Por Roberto Kuppê (*)
Maduro diz que é inocente
“Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente.” Foi assim que o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, se declarou ao comparecer, no início da tarde de ontem, a um tribunal federal em Manhattan, em Nova York. Convidado pelo juiz a se identificar, falou em espanhol, disse ser o presidente da República da Venezuela e afirmou estar ali “sequestrado”. Responsável pelo caso, o juiz Alvin Hellerstein interrompeu a fala e garantiu que haveria “tempo e lugar para abordar tudo isso”. A audiência, que durou cerca de 40 minutos, marcou o início do processo judicial contra Maduro e sua esposa, Cilia Flores, nos Estados Unidos. Ambos foram formalmente apresentados às acusações de narcoterrorismo e conspiração para tráfico internacional de cocaína. Questionada pelo juiz, Flores sustentou ser “inocente, completamente inocente”. A próxima sessão foi marcada para 17 de março. (BBC)
Trump manda na Venezuela
Em entrevista à NBC News, Donald Trump afirmou que a Venezuela não terá novas eleições nos próximos 30 dias. “Temos que consertar o país primeiro. Você não pode ter eleições. Não há como o povo votar.” Trump disse que os EUA podem subsidiar um esforço das empresas petrolíferas para reconstruir a infraestrutura energética do país — um projeto que pode demorar menos de 18 meses. “Acho que podemos fazer isso em menos tempo, mas custará muito dinheiro”, disse o americano. Ele também insistiu que os EUA não estão em guerra com a Venezuela. Na entrevista de cerca de 20 minutos, Trump apontou um grupo de autoridades dos EUA — incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário da Defesa Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca Stephen Miller e o vice-presidente JD Vance — que ajudarão a supervisionar o envolvimento dos EUA na Venezuela. Mas, pressionado sobre quem está no comando do país, ele respondeu prontamente: “Eu”. (NBC News)
Delcy Rodríguez tomou posse
Na capital venezuelana, Caracas, Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina em uma cerimônia na Assembleia Nacional. A nomeação decorre de uma decisão do Supremo Tribunal do país, que determinou que Rodríguez assumisse o comando do Executivo por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado. A solenidade contou com a presença da embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira. (Folha)
Delcy Rodríguez determina
O atual governo da Venezuela ordenou que a polícia “inicie imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”. O decreto está em vigor desde sábado, mas foi publicado na íntegra nesta segunda. (g1)
Regime chavista se manteve
O regime se manteve e já é alvo de denúncias de repressão. O Sindicato Nacional de Trabalhadores de Imprensa (SNTP) da Venezuela afirmou que 14 jornalistas e profissionais da imprensa foram presos dentro e nos arredores da Assembleia Nacional, onde houve a abertura do ano legislativo e as posses de parlamentares e da presidente interina. A entidade pediu a libertação imediata dos profissionais e afirmou que a repressão inviabiliza qualquer transição democrática. (CNN Brasil)
Regime chavista se manteve 2
“Até segunda-feira, todas as autoridades do governo venezuelano, com exceção de Maduro, pareciam ter permanecido em seus cargos, incluindo o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, que controla a polícia e era conhecido como um dos homens de confiança mais temidos de Maduro. Para Donald Trump, a preservação de algo próximo ao status quo faz sentido, visto que seu objetivo é a extorsão, não a transformação política. Como um funcionário do governo me disse, há ‘algo revigorante em Trump simplesmente dizer: Sim, vamos pegar o petróleo’”. (Michelle Goldberg-New York Times)
Tiros no Palácio Miraflores
Durante a noite, tiros assustaram os vizinhos do Palácio Miraflores, em Caracas. Segundo fontes, forças de segurança dispararam contra drones não identificados que se aproximavam do prédio. A Casa Branca negou envolvimento no incidente. (g1)
Maduro negociou saída
Com o cerco dos EUA se fechando no fim de novembro, Nicolás Maduro negociou com aliados uma saída da Venezuela. Segundo relatos ouvidos pela Folha em Moscou, o ditador acertou com o presidente de Belarus, Aleksandr Lukachenko, um exílio no país, com apoio da Rússia. Maduro preferia ir para Moscou, mas Vladimir Putin teria recuado para não melindrar Trump em meio às negociações sobre a Guerra da Ucrânia. A oferta de exílio, segundo as fontes, segue de pé. (Folha)
