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domingo, setembro 6, 2026
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Acir quer o voto do PT mas adota posições próximas ao bolsonarismo

A tentativa de dialogar simultaneamente com campos políticos opostos pode comprometer sua credibilidade junto ao eleitorado petista

Por Edson Silveira

As recentes declarações de Acir Gurgacz(PDT), revelam uma estratégia eleitoral voltada à conquista de votos em diferentes segmentos políticos. O candidato afirma manter boas relações com Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro e declara pretender os votos tanto do eleitorado lulista quanto do bolsonarista.

Buscar diálogo com diferentes setores é legítimo. O problema surge quando essa aproximação é acompanhada de posições que parecem variar conforme o público ao qual o candidato se dirige.

Em ambientes próximos ao PT, Acir enfatiza a disposição de dialogar com Lula e de colaborar com um eventual governo do campo progressista. Em declarações recentes, porém, criticou a pena aplicada a Jair Bolsonaro, admitiu a possibilidade de apoiar uma anistia e defendeu que o Senado analise pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Acir tem o direito de defender essas posições. No entanto, também deve reconhecer que elas produzem consequências políticas, especialmente entre os eleitores que se identificam com o PT e com o governo Lula.

A questão central não é a defesa da independência parlamentar. Um senador deve exercer seu mandato com autonomia e avaliar cada matéria de acordo com suas convicções. O ponto em discussão é a coerência entre o discurso apresentado ao eleitorado petista e as posições adotadas em temas centrais para a direita bolsonarista.

Quando Acir critica a condenação de Bolsonaro, admite discutir anistia e defende a tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do STF, aproxima-se de pautas que têm sido utilizadas pela oposição bolsonarista para questionar decisões judiciais e instituições democráticas.

Por isso, é legítimo perguntar qual será sua posição política no Senado: a de um parlamentar disposto a integrar a base de Lula ou a de um representante independente que também pretende atender às principais reivindicações do bolsonarismo?

Essa dúvida se torna mais relevante diante do histórico de Acir com o PT. O próprio candidato declarou recentemente que Dilma Rousseff não cometeu crime de responsabilidade. Ainda assim, votou pelo impeachment da presidenta em 2016.

A contradição exige esclarecimento. Se Dilma não cometeu crime de responsabilidade, qual foi a justificativa política para o voto favorável ao seu afastamento?

Para muitos militantes petistas, aquele voto permanece como um episódio de ruptura e de desconfiança. A tentativa de reaproximação com o eleitorado do PT não pode ignorar esse antecedente, tampouco tratá-lo como uma questão superada apenas porque uma nova eleição se aproxima.

A militância petista tem memória política. Sabe distinguir uma aproximação baseada em convicções de uma movimentação motivada por necessidades eleitorais. Por isso, não basta afirmar que será aliado de Lula. É necessário demonstrar, por meio de posições coerentes, qual compromisso pretende assumir com o projeto político que busca representar.

Dialogar com a direita, o centro e a esquerda faz parte da atividade parlamentar. O que precisa ser explicado é como Acir pretende conciliar a promessa de apoio a Lula com declarações que coincidem com pautas defendidas pelo bolsonarismo.

A candidatura não pode apresentar uma posição ao eleitorado petista e outra ao eleitorado conservador sem enfrentar as consequências dessa escolha. O eleitor tem o direito de saber quais princípios orientarão seu mandato e como ele se posicionará diante de conflitos entre o governo eleito, o Congresso e as instituições do Estado.

A confiança política não se constrói apenas com declarações de apoio ou registros de encontros com lideranças. Ela depende de coerência, trajetória e responsabilidade pelas decisões tomadas.

No caso de Acir, o voto pelo impeachment de Dilma continua sendo um elemento relevante para a avaliação da militância petista. As declarações recentes sobre Bolsonaro e o Supremo acrescentam novas dúvidas sobre sua posição política.

Acir pode buscar votos em diferentes campos. Isso faz parte da disputa eleitoral. Mas não pode exigir que o eleitor ignore as contradições entre seu discurso atual e suas decisões anteriores.

O eleitorado petista não é um grupo disponível para alianças circunstanciais. É uma militância que participou de disputas políticas decisivas, enfrentou o impeachment de Dilma, resistiu ao bolsonarismo e apoiou a eleição de Lula para defender a democracia e um projeto de governo.

Por isso, a pergunta que Acir precisa responder não é apenas se pretende apoiar Lula. É se suas posições e sua trajetória justificam a confiança daqueles que agora procura novamente.

Depois do voto pelo impeachment de Dilma e das recentes aproximações com pautas bolsonaristas, a decisão caberá à militância petista. Acir pode solicitar seu apoio, mas não pode presumir que ele esteja garantido.

Na política, declarações podem mudar. A memória dos eleitores, não necessariamente.

Acir perdeu meu VOTO!

 

Edson Silveira – advogado, administrador, professor e membro da Executiva Estadual do PT/RO

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