Com histórico de viradas, disputas apertadas e resultados inéditos, advogado comandou jurídicos de Marcos Rogério e Fernando Máximo em 2026 e relembra atuações nas campanhas vitoriosas de Marcos Rocha, Léo Moraes, Hildon Chaves e Mauro Nazif
Porto Velho, RO – “Não foi sorte. Nunca foi.” É assim que o advogado eleitoralista Nelson Canedo resume uma trajetória construída no centro de algumas das campanhas mais disputadas, improváveis e emblemáticas da política de Rondônia.
Em entrevista exclusiva ao jornalista Yan Simon, do Informa Rondônia, Canedo revisitou eleições que atravessaram mais de uma década e que, em comum, colocaram o jurídico sob pressão máxima. Foram disputas decididas no primeiro turno, viradas expressivas no segundo, confrontos separados por poucos pontos percentuais e campanhas que exigiram atuação simultânea em diferentes frentes.
O capítulo mais recente veio em 2026.

Nelson Canedo coordenou juridicamente, ao mesmo tempo, as campanhas de Marcos Rogério ao Governo de Rondônia e de Fernando Máximo ao Senado Federal. As duas terminaram com resultados históricos.
Marcos Rogério foi eleito governador ainda no primeiro turno, com 56,86% dos votos válidos. Segundo Canedo, o resultado teve dimensão especial porque, em 36 anos de eleições diretas no estado, Rondônia havia decidido uma disputa pelo Governo no primeiro turno apenas uma vez, em uma eleição de reeleição. Fernando Máximo, por sua vez, foi eleito senador com 570.799 votos, tornando-se, conforme relata o advogado, o candidato ao Senado mais votado da história de Rondônia.
“Duas campanhas simultâneas. Duas estruturas. Duas disputas com desafios completamente diferentes. E a responsabilidade de comandar juridicamente ambas até uma vitória histórica”, afirmou.

Para Canedo, no entanto, o peso de uma coordenação jurídica não pode ser medido apenas pelo resultado final. A experiência de 2022, segundo ele, talvez seja uma das que melhor sintetizam o trabalho desenvolvido longe do palanque. Naquele ano, o advogado coordenou o jurídico da campanha de reeleição do então governador Marcos Rocha.
O primeiro turno terminou apertado: Rocha alcançou 38,96% dos votos, contra 36,89% de Marcos Rogério. No segundo turno, a diferença permaneceu estreita. Marcos Rocha venceu com 52,47%, diante de 47,53% de Rogério. Foram 458.370 votos contra 415.278.
“Foi uma das eleições mais difíceis que já acompanhei”, recordou Canedo. Segundo o advogado, a disputa foi acompanhada “voto a voto, município a município, detalhe por detalhe”, inclusive depois das urnas, diante das batalhas jurídicas para preservar os mandatos conquistados.
“Sem esquecer da batalha jurídica para manter os eleitos no mandato. E deu certo”, afirmou.
A relação profissional permaneceu após a eleição. Desde então, Canedo passou a atuar como advogado pessoal de Marcos Rocha.
A política ainda reservaria uma reviravolta particular ao eleitoralista. O adversário enfrentado em 2022, Marcos Rogério, tornou-se quatro anos depois o candidato cuja campanha ao Governo ele próprio coordenaria juridicamente.
“Há uma ironia que só a política proporciona”, resumiu.
Entre uma eleição e outra, veio 2024.

Na disputa pela Prefeitura de Porto Velho, Nelson Canedo assumiu a coordenação jurídica da campanha de Léo Moraes e participou de uma das maiores viradas eleitorais daquele pleito.
Léo terminou o primeiro turno com 25,65% dos votos, quase 19 pontos percentuais atrás da primeira colocada. No segundo turno, virou a disputa e venceu com 56,18%.
De acordo com Canedo, foi a maior virada entre todas as capitais brasileiras que tiveram segundo turno nas eleições municipais de 2024.
Após a vitória, o advogado integrou a equipe de transição do prefeito eleito e permaneceu como advogado pessoal de Léo Moraes.
“Coordenar juridicamente uma campanha nunca foi, para mim, apenas fazer petição”, disse.
A frase ajuda a explicar como Canedo enxerga o papel do advogado eleitoralista. Para ele, o jurídico precisa caminhar ao lado da estratégia política, antecipando crises e agindo antes que um problema cresça.
“É antecipar problema. É entender a estratégia. É proteger a campanha. É decidir rápido quando um detalhe pode mudar o rumo de uma eleição.”
Essa lógica já aparecia em sua trajetória em 2016.

Naquele ano, Canedo reforçou a coordenação jurídica da campanha de Hildon Chaves no segundo turno da eleição para prefeito de Porto Velho.
Hildon havia terminado o primeiro turno com 27,20% dos votos. Na etapa seguinte, alcançou 65,15% e venceu a disputa.
A relação profissional também prosseguiu após as urnas. Nos anos seguintes, Canedo atuou como advogado de Hildon Chaves em questões relevantes da administração municipal.

Quatro anos antes, em 2012, outro cenário aparentemente desfavorável havia colocado o advogado novamente diante de uma candidatura desafiadora. Mauro Nazif chegou à eleição para prefeito de Porto Velho depois de sucessivas derrotas eleitorais. Havia disputado anteriormente duas eleições para a Prefeitura e uma para o Governo de Rondônia.
“Muita gente já não acreditava”, lembrou Canedo.
Nazif, porém, chegou ao segundo turno e venceu com mais de 63% dos votos válidos.
“Foi uma daquelas campanhas que ensinam que, na política, muitas vezes a vitória começa justamente quando quase ninguém mais acredita nela.”
A participação de Canedo continuou depois da eleição. Ele foi nomeado coordenador da equipe de transição de Mauro Nazif, ao lado de Mário Medeiros e de uma equipe técnica responsável pela passagem para a nova administração. Nos quatro anos seguintes, permaneceu como advogado pessoal do prefeito.
Ao olhar para 2012, 2016, 2022, 2024 e 2026, Canedo identifica um padrão: campanhas em que a advocacia eleitoral deixou de ser uma atividade acessória e passou a ocupar posição estratégica dentro da disputa.
“Foram muitas eleições, madrugadas, liminares, recursos, crises, reuniões e decisões tomadas sob pressão”, afirmou.
O advogado diz que os casos lembrados representam apenas parte de sua trajetória. Outras campanhas, vitórias e episódios ficaram fora desse recorte, embora também tenham ajudado a construir sua experiência no Direito Eleitoral. “Quando olho para trás, percebo que minha trajetória no Direito Eleitoral foi construída ao longo dos anos justamente nas campanhas em que o resultado parecia mais difícil, mais improvável ou dependia de detalhes que poucos enxergavam.”
Depois de mais uma eleição encerrada com duas vitórias de grande repercussão em 2026, Canedo prefere relacionar os resultados a uma construção acumulada ao longo dos anos.
“2012. 2016. 2022. 2024. 2026. E essas são apenas algumas das campanhas que marcaram minha trajetória.”
E volta à frase com que resume o caminho percorrido até aqui:
“Nunca foi sorte. Foi uma história construída eleição após eleição, sempre na linha de frente.”



