Por Édson Silveira
O Brasil político vive um daqueles momentos que obrigam até os mais resistentes a rever suas posições. E o fato mais simbólico dos últimos dias vem justamente de quem ninguém esperava: Kátia Abreu.
Uma das maiores representantes do agronegócio brasileiro, ex-presidente da bancada ruralista e ex-ministra da Agricultura, decidiu apoiar o projeto político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E não estamos falando de qualquer nome.
Estamos falando de alguém que já foi oposição dura ao próprio Lula, que protagonizou embates históricos e que sempre representou, com firmeza, os interesses do agro.
Ou seja: isso não é ideologia. É leitura de realidade.
O recado que o agro não pode ignorar
Quando uma liderança desse peso toma uma decisão dessas, o recado é claro: o mundo mudou, e o agro que não entender isso vai pagar a conta.
O próprio setor já sabe, e muitos fingem não ver, que o maior risco hoje não é interno, mas externo.
O agronegócio vive de exportação. A exportação depende de confiança internacional. E a confiança exige estabilidade, diplomacia e responsabilidade ambiental.
Sem isso, o mercado fecha. E, quando o mercado fecha, não adianta discurso.
Rondônia precisa escolher: lucro ou ilusão?
O agronegócio de Rondônia precisa fazer uma reflexão madura.
Trocar um governo que reconstrói a imagem do Brasil no exterior, abre mercados e garante previsibilidade por um projeto instável, ideológico e com traços de isolamento internacional é colocar em risco o próprio negócio.
Não é debate político. É cálculo econômico.
A pergunta é direta: você quer vender sua produção ou defender narrativa?
O pragmatismo venceu a ideologia
A decisão de Kátia Abreu escancara uma verdade que muitos ainda resistem em admitir: o apoio ao presidente Lula deixou de ser ideológico, é estratégico.
Isso desmonta um dos maiores mitos repetidos no campo: o de que o PT é inimigo do produtor e o de que o desenvolvimento depende de radicalismo político.
A realidade mostra o contrário. Foi em períodos de estabilidade, diálogo e abertura internacional que o agronegócio mais cresceu, exportou e gerou resultados.
O agro de Rondônia precisa evoluir
Chegou a hora de maturidade.
O produtor rural de Rondônia não pode continuar sendo guiado por discurso ideológico enquanto o mundo exige profissionalismo, sustentabilidade e inteligência de mercado.
Kátia Abreu fez o movimento que muitos ainda evitam: saiu da bolha, leu o cenário real e escolheu o caminho que garante futuro.
Conclusão: quem vive da terra precisa pensar no amanhã
O agronegócio não é paixão. O agronegócio é negócio.
E negócio se faz com estabilidade, mercado aberto e credibilidade internacional.
Se uma das maiores lideranças do agronegócio brasileiro já entendeu isso, talvez esteja na hora de Rondônia entender também.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO




