Corrupção não tem partido. Quem rouba o povo deve responder
Por Édson Silveira
Eu não tenho paciência para hipocrisia quando o assunto é corrupção.
E o que estamos vendo agora, com os escândalos envolvendo o INSS e estruturas financeiras ligadas a investigações recentes, é mais um capítulo do velho roteiro brasileiro: o povo sendo lesado… e a política tentando transformar tudo em disputa de narrativa.
Mas desta vez há um agravante.
A CPMI, que deveria ser um instrumento sério de investigação, está se transformando — aos olhos de muitos — em um verdadeiro palco de horrores.
Não pelo tema.
Mas pela condução.
Troca de acusações, vazamentos seletivos, exploração política de depoimentos e uma disputa clara para controlar a narrativa pública. Em vez de buscar a verdade, muitos parecem mais preocupados em produzir versões convenientes.
E quando a investigação vira espetáculo, a verdade vira detalhe.
Há, inclusive, questionamentos públicos e notícias que levantam suspeitas sobre eventuais vínculos políticos, destinação de emendas parlamentares e relações com entidades religiosas, como a Igreja Lagoinha, envolvendo nomes ligados ao comando ou à dinâmica da comissão.
Se isso se confirmar, será gravíssimo.
Porque aí não estamos mais falando apenas de corrupção investigada — estamos falando da possível contaminação da própria investigação.
E isso é o ponto mais perigoso de todos.
Uma CPMI não pode ser instrumento de blindagem.
Não pode ser ferramenta de ataque seletivo.
E muito menos espaço para construção de narrativas ou disseminação de desinformação.
Mas é exatamente essa a percepção que começa a se formar.
Enquanto isso, o essencial continua sem resposta:
Quem roubou os aposentados?
Quem operou os esquemas financeiros?
Quem facilitou?
Quem lucrou?
E, principalmente: quem vai ser punido?
Porque, sejamos honestos, o Brasil já assistiu esse filme antes.
Escândalo explode.
Políticos gritam.
Comissões são instaladas.
Relatórios são escritos.
E, no final… quase nada acontece.
Eu insisto: corrupção não tem partido.
Tem oportunidade.
E quando há indícios de que diferentes setores — políticos, financeiros e até institucionais — podem estar entrelaçados, o mínimo que se espera é uma investigação limpa, firme e independente.
Sem interferência.
Sem blindagem.
Sem espetáculo.
Se a CPMI continuar nesse caminho, será apenas mais uma peça no teatro da impunidade — um espaço onde se discute muito, se acusa bastante, mas se pune quase ninguém.
E isso não é apenas ineficiência.
É cumplicidade indireta.
O Brasil não precisa de mais discursos contra a corrupção.
Precisa de coragem para enfrentar a corrupção — inclusive quando ela está perto demais.
Inclusive quando envolve aliados.
Inclusive quando dói politicamente.
Quem roubou o povo precisa responder.
Sem partido.
Sem narrativa.
Sem maquiagem.
Porque o maior escândalo não é só o desvio de dinheiro.
É a tentativa de transformar a investigação em instrumento político — enquanto a verdade fica em segundo plano.
E isso, sinceramente, já passou de todos os limites.
Édson Silveira
advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO




