Por Edson Silveira
O debate promovido pelo Rondoniaovivo na noite desta sexta-feira, 18 de setembro, no histórico Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, ganhou importância especial nesta reta final da campanha. Cinco candidatos ao Governo de Rondônia ficaram frente a frente para discutir saúde, educação, segurança, emprego, agricultura, municípios e política nacional.
Na minha avaliação, Expedito Netto saiu fortalecido do encontro. Demonstrou segurança, defendeu suas posições com clareza e procurou relacionar suas propostas para Rondônia à capacidade de buscar recursos e construir parcerias com o Governo Federal.
Esse desempenho pode ter efeitos importantes na reta final. Em uma eleição marcada por disputas acirradas e por grande circulação de informações nas redes sociais, o debate não serve apenas para apresentar propostas. Ele também ajuda a consolidar imagens públicas. Um candidato que transmite segurança, responde aos adversários e consegue explicar como pretende governar pode reduzir dúvidas entre eleitores indecisos e ampliar sua presença no debate político.
Foi isso que, a meu ver, Netto procurou fazer. Em vez de limitar sua participação a críticas ou slogans, tentou apresentar uma visão de governo baseada na articulação institucional. A mensagem foi clara: Rondônia precisa de um governador capaz de dialogar com prefeitos, deputados, senadores e com o Governo Federal para transformar programas e recursos em políticas públicas concretas.
Isso ficou evidente na discussão sobre educação. Netto mencionou recursos federais e a renegociação de dívidas como caminhos para ampliar os investimentos no setor. Também questionou Samuel Costa sobre suas propostas para a rede pública.
A importância desse momento está justamente na tentativa de transformar uma discussão abstrata sobre investimentos em uma questão prática: de onde virão os recursos, como serão aplicados e quais alianças políticas serão necessárias para viabilizar as promessas. Em uma eleição estadual, essa capacidade de explicar caminhos pode ser decisiva, especialmente para o eleitor que não escolhe apenas por identidade política, mas também por expectativa de resultados administrativos.
Nas considerações finais, Netto foi ainda mais direto. Defendeu o governo Lula, reafirmou sua identificação com as políticas sociais e destacou o Bolsa Família e a defesa dos trabalhadores. Não escondeu sua posição política nem tentou se afastar da polarização nacional, que também influencia a eleição em Rondônia.
Essa escolha envolve riscos e oportunidades. Ao assumir claramente sua ligação com o presidente Lula e com as políticas sociais, Expedito Netto fala diretamente com eleitores que valorizam programas de transferência de renda, investimentos federais e proteção aos trabalhadores. Ao mesmo tempo, coloca sua candidatura no centro da disputa ideológica, o que pode provocar resistência em setores mais identificados com a direita.
Mas a clareza também tem valor eleitoral. Em vez de tentar agradar a todos com um discurso indefinido, Netto apresentou uma identidade política reconhecível. Em uma campanha curta e intensa, ser compreendido pelo eleitor pode ser tão importante quanto ser lembrado. A candidatura que consegue explicar quem é, o que defende e com quais forças pretende governar tem mais condições de ocupar espaço no imaginário do eleitorado.
Enquanto o debate acontecia no palco, outro movimento ganhava força do lado de fora.
Na Praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, apoiadores acompanharam a transmissão por um telão. A cobertura jornalística registrou dezenas de pessoas, bandeiras e um clima de festa na área externa do complexo.
Foi nesse espaço que a militância petista também se destacou.
Quem acompanhou a chegada de Expedito Netto viu uma recepção marcada por energia, bandeiras, abraços e palavras de ordem. O grito ecoava:
“13 é Expedito! Dito! Dito!”
Mais do que uma palavra de ordem, a manifestação expressou o sentimento de uma militância que voltou a ocupar as ruas e decidiu apoiar sua candidatura com entusiasmo.
Essa mobilização pode influenciar a reta final de várias maneiras. Primeiro, porque uma campanha precisa transformar intenção de voto em participação efetiva. A militância ajuda a organizar reuniões, distribuir materiais, conversar com eleitores, acompanhar atividades e defender a candidatura nos bairros, nas comunidades e nas redes sociais.
