Por Édson Silveira
Há uma velha máxima na política: quando faltam fatos, sobram especulações. E, em tempos eleitorais, alguns setores da imprensa parecem confundir análise política com exercício de futurologia.
A recente reportagem que tenta vender a ideia de que a Federação Brasil da Esperança estaria prestes a abandonar a pré-candidatura de Expedito Netto ao Governo de Rondônia é um bom exemplo disso. Mais parece um roteiro escrito por quem gostaria que isso acontecesse do que uma descrição objetiva da realidade.
Até aqui, o que existe publicamente é que Expedito Netto foi aprovado pela Federação Brasil da Esperança como pré-candidato ao Governo de Rondônia, em um processo político amplamente divulgado. Qualquer alteração nesse cenário depende das instâncias partidárias competentes, e não de rumores de bastidores transformados em manchetes.
Aliás, quem conhece minimamente o funcionamento do PT, do PCdoB e do PV sabe que debate interno nunca foi sinônimo de crise. Pelo contrário: partidos democráticos discutem, divergem, constroem consensos e tomam decisões coletivas. Quem estranha isso talvez esteja acostumado a ambientes onde uma única voz decide por todos.
O mais curioso é que a reportagem tenta transmitir a impressão de isolamento justamente quando a Federação trabalha para consolidar chapas proporcionais altamente competitivas.
Na disputa para a Câmara dos Deputados, destacam-se nomes como Anselmo de Jesus, ex-deputado federal por três mandatos; Ramon Cujuí, respeitado militante e articulista político; Jabá, liderança política e ex-vereador de Cacoal; Márcia Regina, ex-vereadora de Ji-Paraná e referência na Escola de Formação Fé e Política da Diocese; Euzilene, presidente da CUT; Israel Trindade, liderança do movimento estudantil e ex-presidente do PT de Porto Velho, entre tantos outros nomes qualificados.
Para a Assembleia Legislativa, o cenário também demonstra vigor político. Estão no debate lideranças como Cláudia de Jesus, atual deputada estadual; Fátima Cleide, ex-senadora e uma das maiores lideranças históricas do campo progressista em Rondônia; Léo, ex-presidente do SINTERO e primeiro suplente de deputado estadual; Sid Orleans, ex-vereador de Porto Velho; André, vereador de Nova Mamoré; Cidão, ex-vereador e liderança de Machadinho d’Oeste, além de dezenas de lideranças municipais que fortalecem o projeto coletivo.
Isso parece cenário de desmobilização? Ou parece exatamente o contrário?
É evidente que nenhuma eleição se ganha apenas com nominatas fortes. Mas também é evidente que ninguém constrói uma chapa desse porte quando existe um projeto político desmoronando. Quem acompanha a política de Rondônia sabe distinguir fatos de narrativas.
A impressão que fica é que alguns já iniciaram a campanha contra Expedito Netto antes mesmo do início oficial da disputa. Não é novidade. Em toda eleição surgem aqueles que decretam derrotas antecipadas, escolhem vencedores por decreto e tentam influenciar o debate público pela repetição da mesma narrativa.
O problema é que eleição não se decide em grupos de WhatsApp, nem em manchetes construídas sobre hipóteses. Ela se decide nas convenções, na campanha, no diálogo com a sociedade e, principalmente, nas urnas.
Até lá, convém um pouco mais de prudência e um pouco menos de torcida disfarçada de análise política.
Porque uma coisa é fazer jornalismo. Outra, bem diferente, é publicar desejos como se fossem acontecimentos.
A democracia agradece quando cada um permanece fiel ao seu papel.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor e militante do PT/RO.