Conselho de Segurança da ONU
A operação militar americana foi discutida em uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU. O embaixador russo, Vasily Nebenzya, classificou a ação como “criminosa” e acusou Washington de buscar a apropriação de recursos energéticos da Venezuela. A China disse estar “profundamente chocada” e sustentou que nenhum país tem autoridade para atuar como polícia internacional. O Brasil também condenou a ação: o embaixador Sérgio Danese afirmou que não é aceitável o argumento de que “os fins justificam os meios”. O embaixador americano Mike Waltz afirmou que “não há uma guerra contra a Venezuela ou seu povo” e descreveu a ofensiva como uma operação de cumprimento da lei, ponderando que Maduro não seria um líder legítimo. Já o representante venezuelano pediu que o Conselho impeça qualquer apropriação de recursos naturais do país e exigiu a libertação imediata de Maduro e de Cilia Flores. (g1)
Trump ameaça outros países
Mas Trump segue ameaçando outros países de intervenção. E a primeira-ministra da Dinamarca afirmou que o presidente Trump “deve ser levado a sério quando diz que quer a Groenlândia”, um dia depois de o americano ameaçar tomar o território dinamarquês. Mette Frederiksen classificou as ameaças como uma “pressão inaceitável”. “Se os Estados Unidos decidissem atacar outro país da Otan, tudo acabaria. A comunidade internacional como a conhecemos, as regras democráticas do jogo, a Otan, a aliança defensiva mais forte do mundo — tudo isso entraria em colapso.” Gustavo Petro, presidente da Colômbia, também reagiu à retórica bélica de Trump com relação a seu país. Numa longa publicação no X, Petro disse que “pediu ao povo que defendesse o presidente contra qualquer ato violento ilegítimo”. (New York Times)
Banco Master
O Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou uma inspeção no Banco Central (BC) para apurar os procedimentos adotados na liquidação do Banco Master. A decisão foi formalizada ontem pelo presidente da Corte, Vital do Rêgo, após determinação do relator, Jhonathan de Jesus, que apontou insuficiência na documentação enviada pelo BC e pediu atuação urgente da área técnica. A inspeção deve analisar alertas prévios, medidas de supervisão e eventuais alternativas à liquidação, abrindo espaço para uma possível reversão do processo e a devolução do banco ao dono Daniel Vorcaro, preso após a descoberta de uma fraude de R$ 12,2 bilhões. Nos bastidores, porém, o relator não teria maioria no TCU para desfazer a decisão do BC. Ainda assim, aliados de Vorcaro apostam em uma reversão ainda neste mês, segundo o colunista Lauro Jardim. Em maio do ano passado, como conta Malu Gaspar, Jesus havia negado um pedido de inspeção feito pelos técnicos do TCU, mas para investigar a “omissão ou demora” do BC em identificar os problemas no Master. (Globo)
Eleições 2026
Rondônia, eleições. O ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (PSDB), não será mais candidato ao governo de Rondônia, jogou a toalha e foi esquiar em Aspen, Colorado (EUA). Segundo fontes, será candidato a deputado federal. É possível ser eleito e até ser um bom parlamentar. Melhor que os que estão lá agora, com certeza.
Pedágio: indignação tardia da bancada
Após Inês morta, reação da bancada federal de Rondônia surge apenas quando a concessão da BR-364 entra em fase de cobrança. A divulgação recente de uma nota da bancada federal contra a cobrança de pedágio na BR-364 expõe, mais uma vez, um velho problema da política brasileira: a indignação que só aparece quando o fato está consumado — e, curiosamente, em ano eleitoral.
Pedágio: indignação tardia da bancada 2
O pedágio na principal rodovia do estado não surgiu de forma repentina nem inesperada. Ele é resultado de um processo de concessão iniciado ainda no governo Jair Bolsonaro, período em que a privatização de ativos públicos era tratada como solução mágica para todos os problemas de infraestrutura. Naquele momento, a maioria dos parlamentares que hoje protestam não ofereceu resistência efetiva, tampouco mobilizou a sociedade rondoniense para discutir os impactos econômicos e sociais desse modelo.
