Por Roberto Kuppê (*)
A coluna de hoje traz duas entrevistas com o empresário e reitor da Unopar, Dr Paulo Andrade. A primeira, concedida à Coluna Zona Franca e, a segunda, ao podcast Política com Café, apresentado pelo publicitário Dejanir Haverroth. Nos últimos dias o nome dele vem sendo ventilado como possível pré-candidato ao governo de Rondônia. Sem partido, Paulo Andrade participou apenas de uma eleição. Foi em 1982, a vereador pelo então PMDB. Nas entrevistas ele conta a trajetória dele, de engraxate no Rio de Janeiro à próspero empresário em Rondônia. Lisonjeado e agradecido pelo convite para disputar o governo, PA ainda não se decidiu oficialmente. Mas, segundo ele próprio, pode ter chegado a hora dele prestar um grande serviço pelo estado que lá na década de 70 ajudou a construir. Leia e assista a entrevista.
Paulo Andrade, 76, nasceu na década de 50, no Rio de Janeiro, mas é rondoniense por escolha e por coração, e fez do Estado o palco de sua vida pessoal, profissional e pública. É casado há mais de 50 anos com Sonja Andrade, sua companheira de todas as jornadas. Juntos, formaram uma família que considera seu maior patrimônio: seus filhos Fábio, Paula e Renata, (hoje advogado, médicas e empreendedores) são motivo permanente de orgulho.
Oriundo de uma família simples, Paulo Andrade é filho de um taxista e de uma professora, e desde muito cedo, aprendeu que dignidade e futuro se constroem com trabalho. Aos oito anos de idade, começou a trabalhar como engraxate; mais tarde, lavou carros para ajudar no sustento da casa. Sua infância com limitações e dificuldades também foi o impulso de quem desejava ir além. Aos 14 anos, tornou-se o mais jovem contratado da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, experiência que lhe ensinou disciplina, responsabilidade e visão estratégica.
Paulo Andrade chegou a Rondônia, quando o Estado ainda dava seus primeiros passos, marcado por extensas áreas de floresta, estradas de terra e infraestrutura precária. Foi ali que Paulo Andrade criou raízes profundas e participou ativamente da construção do novo Estado brasileiro. Paulo atuou na gestão de uma madeireira, fundou uma transportadora de combustíveis e, posteriormente, tornou-se distribuidor da Coca-Cola em praticamente todos os municípios rondonienses, de Ji-Paraná a Vilhena. Ao longo desse percurso, testemunhou o nascimento, o crescimento e a transformação de diversas cidades.
Com o passar dos anos, novos caminhos se abriram. Paulo Andrade formou-se em Direito, tornou-se professor e passou a liderar um grupo educacional que hoje reúne mais de 20 unidades do Colégio Cristão, da UNOPAR e da Maple Bear. Defensor convicto da educação como principal instrumento de transformação social, sustenta que não há desenvolvimento verdadeiro sem escolas fortes, professores valorizados e oportunidades concretas para a juventude.
Sua atuação também se estendeu ao setor público. Nas primeiras eleições do Estado de Rondônia, foi eleito vereador pelo MDB em 1982, pelo município de Pimenta Bueno. Mais tarde, como Superintendente do INCRA, conduziu a titulação definitiva de cerca de 20 mil propriedades rurais nas regiões de Espigão do Oeste, Primavera de Rondônia e Pimenta Bueno. Para ele, a regularização fundiária sempre foi um pilar essencial do desenvolvimento econômico e da justiça social, garantindo segurança, dignidade e futuro às famílias do campo.
Recentemente, Paulo Andrade foi convidado pelo MDB para ser pré-candidato a governador de Rondônia, e a Coluna Zona Franca do MAIS RO traz uma entrevista especial com este ilustre Cidadão Honorário de Porto Velho e de Rondônia, títulos concedidos há dez anos pela CMPV e ALE-RO.
Coluna Zona Franca – Doutor Paulo, o senhor é um vencedor. Sua história é vitoriosa. Qual a receita para chegar tão longe?
Paulo Andrade – Trabalho, meu caro Kuppê, trabalho. Um pouco de sorte, também. Mas, sem organização e método trabalho e sorte contam pouco. Sempre fui muito disciplinado com trabalho e como geria o dinheiro. Se sempre trabalhei muito, tive dinheiro fruto desse trabalho. Logo, se não tivesse disciplina, ganhava e gastava. E isso não é um bom caminho.
Coluna Zona Franca – Mas, como ganhar e não gastar? Tem mágica nisso?
Paulo Andrade – Não se trata de mágica, e sim de matemática. Nasci em família pobre, comecei a trabalhar muito cedo e, por sorte, muito cedo me vi metido na Bolsa de Valores, como office-boy. Talvez se não tivesse esta experiência, não teria me disciplinado. Na Bolsa, aprendi que o contrário de gastar é ganhar. Trouxe isso para a vida.
Coluna Zona Franca – O senhor adota esta lógica nas suas empresas?
Paulo Andrade – Sim, com mais rigor ainda. Para você ver o quanto isso funciona, não lembro de ter fechado um ano no vermelho. No máximo, empatei, nunca no vermelho. Se entra, pago as contas em dia em se sobra, invisto.
