Meteorologistas do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) e Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ambos órgãos oficiais, alertam para a possibilidade de tempo severo a partir deste domingo (01) em parte do Brasil.
São esperadas tempestades com precipitação de até 60 milímetros por hora, rajadas de vento de até 100 km/h, além de muitos raios e granizo.
“No domingo (01/10), um novo cavado em níveis médio deverá se deslocar de oeste sobre a Argentina, e a advecção de vorticidade ciclônica na vanguarda deste sistema, deverá favorecer a queda de pressão em superfície, dando origem a uma nova onda frontal. A frente fria associada a este sistema deverá provocar forte instabilidade sobre o RS e oeste dos estados de SC e PR, além do sul de MS. Na segunda-feira (02/10), a frente fria deverá continuar avançando sobre o o Brasil e a tendência é que esse deslocamento gere forte instabilidade entre o MS, centro-sul do MT e de RO, sul de GO, norte e centro-leste do PR, centro-leste de SC, grande parte de SP, triângulo e sul/sudeste de MG. “
Conforme descrito pelo Cptec/Inpe, um cavado – área alongada de baixa pressão – estará cruzando a Argentina e influenciará as condições meteorológicas rapidamente também na Bolívia, Paraguai, Uruguai, além do centro-sul do Brasil.
A carta sinótica de altitude desenvolvida pelo Cptec/Inpe às 6 horas (UTC), 3 horas (Brasília), mostrou o deslocamento do cavado sobre a América do Sul.

No mesmo horário, a carta de superfície evidenciou o deslocamento do cavado entre a Argentina e o Uruguai, onde tormentas foram registradas.

Logo pela manhã, a linha de instabilidade (LI) principal do sistema avançou com força sobre municípios do Uruguai. No departamento de San José, a LI produziu uma extensa nuvem prateleira que antecedeu chuva pesada, granizo e fortes rajadas de vento.


A imagem gerada pelo satélite Geostationary Operational Environmental Satellite (GOES) 13 às 8h15min mostrou topos de nuvens com temperatura muito baixa, o que indica desenvolvimento vertical, avançando pela Argentina e Uruguai rumo ao Rio Grande do Sul.

A imagem integrada dos radares meteorológicos de Santiago, no Rio Grande do Sul e Santa Fé, na Argentina, mostrou a organização da LI principal sobre os departamentos uruguaios de Artigas e Salto, com deslocamento para o sudoeste e sul gaúcho.

Em Rosário, capital da província argentina de Santa Fé, dados de Meteorological Aerodrome Report (METAR) do aeroporto local reportaram chuva forte com trovões e rajada máxima de vento de 94,5 km/h às 2h50min (local) deste domingo. A pressão atmosférica mínima chegou a 996 hPa, valor considerado baixo.

As mais diferentes simulações numéricas concordam para a possibilidade de um “outbreak”, ou seja, um “surto” de tempo severo em vários estados do Brasil nas próximas 24 horas, inclusive com valores sugestivos para tormentas mais graves, o que poderia impactar a população, principalmente com danos materiais generalizados.
Embora os órgãos oficiais brasileiros não traduzem essas variáveis – talvez pela mentalidade de não apavorar a população – como fazem países onde a meteorologia é levada a sério e tem muito mais credibilidade, não seria inédito que pontos especialmente de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo experimentassem tempestades severas nas próximas horas dadas às condições que alimentam os sistemas.
Um dos ingredientes principais para a rápida instabilização do tempo e o aumento da possibilidade de tormentas ao longo deste domingo e da segunda-feira (02) sobre o Brasil é o comportamento do Jato de Baixos Níveis (JBN).
Esse máximo de ar quente que parte da Amazônia e sempre escoa à leste da Cordilheira dos Andes serve como potencializador das áreas de baixa pressão e neste momento há uma baixa pronunciada na região do Chaco, entre a Bolívia e Paraguai, com valores que tendem a cair para 995 hPa nas próximas horas. O escoamento do JBN sobre a Baixa do Chaco seria como “jogar gasolina na fogueira”, descrevem alguns meteorologistas previsores.
As imagens abaixo são do modelo norte-americano Global Forecast System (GFS) que mostra o escoamento do JBN sobre o nível de 850 hPa (aproximadamente 1.500 metros de altitude).



Os índices de instabilidade também estarão elevados dado o horário – meio da tarde, máxima radiação solar, logo aquecimento – e ao deslocamento e intensificação da baixa. A projeção abaixo indica valores de Convective Available Potential Energy (CAPE) projetados pelo modelo COSMO, do Inmet.







Para método de comparação dos mapas acima, veja os valores referência para os índices CAPE e K para o comportamento atmosférico.

Outros parâmetros de instabilidade atmosférica também indicam a possibilidade de tormentas, inicialmente no centro-sul do Brasil, além do Paraguai e nordeste da Argentina, nas próximas horas, como valores de Showalter, Lifted e Total Totals, também gerados pelo modelo COSMO. Eventos mais severos, deste modo, não podem ser desconsiderados.










O modelo também desenha o cenário para a rajada máxima de vento, que em vários pontos, pode beirar ou até mesmo superar 80 km/h.
A unidade de medida nos mapas abaixo é em metros por segundo (m/s), de modo que um m/s equivale a 3,6 km/h.
Portanto, na escala do modelo, os valores correspondem a 14 m/s (50,4 km/h), 17 m/s (61,2 km/h), 20 m/s (72 km/h), 25 m/s (90 km/h), 28 m/s (100,8 km/h) e 32 m/s (115,2 km/h).










A projeção abaixo mostra a taxa de precipitação acumulada a cada três horas feita pelo modelo European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF).
Vários municípios podem contabilizar valores acumulativos, acima de 30 milímetros por dia, e com total acumulado de até 100 mm, conforme o deslocamento da banda extensa e intensa de nebulosidade.
Conforme indicado pelo modelo, o eixo principal da LI levará chuva e vento forte, além de muitos raios e possibilidade de granizo, entre o início da noite de hoje e a próxima madrugada para municípios desde o sul do Rio Grande do Sul até o sudoeste de Mato Grosso.
No decorrer desta segunda-feira, a faixa de chuva e vento atravessará os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo chegando ao Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais (oeste, sudoeste e sul), Rondônia e sul de Tocantins.













Já a projeção de precipitação acumulada feita pelo modelo GFS indica que até à 0 hora de terça-feira (03), o volume de chuva supere 100 mm em boa parte de Mato Grosso do Sul e Paraná, com destaque para municípios do noroeste e norte paranaense, onde taxas maiores podem ser registradas.
Apesar dos danos em que esse surto de tempestades poderá causar, a chuva será de grande valia para extinguir os focos de queimadas que seguem ativos, principalmente em Goiás, Mato Grosso e Rondônia.

Os órgãos oficiais de meteorologia disseminam os avisos e as Defesas Civis, estaduais e municipais, tomam as devidas medidas para minimizar possíveis danos em decorrência desta onda de tempo severo, que atravessará o Brasil nas próximas 24 horas. Em caso de emergência, solicite auxílio pelo Corpo de Bombeiros ou Defesa Civil local.
(Crédito das imagens: Pablo Rodrigues/San José/Uruguai – Reprodução/Cptec/Inpe – Reprodução/Inmet – Reprodução/Ventusky – Reprodução/Windyty)
(Fonte da informação: De Olho No Tempo Meteorologia)




