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quarta-feira, abril 15, 2026
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Fé não é palanque; e o povo de Deus sabe disso

Por Edson Silveira

Aos irmãos e irmãs na fé,

Falo com respeito, mas também com responsabilidade.

A fé do povo brasileiro — e especialmente do povo evangélico — é coisa séria. É o que sustenta famílias, o que fortalece na dor, o que dá esperança quando tudo parece perdido.

E é justamente por isso que não pode ser tratada como instrumento de poder.

Mas precisamos ter coragem de dizer: tem gente usando o nome de Deus de forma indevida.

Tem falsos profetas se levantando não para cuidar do rebanho, mas para se promover.

Tem pastores que deixaram de ser guias espirituais para se tornarem operadores políticos.

E isso não pode ser normalizado.

A Palavra já nos alertava:

“Cuidado com os falsos profetas, que vêm disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos.”

O problema é que hoje muitos desses “lobos” aprenderam a falar bonito, a citar versículo, a emocionar… enquanto, nos bastidores, manipulam, pressionam e direcionam consciências.

Usam o púlpito para dar ordem política.
Usam a fé para induzir voto.
Usam a confiança do povo para fortalecer projetos pessoais de poder.

E isso não é evangelho.

Isso é distorção da fé.

Isso é oportunismo religioso e político.

Isso é exploração da boa-fé de quem acredita em Deus de verdade.

O verdadeiro pastor não controla. Orienta.
Não manipula. Cuida.
Não impõe. Ensina.

O verdadeiro homem de Deus não precisa usar a fé como ferramenta política — ele vive a fé na prática, no amor ao próximo, na verdade, na dignidade.

E esses existem. Muitos.

Homens e mulheres de Deus que, longe dos holofotes, fazem o trabalho verdadeiro: acolhem, ajudam, aconselham, levantam quem caiu.

Esses merecem honra.

Mas os outros — os que usam o nome de Deus para ganhar poder — precisam ser confrontados.

Com respeito, sim.
Mas com firmeza.

Porque fé não é moeda de troca.

O Brasil é um Estado laico. Isso não é contra a religião — é justamente o que protege a liberdade de todos.

Misturar púlpito com palanque enfraquece a igreja, divide o povo e desvia o propósito da fé.

E o povo de Deus não é massa de manobra.

O cristão verdadeiro pensa, ora, discerne.

Sabe separar o que é de Deus do que é interesse humano travestido de espiritualidade.

Sabe que fé não combina com manipulação.

Sabe que quem usa o nome de Deus para controlar pessoas está longe do verdadeiro evangelho.

Por isso, fica um chamado direto:

Não entregue sua consciência a ninguém.

Nem a político.
Nem a líder religioso.

Examine. Questione. Ore. Decida.

Porque a fé que liberta não aprisiona.

E Deus não precisa de intermediários interessados em poder — Ele precisa de verdade.

Edson Silveira
Advogado, administrador, professor
Pré-candidato a deputado federal PT/RO

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