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quinta-feira, janeiro 15, 2026
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Coragem é governar, não saquear o orçamento

 

Por Edson Silveira

Em um cenário político marcado por pressões explícitas, chantagens veladas e uma fome insaciável por recursos públicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou uma decisão que merece registro histórico: sancionou o orçamento da união e vetou R$ 11 bilhões em emendas parlamentares, mesmo em ano eleitoral. Não se trata de um gesto trivial. Trata-se de coragem política em estado puro.

Governar, ao contrário do que alguns setores do parlamento parecem acreditar, não é transformar o orçamento em um balcão de negócios ou em um buffet livre para projetos eleitorais pessoais. Governar é fazer escolhas. E Lula escolheu proteger o Brasil.

O orçamento não é propriedade privada do parlamento

Durante anos, consolidou-se no país a ideia de que parte significativa do orçamento poderia ser apropriada por parlamentares, muitas vezes sem critérios claros, sem transparência e com controle social mínimo. As chamadas emendas — especialmente aquelas de execução opaca — passaram a funcionar como moeda de troca, instrumento de pressão e mecanismo de reprodução de poder.

Quando o presidente veta R$ 11 bilhões dessa engrenagem, o que se vê não é um ataque à democracia, como apressadamente bradam alguns, mas a defesa do interesse público. O verdadeiro ataque à democracia é retirar recursos da saúde, da educação, da assistência social e da infraestrutura para alimentar projetos eleitorais paroquiais.

A gula política e o discurso da hipocrisia

É curioso observar como os autoproclamados defensores da “responsabilidade fiscal” entram em estado de indignação seletiva quando a torneira das emendas se fecha. A mesma turma que silencia diante da fome, do desemprego e da precariedade dos serviços públicos passa a gritar “afronta” quando o banquete é interrompido.

A fome do povo nunca foi prioridade para esses setores. A fome por emendas, essa sim, parece infinita. O veto presidencial expôs, com clareza desconfortável, quem defende políticas públicas e quem defende privilégios.

Recursos para quem precisa, não para quem pressiona

Os R$ 11 bilhões vetados não desapareceram. Eles podem e devem ser direcionados a políticas estruturantes, ao fortalecimento dos programas sociais, ao combate à fome, à geração de emprego e renda e a investimentos em infraestrutura capazes de melhorar a vida real da população brasileira.

Essa é a diferença fundamental entre governar e ceder. Entre liderar e se submeter. Entre pensar o país e pensar apenas na próxima eleição.

Governar É proteger q Brasil

Ao sancionar o qrçamento e vetar a farra das emendas, Lula reafirma um princípio essencial: o dinheiro público pertence ao povo brasileiro. Não a grupos políticos, não a interesses eleitorais, não a castas parlamentares.

A democracia exige diálogo, mas não se confunde com submissão. Exige equilíbrio entre os Poderes, mas não tolera a captura do qrçamento por interesses privados. Nesse sentido, o gesto do presidente não enfraquece a democracia — ao contrário, a fortalece.

Em tempos de normalização do absurdo, dizer “não” tornou-se um ato revolucionário. E, desta vez, o “não” foi dito em nome do Brasil.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO

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