Por Edson Silveira
Tem sigla que, no papel, significa uma coisa. Na prática, outra completamente diferente.
O tal do PL — que oficialmente é Partido Liberal — resolveu, nos últimos dias, ensinar ao Brasil um novo significado. Não aquele dos livros de ciência política. Mas o da vida real, nua, crua e, convenhamos, bastante constrangedora. “Partido de Ladrão”
A semana foi didática.
Começou com o seu presidente, o senador Ciro Nogueira, novamente orbitando relações nada republicanas com o já conhecido banqueiro Vorcaro. Nada exatamente surpreendente — apenas mais um capítulo de um roteiro que insiste em se repetir: proximidade com poder econômico suspeito, silêncio conveniente e discurso moralista em horário nobre.
Aí veio a quarta-feira. E não qualquer quarta-feira.
Surge o senador Flávio Bolsonaro — pré-candidato a presidente, defensor da “família”, da “moral”, dos “bons costumes” — tratando o mesmo personagem como “irmão” e, segundo as mensagens reveladas, pedindo nada menos que 136 milhões. Sim, milhões. Porque, ao que parece, o discurso contra corrupção é firme… desde que não atrapalhe os negócios.
E como se não bastasse, a sexta-feira fecha a semana com a Polícia Federal batendo à porta do ex-governador do Rio de Janeiro, e pré-candidato ao senado, Cláudio Castro. Mais um nome ligado ao mesmo campo político que gosta de posar de guardião da ética nacional. Será?
É quase didático. Um roteiro de série ruim — só que com dinheiro público, poder real e impacto direto na vida das pessoas.
E aí vem a pergunta inevitável:
o que significa, afinal, PL?
Porque, convenhamos, está cada vez mais difícil sustentar que seja “Partido Liberal”. Liberal em quê? Nos costumes? Na economia? Ou na flexibilidade moral?
Talvez o novo significado esteja mais próximo do que a população começa a perceber nas entrelinhas: um partido que grita contra corrupção enquanto convive com ela; que aponta o dedo enquanto negocia nos bastidores; que vende moralidade enquanto pratica o oposto. mais uma vez “partido de ladrão”
O problema não é apenas jurídico. É político. E, sobretudo, é ético.
Porque esse tipo de comportamento corrói algo muito mais profundo do que a imagem de um partido: destrói a confiança da sociedade. E quando a política vira teatro de hipocrisia, quem paga a conta é sempre o povo — aquele que pega ônibus lotado, paga imposto alto e ainda precisa ouvir discurso de quem vive uma realidade completamente diferente.
O mais curioso — ou trágico — é ver esses mesmos personagens tentando manter a pose de paladinos da moral. Como se o brasileiro fosse incapaz de juntar os pontos. Como se a memória coletiva fosse curta. Como se a indignação tivesse prazo de validade.
Mas não tem.
E talvez essa semana tenha servido para isso: tirar a máscara.
Porque uma coisa é discurso. Outra, bem diferente, é prática.
E o PL, pelo visto, está cada vez mais distante daquilo que diz representar — e perigosamente próximo daquilo que sempre acusou nos outros.
No fim das contas, o problema não é nem a sigla.
É o conteúdo.
E esse, infelizmente, está ficando cada vez mais difícil de defender.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO



