Por Édson Silveira
O cenário político de Rondônia começa, enfim, a sair do campo das especulações para entrar no terreno das definições concretas. E uma das mais importantes movimentações já está posta: a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, confirmou a pré-candidatura do ex-deputado federal Expedito Neto ao governo do estado.
Depois do dia 04 de abril, o tabuleiro político ganhou forma mais nítida. As peças começaram a se posicionar e o eleitor rondoniense passa a enxergar, com mais clareza, quem são os atores e quais projetos estarão em disputa.
De um lado, o atual governador Marcos Rocha permanece no cargo e não disputará o Senado, o que muda significativamente o equilíbrio das forças. O vice-governador Sérgio Gonçalves ainda não conseguiu se firmar politicamente, demonstrando dificuldades de articulação em um momento decisivo. O União Brasil apresenta o nome do ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves. O PSD, partido do governador, lança o ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria. Marcos Rogério, pelo PL, aparece como um dos nomes mais conhecidos, ainda que carregue desgastes e seja visto por muitos como um favorito sem grande empolgação. Já Samuel Costa, agora no PSB, também entra na disputa, ampliando o leque de candidaturas.
Nesse cenário fragmentado, a pré-candidatura de Expedito Neto surge como um elemento novo e potencialmente decisivo. Não apenas pelo nome em si, mas pelo projeto político que representa. Trata-se de uma candidatura ancorada na Federação Brasil da Esperança, com capacidade de diálogo, construção coletiva e, sobretudo, alinhamento com o projeto nacional liderado pelo presidente Lula.
Esse é um ponto central. A candidatura de Expedito Neto tende a se consolidar como o palanque do presidente Lula em Rondônia, o que, por si só, já reposiciona o debate político no estado. Mais do que uma disputa local, passa a ser parte de um projeto nacional, com reflexos diretos na economia, nas políticas públicas e na relação institucional com o governo federal.
Além disso, há um fator político relevante que não pode ser ignorado: a possibilidade real de unificação do campo progressista. Em um cenário marcado por disputas acirradas e polarização, a candidatura da Federação pode se apresentar como alternativa de equilíbrio, diálogo e construção, atraindo não apenas os setores tradicionais da esquerda, mas também eleitores que já demonstram cansaço com o clima permanente de conflito na política.
Outro ponto estratégico é a construção das nominatas de deputados federais e estaduais. A Federação Brasil da Esperança trabalha para montar chapas competitivas, com o objetivo de eleger parlamentares comprometidos com o projeto nacional, fortalecendo a base de apoio do presidente Lula no Congresso Nacional e garantindo representação qualificada na Assembleia Legislativa de Rondônia.
Esse movimento amplia o alcance da candidatura ao governo e dá sustentação política ao projeto como um todo. Não se trata apenas de disputar o Executivo, mas de construir uma base sólida que permita governar e implementar políticas públicas com efetividade.
Diante desse cenário, cresce a percepção de que a candidatura de Expedito Neto pode ser a grande surpresa desta eleição. Em meio a um quadro fragmentado, com vários nomes disputando o mesmo espaço, uma candidatura que combine articulação política, apoio nacional, capacidade de diálogo e proposta de pacificação pode ganhar força de forma consistente.
O xadrez político está posto. As peças estão em movimento. E, ao que tudo indica, Rondônia poderá assistir a uma eleição marcada não apenas pela disputa de nomes, mas pela escolha de projetos — entre o conflito permanente e a construção de um caminho mais estável, dialogado e voltado para o futuro.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO




