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quinta-feira, janeiro 29, 2026
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Factoide não é escândalo: a tentativa desesperada de criminalizar o governo Lula

Por: Édson Silveira

Há um esforço cada vez mais explícito de parte da velha imprensa militante do antipetismo em transformar atos absolutamente normais da vida institucional em “escândalos” fabricados. A mais nova investida tenta envolver o presidente Lula, o Banco Central e o ex-ministro Ricardo Lewandowski em uma narrativa conspiratória construída à base de insinuações, manchetes sensacionalistas e omissões convenientes.

Vamos aos fatos, sem histeria e sem má-fé.

O presidente da República não comete crime algum ao receber empresários, banqueiros ou representantes do setor produtivo. Pelo contrário: faz parte de suas atribuições institucionais ouvir agentes econômicos, compreender cenários, crises e demandas, e encaminhar os temas às instâncias técnicas competentes. Criminalizar reuniões é uma tática velha, já usada à exaustão contra Lula no passado — e desmontada pela história, pela Justiça e pelos fatos.

A tentativa de transformar um encontro institucional com Daniel Vorcaro em prova de “envolvimento até o pescoço” diz mais sobre o desespero dos acusadores do que sobre qualquer irregularidade real. Se reunião com empresário fosse crime, nenhum presidente da República — passado ou presente — escaparia de uma denúncia diária.

O mesmo vale para o uso distorcido do nome de Ricardo Lewandowski. O ex-ministro, jurista respeitado e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, prestou serviços de consultoria jurídica antes de assumir cargo no governo, atividade absolutamente lícita, comum e protegida pelo ordenamento jurídico brasileiro. Ao assumir o Ministério da Justiça, afastou-se formalmente da advocacia, como manda a lei. Não há denúncia, não há condenação, não há sequer investigação que sustente o espetáculo midiático montado.

O que há, na verdade, é um factoide cuidadosamente embalado para sugerir culpa onde não existe, criando uma atmosfera de suspeição permanente contra um governo que, ironicamente, não interferiu nas investigações, não blindou empresários e não aparelhou instituições para proteger aliados. As apurações seguiram seu curso normal, com autonomia do Banco Central, da Polícia Federal e dos órgãos de controle.

Essa ofensiva não tem compromisso com a verdade. Tem método, objetivo e endereço político. Busca desgastar o governo Lula, desacreditar instituições e reativar o discurso moralista seletivo que já se mostrou fraudulento no passado.

A democracia não pode ser refém de manchetes caça-cliques nem de colunismo político travestido de denúncia. O Estado de Direito exige provas, não insinuações. Exige fatos, não narrativas.

Quem governa dialoga. Quem acusa, prova. O resto é barulho — e o Brasil já pagou caro demais por esse tipo de farsa.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor, membro da executiva estadual do PT/RO e pré-candidato a deputado federal pelo PT/RO

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