O vazio de representação política da região é um achado para dezenas de candidatos que se deslocam aos distritos em períodos específicos para a busca de votos
Faltando pouco mais de um ano para eleições municipais de 2024, a região da Ponta do Abunã (distrito de Porto Velho-RO), tem sido o destino de vários políticos dos mais variados partidos, cujo objetivo é identificar necessidades dos distritos e, de pronto, se colocar como o instrumento para resolvê-las.
Com uma quantidade de população imprecisa – os últimos dados oficiais apontam para 38 mil pessoas – a região não consegue aglutinar força política suficiente para se brindar dos aventureiros eleitorais que acorrem aos seus distritos em período que antecede as eleições.
Segundo Francisca Kaxarari, microempresária de Extrema, são quatro anos de abandono e dois meses de compromissos vãos. “Aqui em Extrema, e isso se estende para os outros distritos, falta tudo, desde asfalto, escolas, unidades de saúde, segurança, água potável, áreas de lazer e cultura. Em um mundo completamente conectado, parece que estamos apartados de Porto Velho por milhões de quilômetros. Para se ter uma ideia desse isolamento, amanhã teremos eleições para o conselho tutelar municipal e nem local de votação teremos, muito menos candidatos ou candidatas”, afirma ela indignada.
Na visão de Francisca Kaxarari, o assedio eleitoral oportunista é histórico na região. “O fato de não termos representantes nativos da região, abre espaço para esta situação. E quando os agentes, as lideranças daqui começam a se movimentar, os espertalhões com cargos e poder aparecem e trazem soluções milagrosas para problemas específicos, que já existia desde sempre”, desabafa.
Para o líder comunitário do distrito de Nova California, Biro-Biro, há um cansaço na população em relação a isso. “Já aprendemos que quem quer fazer, faz o tempo todo e não apenas no período eleitoral. A eles interessam o nosso racha, pois cada um leva um pouco de votos e se acham desobrigados de compromisso com a gente. Precisamos mudar isso!”, sugere Biro-Biro.



