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sábado, agosto 30, 2025

Coluna Zona Franca- Especial Dia das Mães

Feliz Dia das Mães

Hoje não é dia de arrumar briga com ninguém. Hoje é o Dia de todas as Mães do Brasil. Em especial, da minha, dona Petronila, 92. É clichê, mas ela é a melhor mãe do mundo. Explico (ah, vai, na primeira pessoa).

Mãe de dez filhos, dos quais dois já morreram, um por acidente de carro, Matheus, outro de Covid (Chiquinho), minha mãe é daquela que se sacrifica pelos filhos. Ficava com fome, mas tentava alimentar a todos. Quando meu pai morreu, em 1965, em Guajará-Mirim (RO), deixou um carreira de filhos, de 15 anos (o mais velho), a um bebê ainda no ventre de minha mãe. Imagina agora uma viúva de 33 anos, com oito filhos menores para criar. Não eram dez filhos? Sim. Dois vieram depois, de outros pais.

Após a morte do meu pai, minha mãe, claro, assumiu as rédeas da família e tocou o barco. Foi para o campo, onde tínhamos um sítio no Km 10, perto da serra dos Parecis. Tinha arroz, feijão, macaxeira, milho, além de frutas e legumes. Um igarapé provia a mesa de peixes. No quintal, muitas galinhas e patos.

A fartura do sítio, porém, nos trouxe um infortúnio que nos obrigou a mudar de cidade, quando fomos morar em Porto Velho. Bem resumido, o afilhado de minha mãe, de 10 anos, desapareceu no sítio enquanto colhia milho e ela foi acusada pelo desaparecimento. Nada foi provado contra ela e o menino nunca apareceu. Acredita-se que foram os indígenas Cinta Larga que o pegaram.

Em Porto Velho (1969), é que minha mãe enfrentou duras batalhas. Sem casa, sem emprego, a solução na época foi recorrer ao bispo Dom João Batista Costa e à primeira dama do então território federal de Rondonia, Laura Marques Henriques, dona Laurinha. Como a mãe pássaro que busca alimentos para os seus filhotes, minha trazia o básico para  nossa alimentação, ao mesmo tempo em que lavava roupa para fora, como se diz.

Após morar meses de aluguel, fomos morar nas Pedrinhas (1971), onde tinha um igarapé que os meninos como o saudoso Chiquilito Erse, se banhavam. Pedrinhas, por ser um denotativo dado em alusão a um igarapé de cratera de laterita, cujo formato lembrava um retângulo e serviço de lazer para os moradores do Caiari, Arigolândia e Olaria, além das lavadeiras utilizarem suas limpas águas para lavar as roupas de seus clientes. Minha mãe fazia salgados para vender e fomos crescendo por ali.

Bem, vou terminar por aqui porque está ficando chato e longo. Ninguém merece. (risos). Cada um tem sua história. Acredito que muitos que estão lendo agora este artigo, estão se vendo na história. Neste Dia das Mães, só peço que meus amigos leitores que ainda tem mãe, procurem amá-la como se fosse uma pedra preciosa. Como se fosse a mãe de Deus. E oremos pelas mães do Rio Grande do Sul. Feliz Dia das Mães.

 

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

Informações para a coluna:  [email protected]

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