35 C
Porto Velho
segunda-feira, outubro 26, 2026
spot_img
spot_img

Lula vence com o povo nas ruas e a esperança em movimento

Por Edson Silveira

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo, 25 de outubro, ultrapassa a conquista de seu quarto mandato. Com 51,79% dos votos válidos e uma vantagem superior a 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro, Lula demonstrou capacidade de reação e renovou sua ligação com o povo brasileiro. Depois de terminar o primeiro turno atrás do adversário, construiu uma virada histórica.

Na minha avaliação, seu maior mérito foi combinar experiência política com disposição para renovar a campanha. Sua trajetória ganhou força quando encontrou a energia da mobilização popular. A confiança voltou a circular entre os apoiadores, e a possibilidade da vitória passou a alimentar o trabalho necessário para conquistá-la.

A juventude merece destaque nessa caminhada. Sua presença nas manifestações, sua criatividade e sua disposição para ocupar o debate público deram novo fôlego à campanha. No discurso da vitória, o próprio Lula reconheceu o papel dos jovens na defesa da democracia. Esse reconhecimento precisa ter continuidade: quem ajudou a construir o resultado deve encontrar espaço para participar das decisões do país.

Também devemos valorizar os brasileiros com 60 anos ou mais. Essa geração carrega experiências de trabalho, dificuldades e conquistas que dão profundidade ao debate político. Seu envolvimento merece reconhecimento pelo compromisso com o presente e com o futuro de filhos e netos. A importância dessa participação vai além de qualquer cálculo eleitoral: expressa a disposição de continuar contribuindo para os rumos do Brasil.

O encontro entre gerações fortalece a democracia. A juventude traz novas linguagens e inquietações; os mais velhos acrescentam memória e experiência. Quando essas forças dialogam, a política amplia sua capacidade de alcançar pessoas que já não se sentiam representadas.

A ocupação das ruas foi uma das marcas dessa reação. As manifestações do segundo turno, com presença estudantil e grandes concentrações populares, mostraram disposição para disputar a eleição até o último momento. A rua permite o encontro, a conversa e a percepção de que uma escolha individual faz parte de uma construção coletiva. Cada participante pode voltar para casa com mais coragem para conversar com familiares, amigos e vizinhos.

Nas redes sociais, a campanha também encontrou impulso. O canal Exército do Lula, coordenado pelo deputado federal André Janones, aproximou-se de 11 milhões de seguidores no WhatsApp e ajudou a organizar o engajamento dos apoiadores. A mobilização digital ganhou direção e ligação com as atividades presenciais.

Janones merece reconhecimento por essa contribuição. Sua atuação demonstrou a importância de uma comunicação que envolve as pessoas e lhes oferece formas de participação. A experiência deixa uma lição para o campo progressista: é preciso ocupar os espaços digitais com constância, criatividade, linguagem compreensível e compromisso com informações verificadas.

As ruas e as redes se alimentaram mutuamente. O entusiasmo das manifestações circulou pelos celulares; a convocação digital estimulou a participação presencial. Essa conexão ajudou a transformar simpatia em envolvimento e disposição em trabalho político.

A diminuição da abstenção também é significativa. O índice caiu de 21,08% no primeiro turno para aproximadamente 19,2% no segundo. Minha leitura é que a disputa recuperou o interesse de parte do eleitorado e reforçou a percepção de que comparecer poderia fazer diferença. Seria precipitado atribuir esse movimento inteiro a uma única iniciativa, mas ele evidencia o valor da mobilização e do diálogo com quem estava distante da eleição.

Nesse cenário, é lamentável a declaração de Flávio Bolsonaro de que não reconhece o resultado e pretende pedir a anulação da eleição. Segundo a Agência Brasil, ele questionou a prorrogação do horário de votação, medida que também havia sido solicitada por sua própria campanha. A contradição exige explicação.

Recorrer às instituições exige fundamentos verificáveis e responsabilidade com as consequências do discurso público. A frustração de uma candidatura não autoriza o desrespeito à escolha dos eleitores. Quem disputa a Presidência precisa demonstrar grandeza também diante da derrota. A democracia exige esse compromisso de vencedores e vencidos.

Lula recebe das urnas uma responsabilidade imensa. A mobilização que o reelegeu traz expectativas de melhores condições de vida, serviços públicos de qualidade e oportunidades. O quarto mandato precisará corresponder a essa confiança com escuta, trabalho e resultados.

A esperança que ocupou as ruas e ganhou força nas redes agora precisa participar da construção do governo. O povo que fez a virada quer continuar sendo ouvido.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor e membro da Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores de Rondônia.

Referências essenciais: resultado eleitoral e abstenção — Folha de S.Paulo; mobilização digital e participação da juventude — UOL; declaração de Flávio Bolsonaro — Agência Brasil. (www1.folha.uol.com.br, noticias.uol.com.br, noticias.uol.com.br, agenciabrasil.ebc.com.br)

Últimas

- Publicidade -
- Publicidade -

Relacionadas