Por Édson Silveira
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, que manteve a inelegibilidade de Acir Gurgacz até 2030 — ainda sujeita a eventual recurso às instâncias superiores — redesenha o tabuleiro político da disputa pelo Senado em 2026.
Lamento a situação. Acir é uma liderança importante da política rondoniense e ninguém que valorize a democracia comemora ver um adversário fora da disputa por decisão judicial.
Mas uma coisa é recorrer à Justiça. Outra, muito diferente, é insistir numa candidatura cercada de incertezas jurídicas e arrastar milhares de eleitores para uma aventura eleitoral.
Rondônia já viu esse filme.
Quando um candidato entra na disputa apostando que “lá na frente tudo se resolve”, quem normalmente paga a conta são seus apoiadores. Votos são desperdiçados, forças políticas se dividem e, no final, os verdadeiros adversários agradecem.
Se esse cenário permanecer, o campo popular e democrático passa a contar com duas candidaturas fortes e plenamente viáveis ao Senado: Luciana Oliveira, pelo PT, e o senador Confúcio Moura, que buscará a reeleição. Ambos reúnem condições reais de disputar com competitividade e representar um projeto político comprometido com o desenvolvimento de Rondônia.
Insistir numa candidatura sub judice, apenas para alimentar um projeto pessoal ou o ego de quem não aceita a realidade, seria um desserviço àqueles que desejam fortalecer um campo político capaz de enfrentar a extrema direita nas urnas.
Na política, coragem é uma virtude.
Mas confundir coragem com teimosia costuma terminar em derrota.
A vaidade é uma péssima estrategista. Ela costuma prometer vitórias épicas e entregar derrotas previsíveis.
Por isso, fica um conselho que mistura respeito, preocupação e uma boa dose de realismo:
Juízo, Acir.
Recorra, exerça todos os seus direitos e lute para reverter a decisão nos tribunais.
Mas não transforme uma disputa jurídica em um experimento político capaz de dividir votos, frustrar eleitores e enfraquecer justamente aqueles que poderiam construir uma alternativa sólida para Rondônia.
Às vezes, o gesto mais inteligente de um líder não é insistir em ser candidato.
É saber a hora de não atrapalhar.
Edson Silveira Advogado, administrador, professor e membro da Executiva Estadual do PT/RO.



