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terça-feira, março 24, 2026
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Combate firme à corrupção

Corrupção não tem partido. Quem rouba o povo deve responder

Por Édson Silveira

Eu não tenho paciência para hipocrisia quando o assunto é corrupção.

E o que estamos vendo agora, com os escândalos envolvendo o INSS e estruturas financeiras ligadas a investigações recentes, é mais um capítulo do velho roteiro brasileiro: o povo sendo lesado… e a política tentando transformar tudo em disputa de narrativa.

Mas desta vez há um agravante.

A CPMI, que deveria ser um instrumento sério de investigação, está se transformando — aos olhos de muitos — em um verdadeiro palco de horrores.

Não pelo tema.
Mas pela condução.

Troca de acusações, vazamentos seletivos, exploração política de depoimentos e uma disputa clara para controlar a narrativa pública. Em vez de buscar a verdade, muitos parecem mais preocupados em produzir versões convenientes.

E quando a investigação vira espetáculo, a verdade vira detalhe.

Há, inclusive, questionamentos públicos e notícias que levantam suspeitas sobre eventuais vínculos políticos, destinação de emendas parlamentares e relações com entidades religiosas, como a Igreja Lagoinha, envolvendo nomes ligados ao comando ou à dinâmica da comissão.

Se isso se confirmar, será gravíssimo.

Porque aí não estamos mais falando apenas de corrupção investigada — estamos falando da possível contaminação da própria investigação.

E isso é o ponto mais perigoso de todos.

Uma CPMI não pode ser instrumento de blindagem.
Não pode ser ferramenta de ataque seletivo.
E muito menos espaço para construção de narrativas ou disseminação de desinformação.

Mas é exatamente essa a percepção que começa a se formar.

Enquanto isso, o essencial continua sem resposta:

Quem roubou os aposentados?
Quem operou os esquemas financeiros?
Quem facilitou?
Quem lucrou?

E, principalmente: quem vai ser punido?

Porque, sejamos honestos, o Brasil já assistiu esse filme antes.

Escândalo explode.
Políticos gritam.
Comissões são instaladas.
Relatórios são escritos.

E, no final… quase nada acontece.

Eu insisto: corrupção não tem partido.
Tem oportunidade.

E quando há indícios de que diferentes setores — políticos, financeiros e até institucionais — podem estar entrelaçados, o mínimo que se espera é uma investigação limpa, firme e independente.

Sem interferência.
Sem blindagem.
Sem espetáculo.

Se a CPMI continuar nesse caminho, será apenas mais uma peça no teatro da impunidade — um espaço onde se discute muito, se acusa bastante, mas se pune quase ninguém.

E isso não é apenas ineficiência.

É cumplicidade indireta.

O Brasil não precisa de mais discursos contra a corrupção.
Precisa de coragem para enfrentar a corrupção — inclusive quando ela está perto demais.

Inclusive quando envolve aliados.
Inclusive quando dói politicamente.

Quem roubou o povo precisa responder.

Sem partido.
Sem narrativa.
Sem maquiagem.

Porque o maior escândalo não é só o desvio de dinheiro.

É a tentativa de transformar a investigação em instrumento político — enquanto a verdade fica em segundo plano.

E isso, sinceramente, já passou de todos os limites.

Édson Silveira
advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO

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