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domingo, outubro 11, 2026
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Eu vejo o futuro repetir o passado

Por Roberto Kuppê (*)

O Brasil caminha a passos largos a voltar à um passado não tão distante, a era Collor. Há 34 anos nós presenciamos o afastamento do primeiro presidente eleito após a redemocratização do país. Fernando Collor de Mello foi afastado em 2 de outubro de 1992 após sofrer impeachment por corrupção.

Em meados de 1989 eu havia escrito e assinado um artigo intitulado “O caçador de maracujás”, publicado no lendário e extinto jornal Alto Madeira, quando o saudoso Ivan Marrocos era editor. Mesmo residindo em Porto Velho, longe das grandes decisões políticas, eu obtive informação de minha irmã Marli que residua em Maceió, sobre quem era de verdade Fernando Collor de Mello.

Nesse artigo alertei sobre o perigo que seria a eleição de Collor. Naquela eleição tinha Ulisses Guimarães, Mário Covas, Lula, Brizola, Caiado, Paulo Maluf e até Enéias Carneiro como candidatos. Porém o eleitor escolheu o candidato midiático, alto, bonito, rico e, especialmente, por bradar a pleno pulmões que ia combater a corrupção. Collor, nos primeiros dias de governo confiscou a poupança da população. Levou centenas de pessoas à miséria e ao suicídio. Dois anos depois o irmão, Pedro Collor, denunciou o então presidente de, ao lado de Paulo César Farias, o PC Farias, praticar corrupção no governo..

Eclodiu-se manifestações por todo o Brasil. Os cara-pintadas liberados pelo jovem Lindbergh Farias levaram Fernando Collor à derrocada final.

O documentário “Caçador de Marajás”, lançado em 2025 pela Globo Play é uma aula de história e precisa ser visto por todos, principalmente por jovens bolsonaristas que estão prestes a eleger o novo Fernando Collor de Mello, mesmo com tantas informações e evidências de corrupção sobre Flávio Bolsonaro.

Observem a semelhança entre as marcas do logotipo de Flávio e Collor (foto da capa). As mesmas cores. Nos discursos, os mesmos trejeitos. Tudo igual. Em publicação oficial, o Partido dos Trabalhadores (PT) compartilhou na quinta-feira (8) uma imagem que compara o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-presidente Fernando Collor. A postagem também conta com a colaboração do perfil do presidente Lula no Instagram.

Com a frase “às vezes o futuro pode ser uma volta ao passado”, o PT associa o chamado “Plano Collor” à proposta de “Tesouraço” defendida por Flávio Bolsonaro durante a campanha.

O plano de Collor, lançado em 1990, previa o controle da hiperinflação com o confisco de saldos bancários e poupanças, mas a medida resultou em quebra de empresas, desemprego e enorme desgaste político.

Se eleito, Flávio Bolsonaro poderá até não ser impitimado por ter a maioria no Congresso Nacional, mas seu governo será marcado pela mais vergonhosa corrupção que este país já teve. Flávio Bolsonaro é corrupto e todos já sabem disso. Não vão poder dizer “ah, eu não sabia”, como ocorreu com Collor. Naquele tempo não tinha redes sociais. A Internet era incipiente e não tinha celular. Em 2026, as redes sociais juntamente com a Inteligência Artificial, não deixam passar nada.

Não será por falta de informação que o eleitor vai votar errado. Muito pelo contrário, o eleitor sabe exatamente em quem está votando. Sabem que Flávio Bolsonaro é bandido. Sabem! Mas por que votam nele mesmo assim? Não era nem para ter sido candidato. O pai tentou um golpe de estado em 8 de janeiro de 2023. Foi condenado a 27 anos de prisão.

Recentemente Flávio deu declarações inquietantes. Disse que, se eleito vai mudar a Constituição Federal e governar por mais de dez anos. Ao mesmo tempo diz que será contra a reeleição. Claro, a família Bolsonaro tem mais três que poderão disputar a presidência futuramente, além da madrasta Michele Bolsonaro que foi eleita senadora da República. Se eleito, terá maioria no Congresso Nacional para fazer o que quiser. E o fará.

Nos projetos de Flávio Bolsonaro não terá espaço para Tarcísio de Freitas que almeja disputar a presidência em 2030. Nem para Nikolas Ferreira. Ambos vão perceber isso. Se é que já não perderam. Por estas e outras, não dou um ano para Tarcísio de Freitas romper com Flávio Bolsonaro, caso seja eleito, claro. Mesmo porque, uma vez na presidência da República, Flávio Bolsonaro vai dar uma banana para suas promessas de campanha no que concerne a reeleição.

A reeleição de Lula será o melhor para quem deseja disputar as próximas eleições presidenciais. Com Flávio na presidência, não terá pra ninguém. Quer salvar o Brasil de um novo Collor? Dá um Google. Hoje, domingo, 11 de outubro de 2026, o povo vai às ruas em todo o Brasil na última tentativa de ver este país vivo numa democracia.

Cazuza estava certo: “Eu vejo o futuro repetir o passado”. O tempo não para.

P.S. Por favor. Eu não quero daqui a quatro anos escrever um artigo intitulado “Eu avisei”.

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

Contato: [email protected]

O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Mais RO não tem responsabilidade legal pela opinião, que é exclusiva do autor.

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