RETICÊNCIAS POLÍTICAS – Itamar Ferreira*
Em relação ao candidato a governador Marcos Rogério tenho no momento duas percepções: uma, ele estará no segundo turno e a outra que não será o próximo governador de Rondônia, pois será vítima da própria polarização exacerbada que sempre alimentou. Muito provavelmente se repetirá com ele o que aconteceu com Mariana Carvalho contra Léo Moraes no segundo turno da última eleição municipal da Capital.
No segundo turno com Marcos Rogério estaria um deles: Expedito Netto ou Hildon Chaves ou Adaílton Fúria; sendo que este último terá muito mais dificuldade de chegar lá do que os demais, pois será visto pelos eleitores como o herdeiro político e sinônimo de continuísmo do governador Marcos Rocha, que está sendo execrado pelo eleitorado neste seu deplorável fim de mandato.
Ainda que eu não seja a ‘Mãe Diná’ e nem tenha recebido inspiração o ‘Walter Mercado’ do famoso bordão “Ligue djá!” da década de 90, no meu entendimento o próximo Governador será um dos três: Netto, Hildon e Fúria. Na verdade, não é preciso nenhum dom premonitório, basta analisar que aconteceu nas últimas eleições municipais, em que a Mariana sempre “esteve eleita” no primeiro turno e depois era ‘favas contadas’ prefeita no segundo turno.
Ocorreu o que os institutos de pesquisas e marketeiros em geral desconsideram o peso decisivo dos eleitores de centro-esquerda, principalmente os de esquerda, que tem verdadeira ojeriza e rejeição à candidatos de extrema direita em geral e bolsonaristas em particular.
O eleitorado de esquerda, neste verdadeiro ‘paraíso’ bolsonarista chamado Rondônia, representaria seguramente 30% dos eleitores. É um grupo que no contexto geral seria pequeno para definir uma eleição no primeiro turno, mas torna-se decisivo no segundo turno, especialmente quando há um candidato tão fortemente vinculado e identificado com o bolsonarismo e do outro lado um de direita mais moderado ou de centro; neste caso ambos dividem os votos à direita, enquanto os de esquerda se concentram no “anti”.
Em 2024, durante a campanha para as eleições municipais de 2024 em Porto Velho o ex-presidente Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michele e a senadora Damares visitaram a Capital e participaram ativamente de atos públicos em apoio à candidato Mariana Carvalho, foi o que bastou: ‘carimbaram’ Mariana como bolsonarista-raiz. Marcos Rogério dispensaria este tipo de visitas, ele mesmo já se colocou este ‘carimbo’.
Pragmáticos e muito atuantes em campanhas eleitorais, o pessoal de esquerda foi às redes socias, às rodas de conversa e às ruas defendendo o voto anti-bolsonarista em Léo Moraes, que no primeiro turno da última eleição municipal teve apenas 26,65% dos votos, contra 44,53% de Mariana.
No segundo turno, o efeito “El Nino” da esquerda causou o que a grande maioria dos especialistas em eleições sequer cogitavam: uma virada fenomenal, quando Léo sagrou-se prefeito com 56,19% dos votos, derrotando a “ex-eleita” no primeiro turno, mesmo ela contando com um gigantesco apoio político, envolvendo a então municipalidade e a administração do governo estadual no mesmo palanque.
Este arredo de colunista, de tão mal traçadas linhas, foi um dos poucos que acertaram os resultados de primeiro e segundo turno das eleições 2024, quando publiquei vários artigos afirmando que Mariana não seria eleita no primeiro e outros tantos depois dizendo que o Léo seria eleito com uma grande vantagem de votos.
Um artigo de minha autoria foi publicado em 30/09/2024, no primeiro turno, com o título “Pesquisa da ‘Futura Inteligência’ mostra que haverá segundo turno, pois Mariana teria apenas 45,4% dos votos” (ela teve 44,53%), no link http://www.noticiasro.com.br/Noticias/Exibir/46392.
No segundo turno publiquei, dentre outros, um em 16/10/2024 com o título “Eleição da Capital está sendo uma luta de Davi versus Golias na qual mais uma vez uma simples ‘funda’ promete derrotar”, no link https://expressaorondonia.com.br/eleicao-da-capital-esta-sendo-uma-luta-de-davi-versus-golias-na-qual-mais-uma-vez-uma-simples-funda-promete-derrotar/.
* Itamar Ferreira, advogado.



