômeno curioso:
* político diz que não é candidato… mas aparece em todas as pesquisas;
* outro diz que é candidato… mas ninguém vê campanha real;
* alguns apenas esperam para ver quem tropeça primeiro.
É a fase em que todo mundo testa tudo — menos a coragem de assumir a candidatura.
Mas isso dura pouco.
Quando abril chegar
Abril é o momento em que o teatro acaba.
Porque quem ocupa cargo público terá que decidir:
ou sai do cargo para disputar a eleição…
ou admite que a tal “pré-candidatura” era apenas balão de ensaio político.
E aí veremos quem realmente quer entrar na arena.
Porque até agora, convenhamos:
tem muito pré-candidato de rede social e pouco candidato de verdade.
No fim das contas
A política rondoniense caminha para um momento decisivo.
Nos próximos meses o eleitor vai descobrir quem realmente pretende disputar o poder — e quem estava apenas ensaiando candidatura para aparecer no noticiário.
Até lá, vale lembrar o velho ditado amazônico que os políticos conhecem bem:
está chegando a hora da onça beber água.
E quando essa hora chega…
não existe mais espaço para candidatura de faz-de-conta.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO