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Agora, com a concessão em fase de implementação e a população prestes a sentir o peso da cobrança no bolso, a bancada divulga uma nota afirmando que “Rondônia foi desrespeitada” e que buscará medidas judiciais para barrar os pedágios. A pergunta que se impõe é simples e direta: por que essa reação não ocorreu quando ainda havia tempo para interferir de forma decisiva no processo?
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Fingindo esquecimento e fazendo cara de paisagem, o senador Jaime Bagatolli (PL-RO) cobrou sabe de quem pelo pedágio? Do colega Confúcio Moura! É muita cara de pau.
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A ausência de enfrentamento político durante a fase de modelagem e aprovação da concessão não pode ser ignorada. O silêncio ou a conivência naquele momento contribuíram diretamente para o cenário atual. A tentativa de se apresentar agora como defensores do povo soa, no mínimo, contraditória — e, no máximo, como uma estratégia para tentar se descolar de uma decisão impopular.
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É importante destacar que a BR-364 não é uma rodovia qualquer. Trata-se do principal corredor logístico de Rondônia, essencial para o escoamento da produção, o abastecimento das cidades e a mobilidade da população. Qualquer decisão que impacte essa estrada deveria ter sido amplamente debatida, com participação ativa dos representantes eleitos. Isso, infelizmente, não ocorreu na intensidade necessária.
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A crítica aqui não é à divergência política em si — divergências são legítimas e fazem parte da democracia. O problema está na postura tardia, que surge apenas quando o desgaste político é inevitável e o calendário eleitoral se aproxima. Notas públicas e discursos inflamados não substituem ações concretas no momento certo.
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Diante desse cenário, cabe aos eleitores de Rondônia exercerem um papel fundamental: avaliar com cuidado a atuação de seus representantes. Mais do que palavras, é preciso observar quem age preventivamente, quem assume posições coerentes ao longo do tempo e quem só se manifesta quando o prejuízo já está imposto à população. As eleições de 2026 se aproximam. Que o debate sobre o pedágio da BR-364 sirva de alerta para escolhas mais conscientes, baseadas em responsabilidade, coerência e compromisso real com os interesses do estado e do país. As informações são de Edson Silveira, advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO.
Economia em hospitais públicos
Revisão de processos e treinamento de pessoal. Esses foram os pontos centrais para economizar cerca de R$ 151 milhões em hospitais públicos, segundo dados do Ministério da Saúde em parceria com instituições privadas filantrópicas. Em dois anos, a iniciativa reduziu em 26% as infecções em UTIs nos 285 hospitais participantes, poupando recursos financeiros que podem ser investidos em outras necessidades do sistema. O projeto conta com alguns dos melhores centros de saúde do país, como Einstein Hospital Israelita, Moinhos de Vento e Sírio Libanês, que transmitem conhecimentos à rede pública em troca de imunidade tributária. (Folha)
Stranger Things
A Netflix vai lançar um documentário sobre os detalhes da última temporada de Stranger Things. Dirigido por Martina Radwan, One Last Adventure: The Making of Stranger Things 5 estreia em 12 de janeiro no streaming oferecendo “um olhar íntimo” sobre a produção do capítulo final da série. Em um trailer divulgado nesta segunda-feira, é possível ver a emoção durante a leitura do roteiro, fotos do elenco jovem dos primeiros dias, bastidores da sala dos roteiristas e trechos de gravações das cenas. A ideia dos irmãos Duffer, criadores da série, é mostrar como funciona o dia a dia de uma grande produção. (Variety)
Gilberto Gil
Um dos marcos da Tropicália, a música Domingo no Parque, de Gilberto Gil, recebe uma adaptação para o teatro dirigida por Alexandre Reinecke, em cartaz em São Paulo. A peça apresentada no Teatro Claro politiza a história de João, José e Juliana, retratada na música de forma fragmentada. No musical, Juliana é cantora e ativista contra a ditadura, tem um filho com João, que cria a criança sozinha, e inicia um romance com José, provocando um conflito que acaba em tragédia entre os dois amigos. A direção musical é de Bem Gil, filho do cantor. A trilha sonora conta com 20 músicas de Gil e de artistas como Dominguinhos, Jorge Ben Jor, Chico Buarque e Tom Jobim. (Folha)
Breakfast
Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e do Brasil.
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político, com informações do Canal Meio
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