Coluna Zona Franca – O senhor é um dos pioneiros no estado. Além de empreendedor, Já ocupou, inclusive, cargos públicos. O que o fez se afastar da vida pública?
Paulo Andrade – Nunca me afastei totalmente. Sei que a política é importante na vida das pessoas, inclusive e, principalmente, para nós, empresários. Tudo que acontece na política nos afeta, para o bem ou para o mal. Mas, as responsabilidades empresariais me tomam muito tempo. Mas nunca me neguei a participar dos debates políticos e nunca neguei a política.
Coluna Zona Franca – Além de manter o equilíbrio financeiro de suas empresas, quais são suas outras prioridades enquanto empresário?
Paulo Andrade – Manter as contas em dia. Veja que, se consigo fazer isso, mantenho o equilíbrio financeiro das empresas. Contas em atraso produz juros, multas e mais custos. Portanto, manter as contas em dia é um instrumento poderoso para o equilíbrio financeiro de qualquer empresa.
Coluna Zona Franca – O senhor foi eleito vereador pelo MDB, na primeira eleição ocorrida em Rondônia, nos anos 1980. Qual a importância desta experiência na sua vida pessoal e empresarial?
Paulo Andrade – Marcante, caro Kuppê. Naquele tempo não havia a atividade política como algo profissional, em que se fazia da política um meio de vida. Fui convidado porque gerenciava uma empresa madeireira em Pimenta Bueno e tinha certo respeito das pessoas. Fui o segundo mais votado naquela eleição e contribuir um pouco com o município. Sempre fui um conciliador.
Coluna Zona Franca – E não lhe parece muita coincidência décadas depois, o mesmo MDB lhe convidar para ser candidato a governador do estado?
Paulo Andrade – É muito honroso para mim tal convite. O MDB é o partido mais estruturado do estado, com excelentes serviços prestados aos rondonienses. Tem uma história sólida e está organizado nos 52 municípios. Quem não gostaria de representar a legenda? Talvez viram em mim alguém que pode representar o a posição que o partido defende: o da conciliação e do equilíbrio.
Coluna Zona Franca – E qual será a sua decisão? Como um empresário de sucesso vê esta possibilidade?
Paulo Andrade – Como um grande desafio, e um chamado também. Tenho certeza que posso contribuir com a sociedade rondoniense. Claro, com os limites e responsabilidades que o cargo exige. Sou um realizador e governar é realizar. Não concebo governos que não realizam, pois governos têm orçamentos e meios. Mas, em relação ao convite do MDB ainda não decidir, tenho coisas importantes em curso nas empresas, novos projetos a implantar. Estou a pensar nisso com calma. Embora o tempo não seja o adequado, esta é uma decisão que não se toma da noite para o dia. Vamos nos dar mais um tempo. Mas, se aceitar, anote isso: vamos trazer Rondônia para o centro de novo.
Visita ao vice-governador
Ontem, após entrevista ao podcast Política com Café, Paulo Andrade fez uma visita de cortesia ao vice-governador Sérgio Gonçalves (União Brasil). O tema do encontro não foi revelado pela assessoria do vice-governador, mas, suscita conversações em torno da sucessão estadual.
Nem sim, nem não

Nas entrevistas acima Paulo Andrade não bate o martelo se vai ou não ser candidato. Ele está preparando um documento, espécie de condicionante para aceitar a missão. Na semana que vem vai à Brasília apresentar ao presidente estadual do MDB, senador Confúcio Moura. Metódico, meticuloso e cauteloso, PA não quer dar um tiro no escuro. Se entrar, será prá ganhar.
Dez pré-candidatos
Com a possível entrada de Paulo Andrade na disputa, são 10 os pré-candidatos ao governo de Rondônia. Adailton Fúria (PSD), Coronel Braguin (Novo), Expedito Netto (PT), Delegado Flori (Podemos), Hildon Chaves (PSDB), Marcos Rogério (PL), Paulo Andrade (MDB), Samuel Costa (Rede) e Sérgio Gonçalves (União Brasil). PA entraria forte, ancorado por diversos partidos que compõem o Movimento Caminhada Esperança. O PT e a Rede também devem lançar candidatos.
Cobra com jacaré
Prefeito Adailton Fúria (PSD Cacoal), após polêmica com bolsonaristas, se diverte com o fato do prefeito de Corumbiara, Leandro Vieira ter sido eleito pelo PL numa coligação com o PT. “Juntou cobra com jacaré ” disse Fúria caindo na risada. O prefeito Leandro disse que a união da direita com a esquerda foi em prol do desenvolvimento de Corumbiara. Fúria é pré-candidato ao governo de Rondônia. Quanto à polêmica, Fúria está tranquilo. Seguirá as determinações do partido que poderá nem lançar candidato próprio à presidência da República. Quem conhece Gilberto Kassab, sabe que ele prioriza a eleição de deputados federais e senadores, além de governadores. Ao final, poderá até compor com o PL.
Breakfast
Por hoje é só. Este é o breakfast, o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção com os temas de destaque da política em Rondônia e do Brasil.
(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político, com informações do Canal Meio
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