Segundo, porque a presença nas ruas produz visibilidade. Bandeiras, atos públicos e manifestações coletivas ajudam a criar a percepção de que existe uma campanha viva, com capacidade de reunir pessoas e disputar espaços. Em eleições competitivas, essa percepção pode estimular apoiadores silenciosos a se manifestarem e convencer eleitores indecisos de que determinada candidatura tem força para avançar.
Terceiro, porque a militância funciona como uma rede de comunicação política. Cada apoiador se torna um ponto de contato com diferentes grupos sociais. A mensagem do candidato deixa de circular apenas no horário eleitoral ou nos perfis oficiais e passa a ser reproduzida em conversas familiares, ambientes de trabalho, associações, comunidades e grupos digitais.
É importante, porém, não confundir mobilização com resultado garantido. Uma manifestação animada não substitui votos, pesquisas, propostas consistentes ou capacidade de alcançar eleitores que ainda não decidiram seu voto. A militância pode demonstrar força, mas precisa converter entusiasmo em organização, presença territorial e diálogo com setores que não participam dos atos políticos.
Esse é o principal desafio de Expedito Netto nesta reta final: transformar a energia de sua base em crescimento eleitoral mais amplo. Para isso, será necessário combinar a identidade política do 13 com uma comunicação capaz de falar também sobre problemas concretos de Rondônia: atendimento na saúde, qualidade da educação, segurança pública, geração de emprego, apoio à agricultura e desenvolvimento dos municípios.
A mobilização petista pode cumprir papel decisivo nesse processo se conseguir unir convicção e capacidade de diálogo. Não basta repetir palavras de ordem; é preciso explicar por que a candidatura representa uma alternativa para o Estado, quais resultados pretende alcançar e como pretende construir as condições políticas e financeiras para governar.
Expedito chegou ao debate acolhido por seus apoiadores e entrou sabendo que, do lado de fora, havia pessoas acompanhando cada resposta e cada confronto. Essa energia tem peso em uma campanha. A militância não substitui votos, pesquisas ou propostas, mas revela capacidade de mobilização e presença nas ruas.
Também cria uma espécie de responsabilidade política. Quando um candidato é recebido por uma militância organizada, ele passa a carregar publicamente as expectativas daquele grupo. O entusiasmo das ruas precisa ser acompanhado por coerência no discurso, disciplina na campanha e capacidade de manter a unidade até o dia da votação.
Dentro do debate, Netto apresentou suas posições. Fora dele, sua militância demonstrou disposição para defendê-las.
Essa combinação pode ser especialmente relevante nos últimos dias de campanha, quando os eleitores passam a prestar mais atenção aos confrontos diretos, às declarações dos candidatos e aos sinais de crescimento ou enfraquecimento das campanhas. Um bom desempenho no debate pode gerar cortes para as redes sociais, comentários em grupos de mensagens e novas oportunidades de exposição. Uma militância ativa pode ampliar esse alcance e impedir que a candidatura desapareça em meio à disputa.
Na minha percepção, como alguém que acompanha a campanha nas ruas, essa combinação merece atenção: de um lado, uma candidatura que busca ampliar seu espaço eleitoral; de outro, uma militância petista cada vez mais presente, organizada e entusiasmada.
O debate pode ter ajudado a apresentar Expedito Netto como um candidato preparado para defender suas ideias e dialogar com diferentes níveis de governo. A mobilização do 13, por sua vez, mostrou que existe uma base disposta a ocupar as ruas e disputar a eleição com identidade própria.
A questão agora é saber se essa força será suficiente para alcançar os eleitores que ainda estão indecisos ou que acompanham a campanha à distância. A reta final costuma ser marcada por mudanças rápidas, e candidaturas que conseguem combinar mensagem clara, presença pública e organização podem ganhar espaço em pouco tempo.
O debate terminou, mas a imagem política daquela noite permaneceu.
Na histórica Madeira-Mamoré, enquanto os candidatos discutiam os rumos de Rondônia diante das câmeras, do lado de fora uma parte da disputa era travada no velho estilo das grandes campanhas populares: gente, bandeira, voz e entusiasmo.
O grito da militância resumiu a noite:
“13 é Expedito! Dito! Dito!”
Mais do que registrar uma recepção, aquela cena revelou o desafio e a oportunidade de Expedito Netto na reta final: transformar a força simbólica do debate e a energia das ruas em confiança, diálogo e votos.
Edson Silveira — advogado, administrador, professor e membro da Executiva Estadual do PT/RO









