24 C
Porto Velho
sexta-feira, janeiro 30, 2026
spot_img
Publicidade

Coluna Peripécias

Por Augusto Lacerda

Entre o pedágio, a cruz, o palanque e o teclado

Se a política rondoniense fosse uma cena bíblica, a BR-364 seria o Calvário, o pedágio o martelo e a opinião pública a multidão em volta da cruz. Em poucos meses, nossa principal rodovia deixou de ser apenas estrada e virou símbolo do que há de mais previsível na política: indignação tardia e fuga organizada da responsabilidade.

O que diz a lei — e o que diz o palanque

A concessão da BR-364 não surgiu por milagre nem por emboscada. É um ato do Executivo federal, via Ministério dos Transportes e ANTT. O Congresso não vota concessões, mas tem o dever de fiscalizar, acompanhar e propor ajustes. Quando parlamentares dizem que “não sabiam”, o problema não é jurídico — é político. Em ano eleitoral, a técnica perde espaço para o discurso fácil.

 A cruz tem muitos responsáveis

Nesse cenário, o senador Confúcio Moura foi empurrado para o centro da arena. Defendeu a concessão, presidiu comissão estratégica e assumiu posição pública — o que gera ônus político legítimo. O que não se sustenta é transformá-lo em culpado solitário. Confúcio foi crucificado politicamente por colegas que também representam o estado e tem responsabilidades, mas que, diante da pressão popular e da proximidade das eleições, optaram por empurrar a cruz para um só ombro. Não foi debate técnico nem correção de rota. Foi cálculo político do mais sórdido: sacrificar um nome forte para preservar projetos pessoais e limpar a própria biografia eleitoral. Mas o eleitor tudo vê e tudo enxerga. Eleições 2026 vai surpreender muita gente. O silêncio vai falar mais alto. O barulho, será apenas ruído.

 Lavar as mãos também é escolha

Aqui a analogia religiosa não exagera. Todos estavam no pátio, todos acompanharam o processo. Mas, na hora da sentença, muitos preferiram lavar as mãos e gritar da multidão. Não por convicção — por conveniência.

Eleições: o tabuleiro começou a mexer

A disputa pelo Governo de Rondônia em 2026 já saiu dos bastidores. Adailton Fúria, prefeito de Cacoal, aparece bem avaliado e consolidado. O senador Marcos Rogério de Ji-Paraná (um pouquinho queimada na sua região), segue competitivo, com base eleitoral estruturada.

 O nome que bagunçou o jogo

A surpresa atende pelo nome de Delegado Flori, prefeito de Vilhena. Em poucos dias, bem colocado nas pesquisas. Crescimento raro, daqueles que tiram o sono dos adversários. O Cone Sul resolveu entrar no jogo — e entrou com força e com apoio de um dos prefeitos mais bem avaliado, Léo Moraes.

 Assembleia: promessa de renovação, risco de repetição

Na Assembleia Legislativa, deputados tradicionais sentem o desgaste enquanto novos nomes tentam ocupar espaço. Renovar pode ser necessário. Mudar práticas é obrigatório. O problema é que pode trocar 6 por meia dúzia.

Turismo: beleza não sustenta descaso

A Madeira-Mamoré fala sozinha

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é história viva. O pôr do sol dispensa adjetivos. É patrimônio capaz de atrair turistas do Brasil e do mundo.

 O problema começa no atendimento

Parte dos comerciantes dos quiosques age como se estivesse fazendo favor ao visitante. Falta preparo, sobra improviso. Turismo é serviço, não improvisação.

 O primeiro contato define tudo

E tudo começa no Aeroporto Jorge Teixeira, nosso portal de entrada. Sem acolhimento, a experiência já nasce comprometida. Treinamento não é luxo — é estratégia.

Redes sociais: a esquizofrenia coletiva

Uma metáfora necessária

Não é diagnóstico clínico, é metáfora social: vivemos uma esquizofrenia coletiva nas redes.

 O duplo comportamento

O mesmo cidadão que pede empatia lincha. O que se diz cristão crucifica. O que clama por justiça espalha desinformação.

O debate adoeceu

Não falta opinião. Falta responsabilidade. Enquanto confundirmos liberdade de expressão com licença para o ódio, o debate seguirá doente.

Fofoca da semana: quando o samba vira tribunal

Mistura que incomodou

O encontro de Paolla Oliveira e Virgínia Fonseca na mesma escola de samba foi o suficiente para a internet entrar em curto-circuito.

 O preconceito disfarçado de opinião

Paolla virou símbolo da “tradição”. Virgínia, do “novo”. Como se o samba não fosse, desde sempre, mistura e contradição.

Quem não lidou bem com isso foi a plateia

A polêmica disse menos sobre elas e mais sobre nossa dificuldade de conviver com o diferente.

Peripécia final

Barulho não é debate

Rondônia não carece de temas — carece de maturidade. Entre pedágios, palanques, cruzes políticas, tribunais virtuais e pores do sol desperdiçados, seguimos confundindo indignação com responsabilidade.

Estrada, política e sociedade exigem direção

Sem isso, continuaremos erguendo cruzes — sempre para os outros — enquanto todos seguem responsáveis pelo caminho.

Até a próxima peripécia.

 

 

Últimas

- Publicidade -

Relacionadas