Por Édson Silveira
Ji-Paraná foi palco, neste fim de semana, de dois encontros que evidenciaram a mobilização do Partido dos Trabalhadores para as eleições de 2026. As atividades reuniram militantes, dirigentes e lideranças políticas em torno do lançamento de candidaturas e da construção de uma estratégia eleitoral para Rondônia.
No galpão da Associação dos Funcionários do INCRA, foram lançadas as candidaturas de Cláudia de Jesus à deputada estadual e Anselmo de Jesus a deputado federal. Na sede do SINTERO, o partido apresentou Fátima Cleide para deputada estadual e Márcia Regina para deputada federal. Os eventos reforçaram a presença do PT no interior e a disposição de ampliar sua representação política no Estado.
Com participação expressiva de militantes e apoio de candidatos do PT e de partidos aliados, os encontros também reuniram nomes que estarão no centro da disputa eleitoral, como os candidatos ao Senado Acir Gurgacz, do PDT, e Luciana Oliveira, do PT, além do candidato petista ao Governo de Rondônia, Expedito Netto. A presença dessas lideranças deu aos eventos dimensão estratégica e sinalizou a articulação do partido para 2026.
Mais do que o tamanho dos eventos, que se mostraram expressivos, é importante observar o que essas mobilizações revelam sobre o momento político do partido. O PT possui candidaturas com trajetórias, bases eleitorais e características diferentes, mas que podem atuar de maneira complementar dentro de uma estratégia estadual e nacional.
Cláudia de Jesus e Fátima Cleide disputam vagas na Assembleia Legislativa, enquanto Anselmo de Jesus e Márcia Regina concorrem à Câmara dos Deputados. É natural que cada candidatura organize sua própria campanha, dialogue com seus apoiadores e procure ampliar sua presença eleitoral. Isso faz parte da democracia interna e da própria dinâmica de uma eleição proporcional.
O fundamental é que essa diversidade não se transforme em divisão. Campanhas diferentes podem — e devem — conviver com objetivos políticos comuns.
Foi justamente essa convergência que ficou evidente nos dois encontros de Ji-Paraná.
A prioridade nacional do PT é a reeleição do presidente Lula. Em Rondônia, o partido trabalha pela eleição de Expedito Netto ao Governo do Estado e pela formação de bancadas representativas no Senado Federal, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
A eleição das bancadas merece atenção especial. Um presidente da República ou um governador precisa de representação parlamentar para transformar propostas em políticas públicas. Por isso, a disputa proporcional não pode ser tratada como questão secundária. Eleger deputados federais e estaduais comprometidos com o mesmo campo programático é parte importante da construção de governabilidade.
Essa deve ser uma das principais mensagens do PT durante a campanha: eleger Lula e Expedito, mas também construir bancadas capazes de sustentar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de Rondônia e à melhoria das condições de vida da população.
Isso significa defender educação e saúde públicas de qualidade, geração de emprego e renda, valorização dos servidores, agricultura familiar, desenvolvimento sustentável, inclusão social e proteção dos segmentos mais vulneráveis da sociedade, mantendo a defesa dos direitos e dos interesses da classe trabalhadora.
Outro aspecto positivo dos encontros foi o ambiente democrático. Não é necessário transformar a legítima disputa entre candidaturas proporcionais em conflitos internos. Cada candidato possui sua trajetória e seus apoiadores, e cabe ao eleitor fazer sua escolha.
O fortalecimento de uma candidatura não precisa ocorrer pela desqualificação de outra. Ao contrário, quanto maior a capacidade das diferentes candidaturas de ampliar o diálogo com a sociedade, maior poderá ser o desempenho eleitoral do conjunto partidário.
Os dois eventos realizados em Ji-Paraná deixam, portanto, uma sinalização política importante. O PT demonstra capacidade de mobilização no interior do Estado e apresenta diferentes candidaturas reunidas em torno de uma estratégia eleitoral comum.
Mas a mobilização, por si só, não será suficiente. O desafio agora é transformar entusiasmo em organização permanente, presença nos municípios, diálogo com os eleitores e propostas capazes de responder aos problemas concretos de Rondônia. Será preciso enfrentar uma disputa marcada pela polarização, pela força de grupos adversários e pela necessidade de reconstruir, junto à população, a confiança no projeto político do partido.
É nesse ponto que Ji-Paraná ganha um significado especial. Os encontros mostraram que o PT tem militância, lideranças e candidaturas dispostas a ocupar o espaço político no Estado. Também mostraram que a pluralidade interna pode ser uma força, desde que esteja subordinada a um compromisso maior: eleger Lula, eleger Expedito Netto e ampliar a representação do partido no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
A eleição de 2026 exigirá mais do que candidaturas competitivas. Exigirá unidade, disciplina, capacidade de diálogo e disposição para construir uma campanha que fale com trabalhadores, servidores, agricultores familiares, juventude, mulheres, empreendedores e com todos os setores que esperam um Estado mais justo, desenvolvido e socialmente responsável.
Ji-Paraná deu o sinal de partida. Agora, o PT de Rondônia precisa transformar essa energia em presença política, organização eleitoral e votos. A combinação entre diversidade interna, unidade política e clareza de objetivos poderá fazer a diferença entre uma mobilização pontual e uma verdadeira força eleitoral em 2026.
Ficam os parabéns às organizações das duas festas da democracia petista.
Édson Silveira, advogado, administrador, professor e articulista político.



