Por Édson Silveira
Hoje, a seleção brasileira entra em campo pela Copa do Mundo de 2026 diante da Escócia. E, convenhamos, nenhum torcedor em sã consciência quer ver o técnico escalar jogadores apenas porque são seus amigos, porque fazem sucesso nas redes sociais ou porque já tiveram um grande momento há dez anos. Em uma Copa do Mundo, joga quem está em melhor fase, quem entrega resultado, quem tem experiência e quem pode decidir a partida.
O objetivo é simples: vencer, fazer gols e devolver a alegria a uma nação inteira.
No futebol, o técnico que insiste em escalar um jogador sem condições logo é chamado de teimoso, incompetente ou até de sabotador da própria equipe. Afinal, ninguém vai a uma Copa do Mundo para fazer experiências ou premiar amizades.
Pois bem. Em outubro, o Brasil disputará uma partida ainda mais importante que qualquer jogo de futebol. E, desta vez, não haverá apenas um treinador. Haverá mais de duzentos milhões de técnicos, cada um com sua prancheta imaginária e sua escalação na ponta dos dedos.
Cada eleitor será responsável por montar sua própria seleção para governar o país e os estados: presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.
A pergunta é inevitável: quem merece ser titular dessa equipe?
Na política, assim como no futebol, desempenho importa. Histórico importa. Experiência importa. Credibilidade importa.
É curioso observar que, muitas vezes, alguns eleitores exigem de um técnico da Seleção um rigor quase científico para convocar jogadores, mas, na hora de votar, escolhem candidatos como quem faz um sorteio de amigo oculto ou aposta na loteria. Depois, quando o time perde, reclamam do árbitro, do gramado, da chuva e até da posição dos planetas.
O fato é que, gostem ou não seus adversários, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a esta disputa com atributos que poucos concorrentes possuem. Carrega uma longa trajetória política, um histórico de vitórias eleitorais, ampla experiência administrativa e uma reconhecida capacidade de diálogo e articulação.
Se isso será suficiente para lhe garantir mais uma vitória, somente as urnas dirão. Mas é inegável que, em termos de experiência e desempenho eleitoral, Lula larga na frente de muitos de seus concorrentes, alguns dos quais ainda procuram um discurso, outros procuram um partido e alguns parecem procurar até um rumo.
A democracia, porém, tem dessas coisas: cada eleitor é o técnico da sua seleção.
Em outubro, a urna eletrônica será o gramado. O voto será a escalação. E o resultado dependerá da capacidade de cada cidadão de escolher os jogadores mais preparados para vestir a camisa do Brasil.
Porque, no fim das contas, ninguém quer ver sua seleção ser eliminada por erros de escalação. Nem no futebol. Nem na política.
Édson Silveira
Advogado, administrador, professor federal aposentado e membro da Executiva Estadual do PT de Rondônia.



