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sábado, abril 4, 2026
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A eleição que já começou (mesmo antes de começar)

Por Édson Silveira

Em Rondônia, eleição não começa em ano eleitoral. Começa no silêncio. Começa nos bastidores. Começa nos jantares discretos, nos acordos sussurrados, nos abraços que valem mais que discursos.

E, sobretudo, começa na memória curta do eleitor.

Porque, se tem uma coisa que nunca muda por aqui, é a capacidade de alguns políticos de mudarem de lado — e depois explicarem isso como “evolução”.

É quase bonito de ver.

Tem gente que já foi de tudo: direita raiz, centro estratégico, independente de ocasião… e agora, se preciso, vira até “defensor do povo”. Tudo depende da nominata, da viabilidade e, claro, da conveniência.

Ideologia? Só se for a ideologia da sobrevivência.

Enquanto isso, os mesmos rostos de sempre se reorganizam no tabuleiro. Mudam de partido como quem troca de camisa antes de sair na foto. E sempre com o mesmo discurso ensaiado:

“Agora é diferente.”

Nunca é.

O jogo real não é o que aparece

A eleição que o povo vê é a da propaganda.

Mas a eleição que decide tudo acontece antes — muito antes.

É a montagem das chapas. É a disputa por espaço dentro dos partidos. É o cálculo frio de quem puxa voto e quem só soma número. É o jogo pesado dos bastidores, onde não existe romantismo — só matemática eleitoral.

E nesse jogo, poucos jogam para representar o povo.

A maioria joga para continuar existindo politicamente.

A esquerda e o desafio de não errar

Se tem algo que essa próxima eleição exige, é coragem.

Coragem para enfrentar o discurso fácil. Coragem para sair da zona de conforto. Coragem para dizer o que precisa ser dito — mesmo quando incomoda.

A esquerda, especialmente, não pode cair na armadilha da timidez.

Não dá mais para fazer política pedindo licença.

Enquanto alguns gritam, mentem e distorcem todos os dias, não dá para responder com silêncio ou com frases bonitas que não chegam em ninguém.

Política é disputa. E disputa exige presença, firmeza e, principalmente, narrativa.

O eleitor mudou — mas nem tanto

Dizem que o eleitor está mais consciente.

Talvez esteja.

Mas também está mais cansado, mais desconfiado e, muitas vezes, mais vulnerável àquilo que parece simples, direto e emocional.

E é aí que mora o perigo.

Porque, entre a verdade complexa e a mentira bem contada, muita gente ainda escolhe a mentira — desde que ela venha embalada com convicção.

No fim, tudo se revela

Quando a campanha começar oficialmente, muita coisa vai parecer nova.

Mas não é.

Os mesmos discursos reciclados, as mesmas promessas requentadas, os mesmos personagens tentando convencer que agora, sim, será diferente.

A grande pergunta não é quem vai ganhar.

É se o eleitor vai, mais uma vez, cair na mesma história.

Porque eleição não muda político

Eleição revela político.

E, às vezes, revela também o quanto um povo ainda precisa aprender com seus próprios erros.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO
Essa para amanhã!

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