Por Édson Silveira
A educação pública de Rondônia inicia mais um ano letivo cercada de desafios históricos que não podem mais ser ignorados. A chegada da professora Albaniza ao comando da Secretaria Estadual de Educação ocorre em um momento decisivo para o futuro da rede estadual. Faço questão de registrar meu respeito pessoal e profissional à nova gestora. Conheço sua trajetória desde quando foi minha diretora na Escola Carmosina e sei do seu compromisso com o ensino público e com o papel transformador da educação.
Justamente por reconhecer sua capacidade, é impossível não admitir que o cenário encontrado por ela é extremamente complexo. Rondônia enfrenta problemas estruturais que vão desde defasagem de aprendizagem, dificuldades de infraestrutura escolar, evasão no ensino médio e desvalorização dos profissionais da educação, até a necessidade urgente de modernização pedagógica.
Os próprios indicadores educacionais mostram essa realidade. Dados recentes do IDEB demonstram que o ensino médio estadual ainda encontra dificuldades para atingir metas nacionais de qualidade. A evasão escolar continua preocupando, principalmente entre jovens que abandonam a escola por necessidade de trabalhar ou pela falta de perspectiva educacional. A pandemia agravou ainda mais esse quadro, ampliando desigualdades e gerando perdas significativas no processo de aprendizagem.
Diante desses desafios, cresce no estado a expansão do modelo cívico-militar nas escolas públicas. E aqui faço um posicionamento claro: esse modelo não enfrenta as causas reais dos problemas educacionais. Escola não é quartel. Professor não é comandante. Estudante não é subordinado.
A educação pública precisa ser espaço de construção do pensamento crítico, da diversidade e da formação cidadã. A disciplina escolar não pode ser confundida com imposição autoritária. Problemas educacionais nascem, em grande parte, da desigualdade social, da falta de investimento pedagógico e da ausência de políticas estruturantes para professores e estudantes.
Militarizar o ambiente escolar pode até impor silêncio, mas dificilmente ensinará reflexão, criatividade e autonomia intelectual. Uma sociedade democrática precisa de cidadãos capazes de pensar, questionar e construir soluções para os desafios coletivos. Educação que apenas impõe regras não forma indivíduos preparados para viver em um mundo cada vez mais complexo.
Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que a escola pública representa esperança para milhares de famílias. Para muitos pais e mães, ver seus filhos frequentando a escola é acreditar na possibilidade de um futuro melhor. Cada professor que entra em sala de aula carrega a responsabilidade de formar cidadãos e transformar realidades sociais.
Valorizar professores é condição básica para qualquer política educacional séria. Nenhum país conseguiu avançar na qualidade do ensino sem investir na formação, remuneração e valorização social dos profissionais da educação. Também é fundamental fortalecer o diálogo entre escola, família e comunidade, construindo um pacto social que coloque a educação como prioridade permanente.
Defender uma educação inclusiva significa garantir que todos os estudantes tenham acesso e permanência na escola, respeitando diferenças sociais, culturais e econômicas. Significa modernizar metodologias de ensino, incorporar tecnologia, investir em formação continuada e construir um ambiente escolar democrático e acolhedor.
Rondônia precisa decidir qual modelo educacional quer construir. Uma educação voltada apenas para controle disciplinar ou uma educação capaz de formar cidadãos livres, críticos e qualificados para viver em uma sociedade democrática.
A nova gestão da Secretaria de Educação terá o enorme desafio de reconstruir políticas públicas educacionais que enfrentem desigualdades e valorizem professores e estudantes. A missão não é simples, mas é essencial para o desenvolvimento social e econômico do estado.
Educação pública de qualidade não é gasto. É investimento no futuro coletivo. É o principal instrumento de mobilidade social e construção de uma sociedade mais justa e democrática.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO




