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sexta-feira, maio 29, 2026
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Está preso condenado por assassinatos de camponeses em Buritis

Gesulino, chefe guaxeba, está preso em Rondônia. Condenado por assassinatos de camponeses em Buritis, ele liderava uma empresa de fachada que lavou R$ 48 milhões em fazendas e gado.

Por  Montezuma Cruz (*)

O Ministério Público Estadual de Rondônia informou que Gesulino César Travagine Castro foi preso na última terça-feira. Condenado por assassinatos de camponeses em Buritis, ele liderava uma empresa de fachada que lavou R$ 48 milhões em fazendas e gado.

Até então Gesulino estava na condição de foragido da Justiça por crimes de pistolagem cometidos no interior do estado.

Líderes camponeses de acampamentos nos municípios de Ariquemes e Machadinho D’Oeste, o temiam, pois quando seus comandados circulavam pela região, geralmente ocorriam ataques a bala nos arredores e dentro das áreas ocupadas.

Gesulino possuía um mandado de prisão expedido pela Delegacia Especializada na Repressão de Crimes contra a Vida, de Ariquemes, a duzentos quilômetros da capital, Porto Velho.

Durante três anos ele era procurado, e até visto em alguns lugares, mas ganhava costa quente da Polícia Militar.

Quando teve mandado de prisão decretado pela Justiça, e antes de desaparecer, ele se queixava da mídia: “Tudo o que acontece (de ruim), vocês dizem que a culpa é minha.”

O jornal A Nova Democracia publicou esse desabafo, ao mesmo tempo em que noticiou seu envolvimento com membros do Clube de Atiradores e Colecionadores (CAC), que se tornou atuante na região do Jamari.

Quando a PM prendeu dois confessos integrantes do CAC, em 2025, eles disseram que usavam armas pesadas “para caçar porcos do mato.”

Gesulino Cesar Travagine Castro: Inimigo do povo e chefe da pistolagem em Rondônia

Chacina de Buritis

Gesulino foi apontado como mandante da Chacina de Buritis, ocorrida em 2012, quando um grupo de guaxebas matou seis pessoas em uma emboscada.

Em 2023, Gesulino foi condenado a 35 anos de prisão por esses crimes. Mas entrou em fuga e só hoje (26) foi capturado durante a operação denominada Operação “Labirinto de Bronze” contra uma milícia privada especializada em lavagem de dinheiro.

Fazendas e bois

O MP constatou que o grupo usava empresas e propriedades rurais como fachada para movimentar recursos ilegais.

Para chegar a Gesulino, de quem já tinham pistas, agentes do MP utilizaram o mandado de prisão. Gesulino estava condenado por homicídios, incluindo a chacina de Buritis.

Segundo o MP, ele já havia conseguido fugir de diversas operações, ainda assim, seus comparsas mantinham o esquema praticamente às vistas de policiais e de autoridades.

Camponeses da divisa Rondônia-Mato Grosso estão na mira do latifúndio – A Nova Democracia
Da tensão à angústia, camponeses do acampamento Gedeon José Duque ameaçados por pistoleiros e cercados pela polícia resistem à violência latifundiária no município de Machadinho d’Oeste, a 300 km de Porto Velho. Novos ataques podem ocorrer a qualquer momento. Armas “registradas” como pertencentes a membros de CACs estariam sendo usadas para os ataques.

A operação desta terça-feira cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços, propriedades rurais e empresas ligadas ao grupo de Gesulino, em Porto Velho, Ariquemes e Cujubim.

O grupo utilizava empresas e pessoas de fachada para esconder valores de origem ilícita, entre as quais, uma empresa de terraplanagem.

A operação do MP bloqueou e apreendeu bens avaliados em R$ 48 milhões, incluindo dinheiro em contas bancárias, imóveis, veículos, máquinas e mais de 1,5 mil cabeças de gado localizadas em fazendas.

Montezuma Cruz  é jornalista há 57 anos e Conselheiro Editorial de AND. Ele trabalhou para o Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O Globo, Folha de Londrina, O Estado de S. Paulo, Correio do Estado, Jornal de Brasília e O Diário do Norte do Paraná. Chegou a Rondônia em 1976, participando da vida do ex-território federal e da criação do novo estado. Atuou em Porto Velho nos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Estadão de Rondônia (depois do Norte), O Garimpeiro, e nas sucursais de O Parceleiro (Ariquemes) e Diário de Rondônia (Ji-Paraná). Entre 1979 e 1981 foi editor do alternativo Barranco, e repórter da sucursal da extinta Empresa Brasileira de Notícias (EBN), hoje EBC. Há décadas dedica-se a cobrir os “conflitos fundiários” e a luta pela terra no estado e no País, apoiando de forma incansável e decidida a luta dos camponeses pobres, indígenas e quilombolas.

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